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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entrevista com Dr. Içami Tiba sobre Limites

Oi gente!

O tema desta semana é LIMITES. E quando se fala neste assunto, as opiniões são as mais diversas, não é mesmo? Entretanto, em uma coisa todos concordam: a tarefa de educar é algo bastante complexo e exige muita responsabilidade.

Confiram a entrevista de Içami Tiba, psiquiatra e educador, concedida à repórter Rosângela Santos para o Papo de Mãe e vejam o que ele tem a dizer sobre o assunto.
RS: Como educar os filhos nos dias de hoje?
IT: Hoje, para se educar, os pais precisam se preparar porque não adianta ser pai e mãe biológicos, pois isso não capacita pais para educarem. Então, a melhor maneira de educar é os pais aprenderem como se educa conforme a idade. Hoje, existe uma literatura muito vasta, basta que os pais coloquem como prioridade. Pode ser assistindo a um programa como este (Papo de Mãe), pode ser lendo livros... Em todos os jornais, pelo menos uma vez por semana, tem destaque uma parte para educação. Tem revistas... Então só não lê, só não se atualiza, quem ainda não entendeu que precisa colocar isso como prioridade.

RS: Antigamente era mais fácil educar?
IT: Não. Antigamente, não se educava também. Exigia-se e escravizava-se. Se a gente tivesse sido educado, nós saberíamos como educar. Educação é uma competência. É como um líder: um líder ensina o outro a ser líder também. Uma pessoa que é chefe ensina o outro a ser chefe. Nós aprendemos a ser chefes e não líderes. Mas hoje estamos numa outra época, em que os filhos aceitam muito a liderança, só que ela é rotativa, não é de uma pessoa só.  Se o filho entende de internet e o pai não entende, então quem vai liderar este tema vai ser o filho, e todos na família ganham com isso. Ficou de ponta cabeça. O pai antes era o provedor, o sabedor de tudo, o que vai resolver tudo. Hoje não é mais assim... Às vezes, o pai está doente, não sabe que doença tem e o filho identifica porque o pai do amigo teve e dá uma força. Aquela relação vertical hoje se horientalizou para a família. A educação seria algo assim: um grupo de pessoas empenhadas no bem estar da família. Isso vai reverter num bem estar da sociedade com grandes olhos para o bem estar do planeta.

RS: Na sua opinião, quais são os maiores desafios que os pais enfrentam hoje?
IT: Primeiro ponto: a falta de conhecimento educativo. Segundo: é que as opções são muitas e os pais estão meio perdidos em qual é o melhor caminho. Terceiro: os filhos não são mais os mesmos. Antigamente, antes da era da internet, de crianças indo cedo para a escola, era fácil passar valores para os filhos porque eles conviviam com as famílias intensamente, sem interferência externa. Hoje, a interferência começa muito cedo com babá, TV, escola... Então, quando a criança começa a entender as coisas, ela já está incorporando junto com valores familiares outros valores. Aí a criança começa a contestar o que os pais fazem...

RS:Quando é que os pais devem impor limites às crianças?
IT: Desde que nascem porque nós precisamos de um limite biológico. O parto é o sinal de que pais não podem aceitar uma criança folgada que queira ficar 10 meses na barriga. E é assim também quando se começa a amamentar. A criança tem que ter ritmo de alimentação e não se alimentar quando quer. Não quer mamar, mas fica usando o seio como chupeta. Isso não pode! Então, tudo tem que ter ritmo. Chama-se ritmo biológico. A partir da compreensão da criança... Nós temos que ver qual competência a criança tem para fazer. Não adianta pedir algo muito elaborado, que ela não tenha idade para fazer. Mas é a partir das coisas simples que ela fizer, isso vai alimentando o ego dela, dando uma auto-estima suficiente de que “eu sou capaz”. Ela vai acreditando e vai crescendo cada vez mais competente. Agora, se nós fazemos por ela, ela aprende a depender, e estamos aleijando essa força da auto-estima que viria desde o comecinho. Ela fica numa espécie de “bolha”, que vai crescendo dentro da própria pessoa e isso muda tudo na vida. Determina se vai ter uma boa auto-estima ou uma auto-estima fraca.

