Toda Quinta,18h30
Reprises ao longo da semana
na TV BRASIL


sábado, 28 de novembro de 2009

Consumismo infantil, um problema de todos

Oi, gente!
Tudo bem? Que tal o programa sobre Consumismo? Tema importante... Afinal, que família nunca passou por algum aperto na hora em que o filho teima em querer alguma coisa? Pois é, mais um assunto interessante que o Papo de Mãe trouxe para vocês! Quem perdeu o programa de quinta, ainda tem mais 3 chances para assistir: no domingo (29), às 13h30; na segunda (30) às 12h30; e na terça (01), às 18h30, na TV Brasil. Imperdível!!!
Mas antes de entrar no assunto da semana, gostaríamos de fazer um convite a todos. Para quem ainda não sabe, o Papo de Mãe é um programa gravado. A equipe entra no estúdio, mais ou menos, a cada 40 dias e grava uma sequência de 6 novos programas - todos com temas diferentes! Os próximos assuntos serão os seguintes: 1) atividades infantis; 2) literatura; 3) mãe após os 40 e tratamentos para infertilidade; 4) crianças desaparecidas; 5) animais de estimação; 6) filhos prematuros. E nós queremos convidá-los a participar!!!
No caso da gravação no estúdio é preciso estar em São Paulo. Mas para quem não reside aqui, existem outras formas de participar. Vocês podem mandar RELATOS para serem lidos durante o programa, PERGUNTAS para nossos especialistas e até DEPOIMENTOS EM VÍDEO (de até 30 segundos) contando suas experiências! Para isto, basta escrever para
contato@papodemae.com.br e falar com a gente! Ah, e aqui no blog vocês também podem fazer isto, além de comentar os programas e as matérias publicadas. Enfim, o espaço é todo de vocês e a colaboração de todos é muito bem-vinda!!!

Sobre Consumismo - tema da semana - trouxemos um texto bem interessante. A fonte é o site do INSTITUTO ALANA, uma organização sem fins lucrativos que, desde 2005, mantém o Projeto Criança e Consumo, cuja intenção é debater assuntos importantes no universo infantil como o consumismo, a erotização precoce, a obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo e o desgaste das relações sociais, buscando identificar maneiras de minimizar os seus impactos no jovens. Vocês podem encontrar maiores informações sobre o instituto e sobre o projeto no endereço eletrônico: http://www.alana.org.br . Vale a pena conferir!


Consumismo infantil, um problema de todos


Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou umas das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconseqüente. As crianças, ainda em pleno desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves conseqüências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De pais e educadores a agentes do mercado global, todos voltam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas, alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes é praticamente imposto.
Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado. Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006, categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento, esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa informação com o fato da criança brasileira passar em média quatro horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também foi identificada como uma forte influência.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à idéia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e freqüentes, foi porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto, é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de forma inconseqüente e desenvolvem critérios e valores distorcidos são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.
O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
Fonte: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.aspx


Para terminar, a DICA DE HOJE é o programa PARATODOS. Neste sábado (28), o programa vai revelar os bastidores da filmagem “Sonho de Titia”: uma história de amor vivida em Campo Limpo, escrita por um morador desse bairro. O filme faz parte do projeto Curtas de Bairro, que valoriza o talento de escritores da zona sul da capital paulista. No quadro “O que eu faço agora?”, o cinéfilo Fábio Amarante mostra o seu trabalho e sonha em vê-lo no cinema. Em outra reportagem, Letícia Ottomani vai até Piracicaba, interior de São Paulo, conhecer a arte da região. A cidade é uma das maiores produtoras de açúcar do Brasil. Lá, o que sobra da cana vira artesanato e a história da cidade vira versos e rimas. O apresentador Big Richard foi a Salvador ver de perto a história desta cidade que há 45 anos ganhou o primeiro teatro independente da Bahia. E para encerrar, Paratodos apresentará café com bolinho de chuva. Um casal especialista nesta popular combinação é a atração do quadro “Gostinho Bom” do programa. O Paratodos é exibido todo sábado, às 19h30; com reprise na quinta-feira, às 18h.

Tenham todos um excelente final de semana!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Bullying e Justiça Restaurativa

Olá, pessoal!
Dando prosseguimento ao papo sobre bullying, trouxemos um artigo muito bacana sobre Justiça Restaurativa. Trata-se de um mecanismo de solução de conflitos que foi mencionado no programa pela pedagoga Maria Stela Graciani e que vem sendo uma ótima ferramenta no combate à violência no ambiente escolar. O texto é de autoria de Juliana Kunc Dantas, para quem, desde já, agradecemos a colaboração. Confiram e comentem!