RS: O “não” que vira “sim” prejudica muito as crianças?
IT: Prejudica muito. Muito porque não formamos cidadãos. Então formamos regras sociais à nossa maneira desde que não sejamos pegos. Em casa a mãe diz “não”. Aí a criança não faz nada até que a mãe ou o pai fala “sim” e derruba tudo. É o último dominó que derruba todos os “não” ditos até então. O que criança aprendeu? Existe regra? Existe sim, mas basta insistir que eu consigo. Isto é o grande drama do Brasil: todas as pessoas que furam as regras são as pessoas que uma hora acham que vão conseguir o que querem! Para a criança não tem pequeno ou grande. Nós é que dimensionamos. Quando ela quer uma coisa, quer no seu ser absoluto, pois ela não tem noção de grandeza, nem de responsabilidade. Isso se chama educação: passar esses valores, essas noções, para que criança crie dentro de si aquela condição de saber “isso eu posso fazer, isso eu não devo”.

RS: O que representa a falta de limites para o futuro da criança?
IT: Estraga a vida porque ela não vai conseguir acompanhar tudo o que precisa de limites. Por exemplo: na escola, ela precisa de limites. Quem não tem limites não se adequa à escola. Tem horários, lição de casa, provas. Ela vai querer estudar numa hora que é recreio e na aula vai querer ter recreio? Não tem condições. Na vida é assim! E ela acaba encontrando um jeito porque a criança precisa encontrar o ritmo dela. Isto acaba sendo deixar tudo para última hora porque, na última hora, todo mundo ajuda. E no social, ela vai sempre achar que existe uma lei que vai ajudar os que faltam porque aqueles que cumpriram se ferraram e o que bancou o espertinho e deixou por último, saiu beneficiado. Por isso que essa cultura brasileira interfere na família. Por isso temos que mexer da família para fora. Esses comportamentos que a gente condena são comportamentos que são reforçados fora de casa porque é em casa que aprendemos. Por isso faço tanta questão de dizer que é em casa que temos que educar as crianças.

RS: O amor em excesso pode estragar uma criança?
IT: Não. Existem pais que amam demais os próprios filhos, porém o que estraga são os comportamentos inadequados e não o excesso de amor. Daí mistura os dois juntos e fala que excesso de amor atrapalha. Não é não. Amor precisa existir. As crianças precisam, no início da vida, serem mais importantes que os próprios pais para os pais. Eles mesmos têm que colocar os filhos em primeiro lugar. Se o bebezinho está chorando, tem que ser atendido rápido. Não tem que deixar chorar meia hora - a não ser que seja por outro motivo que posso até explicar depois. Fora isso, o choro de recém nascido é desesperador para a própria criança porque ela não tem noção de tempo e sofre horrores. Parece que mundo vai acabar...  Existe confusão entre a sensação de amor e o comportamento que os pais tomam. O que atrapalha não é o excesso de amor, elas precisam mesmo de amor, mais do que os adultos. Então, fora desse período, precisam aprender que amor tem que ser dividido entre as pessoas e não mais pra um do que pra outro, tem que dividir. O comportamento inadequado é quando nós usamos “em nome do amor” para fazer algo para o filho. No fundo, estamos aleijando a capacidade dele. Esse tipo de excesso faz mal. Em vez de desenvolver, a aleijamos na área que eles têm condições. Por peninha, muitas vezes, porque não se tolera que filho não faça. Se os pais não fizerem, o filho aprende. Não é excesso de amor que deseduca. O que deseduca são os excessos que os pais cometem quando fazem pelo filho o que ele é capaz de fazer. Daí os pais começam a se justificar, a colocar culpa em outra coisa e dizem que ele (o filho) já nasceu assim. Ninguém nasce assim. Nós é que educamos. Todos vão se corrigir quando tomarem consciência do quanto podem mudar. Por que nós ensinamos a nossos filhos que eles estejam sempre certos e os outros errados??? O filho bate com a cabeça na mesa e a mãe diz: “mesa feia!” e bate na mesa. O que a mãe está dizendo é que a mesa está errada e que ela se colocou no caminho da criança que estava inocentemente correndo pelo mundo? Não existe isso. Deve-se dizer: “então filho, tome mais cuidado, e agora chora porque dói mesmo”. Pronto e acabou. Ele nunca mais vai bater a cabeça na mesa. Senão, o colega que é ruim, a babá que não presta, a empregada que é não sei o quê, a escola, o patrão que não serve...

RS: Um filho é diferente do outro?
IT: Graças a Deus são diferentes. Quando o mais velho nasce, todo mundo está olhando para ele. Quando o segundo nasce, tem um dedo enfiando no olho dele. Por mais que pais queiram, nunca os filhos serão iguais. A parceria é desigual. O mais velho manda no mais novo e mais novo dá este poder. O mais velho tem idéias. Se o mais velho sabe fazer ele faz, se o mais novo não sabe, não vai fazer. Erram os pais quando, por exemplo, já na adolescência, o mais velho com 13 quer sair e o menor com 11 não tem com quem ficar. Aí a mãe fala “só sai se levar o menor”. Estraga os dois! Porque o de 11 ainda está na confusão, o de 13 com malícia. O de 11 funciona como o “bobo” da turma e vai levar porrada e o de 13 vai “pagar mico” . O mais velho tem que frenquentar a tuma dele e o menor a dele - que vai se divertir com outros assuntos. O grande segredo é tratar os filhos de jeito diferente. Na vida, a gente aprende com as diferenças, veja este exemplo: faz de conta que eu tenho um cachorro. Eu o agrado e ele olha pra mim e faz tudo pra mim como se eu fosse um rei. Daí eu tenho um gato, também agrado, faço tudo e o gato olha pra mim e diz “eu devo ser o rei”. Então, minha atitude depende da recepção que outro tem. Se um me maltrata porque eu fiz o bem, eu tenho que corrigir? Então, não é como os pais gostariam que fosse: falam uma coisa e querem que todos os filhos respondam igual. Isso não acontece...

RS: É correto premiar o filho quando ele faz algo certo?
IT: O filho merece tem, não merece não tem. Não importa. Cumpriu a tarefa? Tem. Não cumpriu? Não tem. Agora, tarefa não se premia não! Tarefa é obrigação. Porque se a gente premia a tarefa, daqui a pouco ele não faz nada porque não ganha nada... Você pede, ele não faz, e ainda diz “não ganho pra isso”.

RS: Castigo resolve?
IT: Não. Se castigo resolvesse todos os filhos seriam maravilhosos porque eu nunca vi uma criança que não tenha sido castigada. O que educa é corrigir o erro na base da consequência. Todo mundo fala: “errar é humano” ou “errando é que se aprende”. Isso é mentira. É corrigindo o erro que a gente aprende. Se não aprender, tem que aplicar consequências. Mostrar o que ele provocou por não ter feito algo. Então vai corrigir pra não fazer outra vez. Temos uma coisa que odiamos: corrupção, desvio de verbas... coisas que horrorizam, mas onde isso começou? Dentro de casa! Quando o filho de 6 anos pega dinheiro pra comprar lanche e vai lá e compra figurinha... Chega em casa e os pais ainda ajudam a colar no álbum! O que aconteceu? Os pais endossaram o desvio de verbas! Ele usou o que não podia. O dinheiro era para o lanche e não pra ele gastar com figurinha...

RS: O que pais devem fazer nessa hora?
IT: Devem dizer: “olha, você errou filho e você vai, durante uma semana, levar lanche de casa. Na próxima semana, a gente tenta outra vez. Se você acertar, aí vai ganhar dinheiro pro lanche, se outra vez gastar com o que não deve, vai ficar mais uma semana levando lanche de casa e ponto”. Ele aprende. Porque, caso contrário, depois sai de carro para ir até a padaria e dá volta pela cidade. Abusa do que não é dele. E quem ensinou??? Não adianta só o pai falar. Tem que ensinar. Filho faz o que aprendeu. E como aprendeu? Vendo!!! A transgressão é fácil. O “jeitinho” que se conseguem as coisas, a criança vê. A criança faz o que vê. Se o pai vai ultrapassar alguém no trânsito, ofende e xinga, pode estar certo de que a criança ali atrás já está com ódio do outro. É isso que ele está ensinando. Daí não adianta dizer que não pode xingar... Acha que por falar corrigiu o erro? Ele que não fale palavrão, ele que mostre o bom exemplo!