Direito ao Diálogo
Por Juliana Kunc Dantas


Basta ligar a televisão para, praticamente todos os dias, ver vídeos que mostram brigas entre jovens no ambiente escolar. As cenas são realmente chocantes e despertam angústia, sentimento de impotência diante da situação.
Diariamente, pelo menos 100 dos 5.400 colégios da rede estadual em São Paulo denunciam casos de violência à Secretaria de Educação. Desde ofensas verbais até agressões físicas. Inclusive contra professores e funcionários.
Sou formanda do 4º ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero e, como qualquer cidadão, estou inquieta com este estado das coisas. Escolhi, ao lado da aluna Gabriela Forte, produzir o nosso Trabalho de Conclusão de Curso em formato de programa de reportagens especial para televisão. Chama-se Direito ao Diálogo. O tema é a Justiça Restaurativa. O nome, à primeira vista, pode assustar. Parece algo burocrático, que foge da prática. Mas é só se aproximar para ver que é um sistema que, efetivamente, coloca a mão na massa.
A Justiça Restaurativa nasce em alguns pontos do mundo, como Canadá e Nova Zelândia, há cerca de quarenta anos. Mas, no Brasil, surge em 2005. Por enquanto, o foco principal é a Justiça Juvenil. Os projetos ainda são pilotos, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e em Brasília. A ideia é que vítima e infrator sejam colocados frente a frente para que, por meio do diálogo, resolvam um determinado conflito. O facilitador é um profissional capacitado para apenas mediar a conversa. No ambiente em que acontece este encontro não fica presente nenhuma figura autoritária, como o diretor de um colégio ou um juiz. Isso porque, de acordo com o sistema restaurativo, a presença hierárquica impediria que o diálogo fluísse naturalmente. Além disso, são convidados membros da comunidade diretamente envolvidos no conflito (pais, mães, outros alunos etc). Não há nenhuma espécie de julgamento. O foco é a responsabilização de quem cometeu o ato e a compreensão daquela ação, e não a culpabilização. Este encontro é chamado de círculo restaurativo. O nome não é só por conta de como se organiza o espaço. É também um ambiente de poder compartilhado.
Não entendíamos como práticas dialógicas poderiam se descolar da utopia, como poderiam ser efetivas. Mas as histórias que conhecemos sobre perdão e entendimento humano são irrefutáveis. A prática restaurativa se coloca oposta à Justiça Retributiva, que há muito só tem agravado problemas suficientemente sérios. Com frequência, as penitenciárias recrudescem o estado do cidadão que é preso e, recorrentemente, geram novas modalidades de crime. A sociedade, em confusa revolta, passa a gritar por lugares comuns lamentáveis que urgem pela diminuição da maioridade penal, pela pena de morte etc. Além disso, o dado mais recente do ICJ Brasil, que mede a percepção do brasileiro em relação à Justiça são preocupantes. A cada dez brasileiros, sete não confiam na Justiça brasileira e 64% da população não acreditam que o sistema atual tenha a capacidade real de resolver conflitos.
A Justiça Restaurativa mostrou-se, para nós, não um remédio milagroso, mas uma saída para muitos dos problemas de violência que estão instalados no Brasil.
Fomos à Escola Estadual Professora Salime Mudeh, na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo. Este colégio foi um dos pioneiros a abraçar o projeto Justiça & Educação – uma parceria do sistema judiciário e da Secretaria de Educação. Embora o projeto ainda esteja em fase embrionária, os resultados atingidos no Salime Mudeh são impactantes: 100% de não-reincidência. Ou seja: todo aluno que passou pelo círculo restaurativo nunca mais voltou a transgredir as regras escolares.
Alguns casos, em outras escolas, seriam passíveis de advertência, suspensão ou, até mesmo, de expulsão. Contudo, com a presença deste olhar diferente da Justiça Restaurativa, o Salime Mudeh dá conta de resolver seus próprios problemas.
Há uma história muito interessante de uma aluna, hoje no Ensino Médio, que calcula já ter passado mais de 100 vezes pela sala da diretoria, sempre por falta de disciplina escolar. Até que um dia se envolveu em uma briga física com colegas de classe. Desde que teve a oportunidade de passar pelo encontro restaurativo, há dois anos, a estudante conta que mudou da água pro vinho. “O círculo pra mim é: tudo se resolve numa conversa. Depois que eu participei do círculo eu evito alguma confusão”, conta. “Sempre quando alguém implica comigo e a pessoa fala ‘Vai lá! Tira satisfação!’, aí eu lembro: eu não! Pra que vou tirar satisfação? Já participei de um círculo restaurativo, já sei como é... Discutir não leva a nada!”, ensina. A menina lembra que antes nem levava caderno pra escola. A ideia era mesmo ir pra bagunçar. Depois do círculo, as notas vermelhas se azularam. A garota, hoje, já tem planos até pra quando se formar: quer ser técnica de enfermagem.
A diretora da escola Salime Mudeh, Nilma Figueiredo Gaspar, explica que mudanças como esta só acontecem porque o aluno é acolhido. Ela diz que o objetivo é evitar que os problemas escolares se agravem. “Quando eu coloco o aluno pra fora da escola, eu estou contribuindo para que ele se marginalize mais. Porque se punição desse certo, se botar fora da escola desse resultado satisfatório, não teríamos a Fundação Casa com tantos problemas, né?”, elucida. “Uma coisa que me preocupa e eu sempre discuto muito com a minha equipe: todos aqueles que lá estão passaram pela escola.”, diz.
O inglês Dominic Barter é um dos principais responsáveis por esta perspectiva de compreensão e entendimento humano ter chegado aqui no país. É dele a concepção de círculo restaurativo, o método mais usado no Brasil para a resolução de conflitos por meio da Justiça Restaurativa. “Temos este sonho de que a escola fale como algumas escolas dos municípios que a gente já trabalha, já começaram a falar: ‘Sim, aqui tem Matemática, aqui tem Português, aqui tem Química e aqui tem um sistema restaurativo.”