RS: Gritar resolve?
IT: Se gritar resolvesse, crianças seriam ótimas. Não tem mãe que não grite e nada irrita mais um filho do que uma mãe gritona! O pai é um trovão, filho não aguenta! Fale só uma vez. Se entendeu, entendeu. Se não entendeu, vai sofrer as consequências de não ter entendido para aprender a entender. Por exemplo, vou chamar você pra jantar e quero que você desça. Se não vier, vou fechar tudo e quando você quiser você vem, esquenta sua comida e deixa a comida em ordem, como encontrou. Caso contrário, não vai dormir. Aí ele (o filho) vem depois pra testar... Daí a mãe acaba fazendo miojo! Pra que fazer miojo???? Ele que se vire, ou então vai dormir sem comer. Se ele comeu, deixou bagunça na cozinha e foi dormir acorde ele com uma gotinha de água na testa e diga que só vai dormir depois que arrumar a bagunça! E deixe sem dormir uma noite. Isso não é castigo, é consequência. Se ele arrumar, pode dormir. Se não arrumar, não pode. Castigo é quando a gente dá uma surra que não tem nada a ver com arrumar ou não a cozinha.

RS: Tem que ter regras?
IT: Sim. Vai ter hora pra comer e se não veio fica sem comer. Ninguém morre por isso. O que eu acho é que isso não é excesso de amor, é moleza de pai e mãe. Seja firme uma vez e acabou. Ninguém gosta de dormir com fome!

RS: Quais são seus conselhos para prevenir o uso de drogas?
IT: A adolescência é um segundo parto. É nascer da família de criança para dar passos sozinho. Dentro da família, existe a ordem dos pais, ele recebe um sobrenome. Na adolescência, quer o nome dele, o apelido, vai atrás de identidade própria. E neste caminho, faz coisas boas e ruins. O acompanhamento dos pais vai selecionar o que é bom e o que não é bom. O que ele faz na rua, traz pra casa. Um bom exemplo é comparar com o piolho. Por melhor lugar que filho frequente, ele pode voltar com piolho. E não é porque pegou num bom lugar que vamos aceitar ter piolho em casa. Piolho significa um comportamento que eu não aceito e eu combato em casa! Se chega ele diferente e eu fico quieto, eu estou autorizando que ele traga para casa coisas erradas. Antigamente, achava-se que quem usava drogas tinha problemas. Hoje não é assim. O adolescente não tem problema, tem é curiosidade. Experimenta a droga. E a droga se experimentada, já altera a química na primeira experimentação. Você pode querer fazer outra vez se for gostoso porque cérebro está acostumado a repetir o que é gostoso. Então tem pessoas que tem que saber que droga é gostosa, mas não é para experimentar nem pra usar! Mas aí ele experimenta e diz “a vida é minha”. A vida não é dele não! Ele ainda está na fase que depende dos pais! Os pais assinam coisas. Se vier com este comportamento, os pais têm que combater. Pais sendo frouxos, vão piorar a situação. Se a gente não sabe o que fazer, então aprende uma coisa: se não sabe, vamos estudar para ver o que é! Temos que ter a posição de aprender sempre. Pais têm obrigação de, se não souber, partir para saber.

RS: Como combater as drogas?
IT: Basta não concordar, não endossar e não permitir. Não se usa drogas, assim como não se mata. Se você usar, vamos tomar medidas. Primeiro, vamos cortar suas saídas. Se ainda assim continuar, vamos cortar outras coisas. Aprender com a conseqüência desde pequeno. Você (filho) está decidindo que não pode sair porque abusou da sua liberdade. Só que tem que manter. Não pode abrir brecha. Não vai sair e ponto. Ou se estabelece limites fundamentais ou este país não vai mudar nunca!

RS: Tem pai que diz que vai deixar experimentar em casa, até álcool...
IT: É, dependendo da dose... quando altera o corpo, aí faz mal. A pessoa que bebeu uma vez... bebida é depressiva, deprime o controlador das vontades. A pessoa não consegue controlar a vontade de beber e passa do ponto. Tem pessoas que não podem beber porque passam do ponto. As que passam do ponto não podem beber. Temos que aprender a beber e tem que ser pouco. Não dá pra comparar bebida com droga. Mas o uso inadequado ou exagerado da bebida é droga sim. Quem bebe e dirige provoca problemas: se não morrer vai matar! Quanto mais beber, mais chance de acontecer tragédia. Pode ser fatal. As pessoas têm que se prevenir. Há 27 anos fui ao Japão com meus filhos e lá percebi que à noite tinha os japoneses que ficavam na cidade trabalhando. Eles saíam para beber e sempre tinha um bêbado e, o outro, quietinho esperando. Era um trato. No dia seguinte, era o outro que podia beber. Trouxe essa idéia para o Brasil: um não pode beber - é o que vai dirigir e que vai tomar conta dos que bebem! Houve época que morriam adolescentes como formigas nas estradas...