---
A T E N Ç Ã O ! ! !
Nossa equipe entrará no estúdio para gravar novos programas e queremos contar com a participação de todos vocês!
Enviem relatos sobre suas experiências para serem lidos no programa, perguntas para nossos especialistas ou  participem de uma gravação (caso estejam em São Paulo).  Escrevam nos comentários abaixo ou  enviem para: contato@papodemae.com.br.
Os assuntos abordados serão os seguintes:
- atividades infantis
- literatura
- mãe depois dos 40 e tratamentos para engravidar
- crianças desaparecidas
- animais de estimação
- filhos prematuros

Contamos com vocês!!! 
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

PS: Quem não teve a oportunidade de conferir o programa de estreia do Papo de Mãe, cujo tema foi PARTO, pode assisti-lo por meio do youtube. Visite nossa página: www.youtube.com/user/papodemae ou acesse pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=HQ6Qdea82KY

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bullying: entrevista com Mauro Godoy

Olá, pessoal!
Vocês sabem o que é BULLYING? Pois este foi o tema do Papo de Mãe desta semana. O Bullying consiste na prática de atos de violência física e/ou psicológica, intencionais e repetitivos, que ocorrem dentro do ambiente escolar. O termo vem da palavra inglesa bully, que significa “valentão”. As vítimas são, normalmente, ridicularizadas perante seus colegas por um ou mais indivíduos. Dentre as práticas mais comuns estão os apelidos maldosos e ofensivos, a humilhação, a discriminação, a exclusão, a intimidação, a perseguição e a agressão física. Uma variação do bullying que tem se tornado comum hoje em dia é o chamado cyberbullying, que nada mais é do que a prática de todos estes atos realizados por meio da internet. Além dos alunos, os professores também podem ser vítimas deste tipo de violência,  sendo esta uma das maiores causas do elevado índice de desistência da profissão.
No mundo inteiro, o bullying é uma grande preocupação. Segundo a ONG internacional PLAN, que atua pelos direitos da infância, 70% dos estudantes brasileiros são vítimas de violência escolar. E, no mundo todo, cerca de um milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas todos os dias.
No Brasil, um estudo da UNESCO feito em catorze capitais revelou que entre os estudantes que têm arma de fogo em casa, 70% já levaram a arma para a escola. E que 47% dos professores já sofreram agressões verbais. Este estudo revelou ainda que a violência tem impacto decisivo no aproveitamento escolar, sendo ela uma das principais razões da evasão escolar.
A situação também preocupa as autoridades. No Estado de São Paulo, por exemplo, as escolas públicas receberam um manual contra o bullying no início do ano letivo. A cartilha está sendo usada por diretores, coordenadores pedagógicos e professores. A ONG Safernet Brasil, que tem o objetivo de defender e promover a educação e os direitos humanos na internet, também elaborou uma cartilha que pode ser encontrada no site http://www.safernet.org.br/.

Fiquem agora com a entrevista concedida pelo psicólogo e antropólogo Mauro Godoy para nossa repórter Rosângela Santos.
RS: Que problemas o Bullying pode trazer?
MG: Traumas muito fortes, complexo de inferioridade. Quando a pessoa apanha de fato, quando vira “saco de pancadas” do grupo muito cedo, a pessoa tende a assumir que é a pior, perseguida, presa fácil. Mas esta situação deve ser vigiada, controlada e evitada.
RS: O que devem fazer os pais?
MG: Como a gente vive num mundo em que as regras devem estar acima, os pais devem exigir da escola (ou do outro lugar onde está criança) que haja controle sobre isso. Esta exigência tem que ser forte. Tem que explicar para o filho que isso pode acontecer e ensinar a criança a se defender. Se a criança ataca e não acontece nada, então a outra tem que se defender. Isto, psicologicamente, desenvolve garra, força e auto preservação. Quem evita 100% a violência desenvolve síndrome do pânico, fica passivo e mais sujeito aos ataques do que pessoa que sabe se defender.
RS: O bullying retrai? Quais os sinais de alerta para os pais?
MG: Se você vê seu filho catatônico, travado, congelado, sob pressão ou com paranóia é sintoma de que algo está acontecendo. Alguém está acuando seu filho. Se ele não é do tipo que fala, talvez esteja repetindo o comportamento dos pais que também não falam. Como mãe e como pai você esconde? Então seus filhos vão esconder também porque eles imitam os pais. Mas a partir daí procure vasculhar. Ir até a escola e observar comportamento do seu filho com outras crianças... Câmeras na escola são uma importante prevenção ao bullying.
RS: O bullying pode ter consequências graves?
MG: Sim. Síndrome de perseguição, paranóia, síndrome do pânico. A pessoa convive com o medo. E isto se torna neurose. E quando essa neurose se manifesta, a pessoa fica histérica, com medo de ter medo. Isto é sintoma de síndrome do pânico!

É isso, gente, o assunto é muito sério! Vamos dizer NÃO ao bullying!!!

E o próximo programa vai tratar sobre Consumismo. Como educar os filhos numa sociedade consumista como a nossa? Será que existe saída? Descubra no  Papo de Mãe  desta quinta (26), às 18h30, na TV Brasil. Reprises no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30).
---

ATENÇÃO!!! Em breve, a equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar novos programas. Os temas serão os seguintes:
- Atividades infantis
- Literatura
- Mãe depois dos 40 e tratamentos para engravidar
- Crianças desaparecidas
- Bichos de estimação
- Filhos prematuros
Quem estiver em São Paulo e tenha interesse em participar escreva para contato@papodemae.com.br. Enviem também relatos sobre suas experiências para serem lidos no programa e perguntas para nossos especialistas.
Obrigada pela audiência! Contamos com a participação de todos!
Um grande beijo,
Equipe Papo de Mãe 

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bullying: entrevista com Rubem Alves

Olá a todos!!!
Gostaram do programa de hoje? Perceberam que mesmo sendo um assunto muito sério - BULLYING - o clima é de total descontração no estúdio? Pois esta é a proposta do programa: abordar sempre um tema relevante envolvendo o universo familiar,  mas com a leveza e a informalidade de um papo entre mães (ou  pais, tios, avós...). 
Fiquem agora com a entrevista feita pela repórter Mariana Verdelho com o renomado professor e educador Rubem Alves. Para ele, o problema da educação de hoje é que as perguntas não são respondidas para as crianças, e sim para os adultos... Vejam o que mais ele tem a dizer e a nos ensinar!