RS: Como evitar “más companhias”?
IT: Más companhias é como a história da mesa. O filho faz parte do grupo, é o “comportamento piolho”. Se eu não aceito, não permito, não entra em casa. Sair com essa turma? Não vai sair!!! Tem que ser desde o começo. Para os pais terem autoridade quando falam. É preciso nunca ceder quando uma decisão tiver sido tomada.

RS: É preciso estar sempre alerta?
IT: Sim. Basta acompanhar. O maior crime é dar celular pro filho ir para balada e daí filho não atende o telefone... Os pais ficam preocupados. Daí ele aparece de madrugada e o pai diz: “ai meu filho, ainda bem que você está vivo”. Que nada!!! Ele merecia uma “porrada”! Como, vai judiar do pai por não atender o telefone?? Diga: “você não vai mais sair porque vai ficar sem telefone. Vai ficar aí porque não é justo o que fez com a gente: não nos atendeu”. E não deixa sair uma semana. Como a idéia não é castigar, mas que ele aprenda, então: “Você quer sair? Vai sair, mas com uma condição: vai sair sem celular e vai ligar pra casa de uma em uma hora. Aí pode sair.” Porque em uma hora, qualquer droga que se use, você percebe por telefone. Por isso, os pais têm que estar atualizados. É mais importante buscar o filho na festa do que levar. Buscar dá trabalho, pegar o filho de fogo, é complicado. São as comodidades dos pais que facilitam vida do filho para que usem drogas. Há 18 anos escrevo livros para levar essas dicas aos pais. Um pai pode mudar o rumo dos filhos. Quem tem que orientar os filhos são os pais. A vida toda é um parto. São vários nascimentos ao longo da vida. Quando um parto vai bem, os outros também vão bem. O verdadeiro parto não é biológico: é o da independência. Começa quando se aprende a andar. Nesta fase, vai cair mesmo. Um parto bem feito é reconhecimento da capacidade. Mais tarde, vai ter que enfrentar o mundo sozinho. Pai não pode trazer nada pronto.

RS: Como o casal deve agir com os filhos?
IT: Acho que a mãe deveria trabalhar um pouco mais este lado porque ela não facilita. Ela está lá, cuidando dos filhos e diz pro marido “bem, me ajuda????” O quê??? Que ajuda nada!!!! Ele tem a parte dele na educação dos filhos. Isso não é ajuda para mulher. É obrigação de pai. Mas tem que ensinar o homem a fazer porque cérebro masculino é diferente do feminino. Com 3 filhos o pai fica louco, manda todo mundo ficar quieto, não consegue acompanhar. Homem é assim. Já a mulher consegue olhar os 3 fazendo coisas diferentes ao mesmo tempo e ainda falar no celular, comandando tudo, prestando atenção em tudo. Então é mesmo diferente. Por isso acho que para o pai é difícil chegar ao mesmo nível que a mulher que é mãe. Ele tem que ser pai, tem que saber ficar sozinho com os filhos pequenos. Mas hoje isso já está mudando. Uma coisa que antes nem se pensava era ver um pai trocar fralda. 50 anos atrás, pai só conversava com os filhos quando eles já falavam. Antigamente então, só quando crescia. Agora o pai já entra na sala de parto, corta cordão umbilical... Olha que evolução!!!!
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Agora queremos saber a sua opinião! Qual a melhor maneira de colocar limites nos filhos? Existe receita?  Você concorda com a opinião do entrevistado? Aguardamos os seus comentários!

E para quem ainda não viu o Papo de Mãe sobre Limites, amanhã (terça-feira) ainda tem mais uma reprise às 17h30. Não perca!!!

20 comentários:

Sílvia disse...

Muito boa entrevista, parabens! Logo mais eu volto para comentar!

Juliana disse...

Adorei a entrevista. parabéns por colocar de um modo objetivo e prático com muito bom senso.

Clarissa disse...