MV: Qual sua opinião sobre a violência no ambiente escolar?
RA: A violência é generalizada. O interessante é que, em todas as instituições, onde há um grupo com poder absoluto, a violência aparece. Pode ser partido político, convento, associação de prostitutas... Qualquer organização, se tiver monopólio, a violência aparece. E no caso das escolas, não só as crianças sofrem, mas os professores também sofrem muito. Embora eles não saibam, eles são os culpados involuntariamente. Os professores estão envolvidos demais naquilo que eles chamam de “grade curricular”. Aliás, já brinquei que esse termo foi inventado por carcereiro desempregado... Os professores estão “engradados” naquilo e os alunos também. Porém, os alunos não têm interesse. Será que um adolescente de 14 anos, da periferia, vai se interessar por análise sintática? O que tem a ver com a vida dele? Os alunos, quando envolvidos em coisas que fazem sentido para eles, são extraordinários. Eles querem fazer alguma coisa que dê sentido, que envolva ação. Ficar sentado na cadeira o dia inteiro é contrário à psicologia das crianças e dos adolescentes.
MV: Então a escola tem culpa?
RA: Na escola você pensa português. Toca campainha. Pensa matemática. Toca campainha. Pensa história... Isso é uma violência com cabeça da gente. A cabeça não funciona assim. Você não pode dizer para cabeça “pense isso, pense aquilo”. Obrigar a pensar... Imagina um problema de matemática... Você está lá e aí toca campainha. Você tem que parar de pensar na matemática e tem que pensar outra coisa. A organização da escola é muito parecida com organização de fábrica: todas as crianças são iguais, tem interesses iguais, aprendem as mesmas coisas, no mesmo tempo, mesma velocidade... Só que aí você vê um problema sério: a integração das crianças. Não gosto de eufemismos como “portador de deficiência”. Esse negócio de “portador”... Quer dizer que eu não sou deficiente, a minha deficiência eu carrego numa bolsinha pendurada no meu dedo? É deficiente mesmo. Aquele que não tem uma perna, que tem o QI baixo... E você colocar uma criança com deficiência junto com outras é mesma coisa que colocar um corredor com uma perna só no meio de outros que tem 2 pernas. Ele não tem jeito de acompanhar os outros e isso cria um problema sério. Mas a escola não prevê isso. Quer dizer, a questão de integrar não é só botar lá dentro. A forma que a escola funciona não é uma forma que possibilita a aprendizagem de uma criança e de um adolescente deficiente.
MV: Quando você inclui é que surge a gozação?
RA: Surge aquela coisa terrível que é chamada bullying. Não existe expressão em português para isso. Bullying em inglês é o valentão. Aquele que tem prazer vendo o sofrimento dos outros. Não é aquela briga normal - porque briga na escola é normal. O bullying é uma coisa sistemática. Todo dia tem uma tortura. Pode ser física, como em casos dolorosos que envolvem a vida das pessoas, ou então a simples caçoada. Os professores são vítimas também. Para resolver este problema ele precisa ser um professor especial. Não é o durão, não. É o que desperta admiração dos alunos.
MV: E estes professores estão em falta?
RA: Completamente em falta. Os professores entram em briga com alunos e não sabem o que fazer. Ontem, eu estava conversando com uma professora sobre uma experiência que ela está tendo numa escola... Existem professores que praticamente apanham dos alunos porque faltam-lhes qualidade. Professor tem que ter qualidade e isto nasce com ele. Não é qualquer um que pode ser professor. Tem que ter carisma para estabelecer contato com os alunos.
MV: Onde começa a violência?
RA: Em casa. Há pais e mães que são extremamente violentos. Freud se preocupava com isso. Qual será o futuro da civilização com essa força da violência? Ele dizia que as duas grandes forças que movem a civilização são Eros (amor) e Tanatus (morte). Ele não sabia explicar por que as pessoas se enamoram com a morte. Por que tem prazer em ver o outro sofrer... Parece que os animais não têm este prazer. Os animais comem uns aos outros, mas não pelo prazer. Matam porque precisam para comer. Os seres humanos não matam para comer. É por prazer. Para afirmar sua potência. Agora, como é que você vai resolver esse assunto? Eu não sei. Acredito muito na figura dos professores.
MV: Essa violência na escola é mais recente ou sempre existiu?
RA: Para lhe dizer a verdade, eu não sei como era a violência entre alunos. Eu sei é que os professores, a escola antiga, eram muito violentos. Eu me lembro de um tio que descrevia a experiência dele... Os alunos que não sabiam as respostas, o professor pegava rapé, fazia cheirar e levava para palmatória. A escola era violenta, alunos eram vítimas, tinham medo. Isso de prestar atenção no aluno é coisa nova. O que se adotou no passado foi a violência, a ameaça como artifício pedagógico para os alunos aprenderem melhor.
MV: Este método não funcionaria mais hoje?
RA: Hoje, professores têm medo dos alunos. Então, não se atrevem a usar violência. Hoje, não é mais violência com régua, mas com a nota. Professor tem poder de dar a nota. Eu só sei de uma coisa: retaliação e ameaça não resolvem.
MV: E como acontece a violência hoje?
RA: Há líderes de vários tipos. Há o do bullying, que congrega o grupo dele, mas há outros líderes capazes de juntar alunos para fazer coisas. O professor deve ter sensibilidade para descobrir lideranças e trabalhar com elas questões importantes. Se der questões, os alunos colaboram. Eu tenho uma filha adotiva que está com 9 anos de idade. Mas desde os 7 anos, ela se queixa de um movimento natural das meninas de segregar umas às outras. Há um jogo permanente entre elas. Algumas são mais charmosas, as outras querem ficar com elas durante o recreio. Então elas escolhem quais vão ser as companheiras no recreio e exclui as outras. É um jogo muito perverso e ninguém precisa ensinar a elas como fazer esse jogo de perversidade. Elas aprendem não sei como. Só que ela sofre com isso. Um dia ela estava chorando porque uma das coleguinhas a recusou como companheira na hora do recreio... O que faz as pessoas serem assim? Não tenho a menor idéia, está dentro delas. Eu não sei qual é a maldade que existe no coração humano que faz com que ele tenha prazer em diminuir o outro. Talvez diminuindo outra pessoa ele tenha a sensação de que é maior...
MV: Como foi a sua experiência na escola?
RA: Sabe, eu sofri demais na escola. Eu fui muito objeto de discriminação porque eu morava em Minas Gerais e era um caipira. Lá na roça eu nem usava sapato. Mudei para o RJ e cheguei vendo os cariocas falando chiado e eu falando com sotaque caipira. Nunca tive um amigo. Nunca fui à casa de ninguém. Foi uma experiência de solidão total porque era a maneira que eu tinha de escapar, pois eu era diferente... As crianças não querem ser diferentes. O adolescente usa a moda, a grife. Todos têm que ser iguais... Sabe de onde vem a maldade? Na roça a gente aprende. Nos galinheiros, todos estão numa boa... Mas se você traz um frango novo e põe no galinheiro ele se torna objeto da bicada dos outros até que se cansem. Aí, ele é assimilado ao grupo e deixa de ser diferente. Quando vier o próximo, todos vão bicar, inclusive aquele que foi bicado um dia. Não há sociologia que explique isso...
MV: Existe falta de limites?
RA: Sim. Os pais não sabem estabelecer limites. Então, as crianças crescem sem limites. Certa vez, havia um casal com uma criança de uns 7 anos. O menino chegou e me deu um murro. Eu olhei para o pai e para a mãe esperando que eles fizessem alguma coisa, mas eles não fizeram nada. Então, eu me ajoelhei e disse “ah, eu também gosto muito dessa brincadeira de dar murro. Vamos brincar de dar murro? Você dá um murro aqui em mim e eu dou um murro aqui em você, pode dar.” Evidentemente, ele não deu (e se ele me desse é claro que eu não ia fazer nada). Foi um jogo que eu fiz. Mas o pai tinha que ter dito para o filho alguma coisa, porém não disse. Então, ele deu permissão para o menino fazer. O que acontece é que essas pessoas crescem sem sentimento de culpa... Sentimento de culpa é uma praga, terrível, mas se você não tiver, acaba sendo criminoso. Sentimento de culpa é se sentir responsável. É a base do sentimento, da moral, e os pais precisam desenvolver o sentimento saudável de culpa para as crianças desenvolverem consciência. A consciência é uma gotinha de culpa dentro de mim que diz assim “você não pode fazer isso. Se você fizer isso, você cria um sofrimento para outras pessoas”.
MV: Qual deveria ser o papel da escola?
RA: A coisa mais importante na escola - quem disse isso foi Roland Bart – é a “maternagem”... É assim... A mãe está na sala fazendo alguma coisa, trabalhando, lendo, fazendo tricô e a criança solta. A criança vem e sai. A mãe brinca um pouco... O importante é o espaço de liberdade e ausência de medo criado em torno da mãe. É uma presença que garante que espaço pode ser explorado porque está protegido. Agora, a escola ensina tanta coisa que não tem o menor sentido. Por exemplo: eu sei resolver a equação “–b+acnjhgzigfs”, mas não tenho a menor ideia para que serve... As crianças sabem para que serve o dígrafo? O menino me escreveu dizendo que a professora mandou grifar os dígrafos dos meus livros... O que é isso??? Eu não sei o que é dígrafo! O que eu vou fazer com dígrafo? Quem inventou isso? É irracional. Por isso que a criança pergunta “por que tenho que aprender isso?” E a gente não tem resposta... Se a resposta fosse “porque isso vai ajudar naquilo” a criança entenderia. As escolas precisariam ficar mais inteligentes. Já falei para os pais que, em vez de dar presente, comprem uma caixa de ferramentas. Isto é laboratório de física mecânica e a criança adora mexer!
MV: Os pais mimam os filhos com coisas?
RA: Sim, uma forma de se livrar do filho é mimá-lo. Você dá o objeto... Internet é importante, mas também pode ser uma forma de se livrar do filho. A relação do pai, aquela tão boa de ir com filho para cama e contar história. Não importa a história, mas sim a relação... Hoje, os pais tendem a terceirizar a educação. Você não faz a coisa, mas paga alguém para fazer. Você não educa, mas se sente bem porque paga escola cara. Ao fazer isso, não há mais relação. Há um problema porque os pais não sabem o que é educação. Acham que educar é fazer passar no vestibular...
MV: O senhor escreveu um livro...
RA: Escrevi um livro sobre a Escola da Ponte em Portugal, uma escola fantástica. Não tem professor, não tem aula. Uma menina de 9 anos me mostrou a escola... Lá não tem turma, nem campainha, nem prova, nem nota. E como eles aprendem? Eles organizam grupos de 6 pessoas em torno de um tema com ajuda de um professor assessor. Estabelecem um prazo e depois avaliam o que aprenderam. Escola é oficina, onde as pessoas têm interesses e fazem pesquisa. O professor tem que ser companheiro de investigação, ensinar a fazer pesquisa. A escola precisa ser entendida de um jeito diferente. O professor precisa aceitar que não tem responsabilidade de dar só a matéria. Ele tem que ser meio pai e mãe do aluno. A responsabilidade tem que ser na rua também. Ele tem que cuidar do aluno. A missão é mais do que ensinar, é cuidar dos seus alunos. Os professores precisam pensar... Dar atenção especial para determinado aluno para ele se sentir valorizado de alguma maneira... Mas, infelizmente, há uma tendência humana de se afirmar diminuindo as outras pessoas. Isso acontece demais na escola e o professor tem que estar de olhos atentos. O professor tem que proteger o aluno. Os professores não gostam que eu diga isso, mas a escola tem que estabelecer relações: aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Conviver é a coisa mais importante na formação do caráter e na formação da sociedade. Podemos viver com pouco conhecimento, mas não sem conviver. E a escola é espaço para isto. E os professores, os grandes mestres neste jogo.
---
ATENÇÃO!!! Em breve, a equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar novos programas. Quem estiver em São Paulo e tenha interesse em participar escreva para contato@papodemae.com.br. Os temas serão os seguintes:
- Atividades infantis
- Literatura
- Mãe depois dos 40 e tratamentos para engravidar
- Crianças desaparecidas
- Bichos de estimação
- Filhos prematuros
Contamos com a participação de vocês!!!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Síndrome de Down: emoção e superação!