Gostei da parte que o Içami Tiba fala "não é excesso de amor que deseduca. O que deseduca são os excessos que os pais cometem quando fazem pelo filho o que ele é capaz de fazer". Isto é a mais pura verdade! Quantas vezes eu mesma me pego fazendo pelo meu filho coisas que ele já está apto a fazer? Outra verdade que ele fala é que não podemos cobrar um comportamento "X" dos nossos filhos se nós nos comportamos de maneira "Y". Afinal, nós somos os exemplos e os filhos vão repetir o comportamento dos seus pais, queiram eles ou não. Esta entrevista está excelente. Ainda não li o livro, mas já fiquei com vontade de comprar.
Parabéns Mariana, Roberta e Rosângela!
Beijos
Clarissa

Amanda & Meninas disse...

Adorei a entrevista, preciso seguir vários conselhos dele. A última pergunta tem um pedaço fantástico: "Com 3 filhos o pai fica louco, manda todo mundo ficar quieto, não consegue acompanhar. Homem é assim. Já a mulher consegue olhar os 3 fazendo coisas diferentes ao mesmo tempo e ainda falar no celular, comandando tudo, prestando atenção em tudo. Então é mesmo diferente. Por isso acho que para o pai é difícil chegar ao mesmo nível que a mulher que é mãe". E vivam as mães. Sucesso pra vcs!!

Roberta disse...

Pessoal,

Obrigada pelos comentários. A entrevista da repórter Rosângela Santos com o Içami Tiba está mesmo ótima. Eu também preciso seguir vários conselhos dele.

bjs,
Roberta Manreza
apresentadora

sandro@maxpreel.com.br disse...

Dr Içami Tiba, no caso de uma criança não cumprir com um dever, ou então com uma necessidade imediata, qual a melhor conduta
visto que a tentativa de premiar ou oferecer algo em troca não é a mais aconselhada? O que o senhor acha de restringir então algo da criança? Em que circunstâncias e que tipo de restrição?

jacke disse...

Parabéns!!!Adorei as dicas. Tudo foi muito bem explicado. Gostei da forma objetiva como o tema foi abordado.
Precisamos muito impor limites em nossas crianças, pois talvez seja a única forma de garantir uma sociedade melhor no futuro.

dani369 disse...

Gostei muito do que Içami disse.
Trabalho como professora e noto a realidade do que comentaram.
Parabéns pelo programa.

Siliany disse...

Olá, meu nome é Siliany Gleise, tenho um filho de 11 anos. Adorei o Site papo de mãe e a entrevista sobre limites com Içami Tiba é de grande valia para nós mães. Gostaria de sugerir um novo tema para que fosse abordado pelo próprio Içami Tiba, se possível. convivência entre filhos e madrasta e padrasto, meu filho tem uma madrasta de origem oriental,o pai se casou fez uma festa para quase 300 pessoas e nhão convidou nosso filho para o casamento, ele ficou muito magoado.A esposa dele é extremanente egoista e meu filho só reclama dela quando chega em casa, na frente do pai ele não diz o que pensa e o que sente, pq o pai não admite que fale. É bem complicado, já levei meu filho para fazer terapia,mas ele não quis ir mais. Outro tema interessante é pensão alimenticia. Falar em pensão alimenticia com o pai do meu filho é um dilema mês a mês. Que horror! rsrs Gostaria muito de não precisar da pensão dele. Meu msn é silianyg@hotmail.com.. beijoss

thaynara disse...

o que fazer quando a mae de um menino de 15 anos nao quer deixar namorar mesmo sabendo que ele e apaixonado pela namorada e sofre com isso, ate que ponto prejudica o garoto?

jania disse...

Parabéns pela entrevista com Dr. Içami sobre limites, gostei muito das orientações, pois amo muito meus filhos (3 meninos, de 16,12 e 8 anos), mas sou durona quando digo é não e jamais volto atrás, avalio antes a situação, pois depois de tomar uma decisão não volto atrás. Também procuro ser uma mãe presente, acompanhado sempre.

Laudiceia Rodrigues disse...

Adorei o site. Acompanho o trabalho do Dr Içami Tiba a tempos, e mais uma vez, leio sabias palavras.

Parabéns pela sabia escolha de traze-lo para nos passar mais conhecimento.

Eurídisse Vergara disse...