Oi gente!
A síndrome de down – tema que o Papo de Mãe tratou esta semana – acontece devido a uma alteração genética. Nesta alteração (que é possível ser detectada no exame pré-natal), o bebê nasce com três cromossomos 21, ao invés de dois.
No Brasil, há cerca de trezentos mil portadores e este ano é comemorado o cinquentenário da descoberta da trissomia da síndrome.
A expectativa e a qualidade de vida dos portadores da síndrome de down aumentaram muito nos últimos anos em razão dos avanços da medicina. Para se ter uma idéia, em meio século, a expectativa de vida saltou de 15 para 70 anos de idade (sendo que muitos já ultrapassaram os 80!!).
Ficamos emocionados ao ver histórias de vida e superação como as de nossos entrevistados. Conhecemos um pouco da vida de Joana, 10 anos, a menina que interpretou a personagem Clara na novela Páginas da Vida da Rede Globo; a encantadora Tati, 25 anos, que é personagem de uma revista em quadrinhos da Turma da Mônica e hoje faz teatro e trabalha em um salão de beleza; a talentosa bailarina Aline, que há quase 20 anos encanta a todos com sua dança; e pequena Isis, uma princesinha de apenas 7 meses e muita vida pela frente...



Também pudemos contar com a participação de pais e representantes de ONGs, associações e institutos com trabalhos muito sérios e bacanas de inserção social de deficientes. É o caso do Carpe Diem, da Vez da Voz  e do Meta Social. Para obter informações sobre outros grupos de apoio acesse o site da federação brasileira das associações de síndrome de down: http://www.fbasd.blogspot.com/.
Queremos agradecer a todos que participaram das gravações e que escreveram para nosso site. Continuem mandando suas sugestões, perguntas e relatos.



E no próximo programa o assunto é VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR. Você sabe o que é BULLYING? Descubra nesta próxima quinta-feira (19), às 18h30. Reprises no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30).
---
ATENÇÃO!!! Em breve, a equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar novos programas. Quem estiver em São Paulo e tenha interesse em participar escreva para contato@papodemae.com.br. Os temas serão os seguintes:
- Atividades infantis
- Literatura
- Mãe depois dos 40 e tratamentos para engravidar
- Crianças desaparecidas
- Bichos de estimação
- Filhos prematuros
Contamos com a participação de vocês!!!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entrevista com Dr. Zan Mustacchi

Oi, gente!
Esta semana o tema é Síndrome de Down. O programa estava emocionante. Obrigada a todos que participaram das gravações e parabéns pelos exemplos de amor, iniciativa e superação. É um privilégio poder contar com pessoas como vocês que, mesmo em momentos de dificuldade, encontram forças para  ajudar a melhorar a vida de outras pessoas na mesma situação,  seja organizando associações, ONGs ou até mesmo vindo até a mídia falar sobre sua história. A experiência de todos é muito importante e o trabalho que vocês desenvolvem também. É por isso que o Papo de Mãe faz questão de divulgá-los e apoiá-los! 
Fiquem agora com a entrevista de Rosângela Santos com o Dr. Zan Mustacchi, pediatra, que atende pacientes com síndrome de down há mais de 30 anos em seu consultório e no Hospital Público Infantil Darcy Vargas, em São Paulo.