Boa tarde, Dr Içami

Adorei a entrevista e são conselhos muito válidos.
Sou mãe de 3 filhos e estou separada a 7 meses. Estou a enfrentar problemas com o meu filho de 11 anos. Ele sempre foi rebelde mas obediente. Mas por causa dos problemas que eu tinha com o pai dele, foi ficando pior. Como casal sempre tivemos problemas com a educação dos nossos filhos, eu achava que era conversando que nos entendíamos e o pai só queria dar ordens, bater, e nem dava espaço para se aproximarem dele.
Agora com a separação, está dificil de controlar o meu filho. Não obedece e refila por tudo e por nada, agride muito a irmã mais nova que tem 5 anos. E quando falo para o pai, ele ainda me culpa por causa da separação.
O pai faz de tudo para eu me sentir culpada. Até diz que filhos de pais separados nunca vão ser alguém na vida.
Estou preocupada com o meu filho, que um menino inteligente, mas tenho medo que se perca por não ter a devida atenção do pai.

Anônimo disse...

Muito esclarecedora sua entrevista. Sou educador e percebo, dia após dia, que a falta de limites é o vilão de todas as espécies de mau comportamento em sala de aula. De fato, a educação tem que iniciar no âmbito familiar. Parabéns pelo trabalho aqui exposto.

Adriana Costa disse...

Adorei essa entrevista com Içami Tiba, pois nos estamos em constante aprendizagem. Tenho um fulho de 2 anos e tento abisorver todas as informaçoes possíveis que possa me ajudar a educa-lo.

Francielle disse...

Li o livro Pais e Educadores de Alta Performance,com certeza através de leituras como essa, desenvolvemos maior competência na criação dos nossos filhos.Todo pai e mãe devem buscar maiores informações e diretrizes nos dias de hoje,pois a dificuldade de se criar um filho tem sido maior com o passar dos tempos.Agradeço a programas como Papo de Mãe que é frutífero em suas reportagens.

Iracy disse...

Nossa! Gostei muito dessa entrevista. Tenho um filho de 4 anos e pra falar a verdade ando meio perdida...essa entrevista contribuiu muito para eu ver em alguns pontos como devo agir, obrigado!

Luiz Antonio disse...

Fico extrememante gratificante em ter pessoas que se preocupam alem de nos pais, com a educação de filhos. Pois no mundo em que vivemos atualmente a educação e a responsabilidade pelos menores esta cada vez mais dificil. Eles acham que por ser menores nada vai lhes acontecer. Somos pais e queremos o melhor para nossos filhos, mas o entendimento deles é que nos somos obstaculos em suas conquistas (amizades e vitórias). Tenho cinco filhos adotivos, cada um com pensamentos diferentes, estou passando uma perrenga com os mais novos 15 e 13 anos, eu e minha esposa trabalhamos, eles ficam sós, indo para o colégio e alimentação, precisamos muito de ajuda. Antigamente cabia a mãe (a qual não trabalhava) a educação dos filhos, hoje com marido e mulher no trabalho, tudo fica dificil. Acredito que o mundo esta em tamanha desorganização social, pela falta de pessoas (mães), as quais eram as que estavam diariamente participativas somente com a caa e educação dos filhos, compartilhando com o marido o remanescente da educação. Obrigado, Dr. por tudo que tem feito em prol da educação e respeito, tanto pelos pais e pelos filhos.

Luiz Alberto Tuginat disse...

Prof. Içami! gosto muito de suas opiniões psico-pedagógicas ! Sou avô de gêmeas de 2,5 anos. Seus pais não querem colocar em creches ou escolinhas pq acham cedo. Elas tem dificuldades de dividir com coleguinhas os brinquedos da idade e brigam. Corrigem-nas chamando atenção de forma constrangedor com castigos na frente dos coleguinhas! Após, elas ficam tão nervosas e irritadas que não aceitam a companhia de ninguém, mesmo dos avós que sempre lhes dão carinho, andando por todos os lados ,falando sozinhas ou até cantarolando, chamando a si a atenção pela sua contrariedade. Como avô fico impotente mas vendo o estado emocional da netinha, tentando se recompor da forma humilhante que foi corrigida! Os pais estão agindo corretamente? O que posso fazer?

Milene Galvão disse...

Eu tenho um companheiro e ele tem 4 meninas q moram com ele. A mais velha está dando "problemas" - porque é adolescente!
E ele é um CABEÇA DURA como ele só!
Tô cansada de falar as mesmas coisas com ele e faz q não me ouve!
Concordo sim com o Içami Tiba: Criança tem que ter limites sim! E tb o adolescente...
Adorei e compartilhei!

bjos garotas!