RS: O que é a síndrome de down?
ZM: A síndrome de down é um comprometimento genético, definido por excesso de material cromossômico, especificamente do cromossomo de número 21. Clinicamente, o que a caracteriza definitivamente são 3 aspectos: fenótipo (a imagem dele que parece oriental), a hipotonia com comprometimentos ligamentares (ligamentos frouxos, como se as articulações tivessem mais elasticidade) e, por último, o comprometimento intelectual (aquilo que é definido, hoje, pela OMS como deficiência intelectual). Então, esse tripé: fenótipo, hipotonia e comprometimento intelectual é que caracteriza o indivíduo como portador da síndrome de down.
RS: Este tripé pode ser mais acentuado em algumas pessoas e menos em outras?
ZM: Com certeza. Isto a gente chama de “especificidade clínica variada”. Nós podemos ter mais ou menos comprometimento em cada um dos aspectos. Como não são interligados, se um aspecto é muito comprometido, isto não quer dizer que o outro também será.
RS: De uma maneira geral, como vivem as pessoas que tem a SD hoje no país?
ZM: Nós temos 2 grandes modelos: o primeiro é a faixa etária e o segundo é o sexo. Os homens com SD - como todos nós homens - são mais infantilizados. Então, um garoto de 12, 13 anos ainda é um garotinho. Já a menina, nesta idade, é uma mocinha. Este contexto é mais claro na SD porque os pais tentam mantê-los como uma grande criança permanentemente. Isto é uma grande problemática que nós temos que sanar. Quando é homem então, é mais tratado como criança ainda: “essa é minha criança de 30 anos”. Isso não existe! Por outro lado, com as mulheres, por terem uma capacidade diferente - em geral falam melhor que os homens - não acontece o mesmo. Além disto, o indivíduo com síndrome de down é bem caracterizado dentro do contexto comportamental. Ele é mais inibido, mais protegido, mais cuidado pela sociedade. Curiosamente, as mulheres se viram melhor do que homens, ficam menos doentes...
RS: Ainda existe muito preconceito?
ZM: Óbvio. Não tem nem dúvida. E ele existe por uma desinformação, uma falta de educação, basicamente. A desinformação é uma condição de educação básica, primária.
RS: Tem muita gente que olha a pessoa com down e sente pena? Isso é frequente?
ZM: Sim. Sente pena do individuo e da família. E isto prejudica o processo de socialização. No momento em que tenho restrições para com alguém, eu deixo de dar oportunidades para ele. Os portadores têm que ser vistos como comuns, mesmo não sendo, mesmo não tendo todas as capacidades. Mas quem vai definir os limites são eles mesmos. Nós temos condições de oferecer a eles tudo. Quem vai restringir são eles mesmos. O grande segredo é fazer justamente isso: dar oportunidade para todos os indivíduos. Só assim eles vão conseguir se diferenciar.
RS: A criança com SD tem que frequentar escola de crianças comuns ou especiais?
ZM: Se o indivíduo conviver com modelos apropriados, a tendência é que ele aprenda coisas melhores. Então, ela precisa se enturmar com pessoas que possam ensiná-la e que haja um equilíbrio nisto: “eu ensino e ele me ensina”. Traduzindo, é essencial a escolaridade regular para qualquer pessoa, tenha ou não comprometimentos.
RS: Esses comprometimentos genéticos decorrentes da SD podem ser corrigidos? Existe tratamento clínico, cirúrgico... até onde vai medicina?
ZM: Vamos considerar uma coisa importante: hoje, a estrutura cromossômica que é a genética, ainda não é mutante dentro da lapidação técnica. Entretanto, efeitos causados por esta alteração cromossômica (quase 99%) são maleáveis e mutáveis. O mais freqüente deles são, por exemplo, é cardiopatia congênita. 50% da população com SD nasce com problema cardíaco e este grupo tem indicação cirúrgica. Mas são operados e são curados. Outro exemplo: eles têm mais chance de ter leucemia, mas quando a doença é diagnosticada prematuramente, a cura é próxima de 100% (enquanto um não down cura em 80% das vezes). Portanto, o down consegue até melhorar a reversão do processo defeituoso as custas da alteração cromossômica. Então, basta oferecer condição de diagnóstico e tratamento oportuno. É por isso que, hoje, existe um envolvimento clínico muito grande, e o Brasil é o segundo país do mundo nisso. Só perdemos para a Espanha. Temos um diferencial muito grande em oferecer atendimento de qualidade para população com SD.
RS: Como é para os pais quando recebem a notícia?
ZM: Ninguém espera um indivíduo com qualquer modelo de comprometimento. A primeira pergunta que é feita pelo casal quando o bebê nasce é se é perfeito. Mas se tem diagnóstico de SD você já pré-conceitua que ele terá comprometimentos intelectuais. O que passa na cabeça dos pais é “o que será dele quando eu não estiver presente?”
RS: O down pode ter vida normal, e a família?
ZM. Sim. Deve ser desta forma. Difícil é atingirmos uma racionalidade social familiar para que isso ocorra. Mas este é hoje o grande objetivo. Eu acho que é um trabalho como um todo: sociedade, família e indivíduo. Existe rejeição? Claro, eu não quero ter filho com problema, quem quer? Num primeiro momento, existe rejeição, isso é natural. Isso não é algo que seja penoso, nem condenável. É natural.
RS: Quais são as características da pessoa com SD?
ZM: Depende da forma pela qual foi tratado. A maior peculiaridade dele é lhe devolver em triplo o que lhe é oferecido. Se você olhar com carinho, ele te beija, te abraça. Se você olhar feio, ele te chuta. Ou gosta, ou não gosta. Ou é amoroso, ou agressivo. Depende de como ele é tratado.
RS: E o mercado de trabalho?
ZM: Eles já estão começando a entrar no mercado de trabalho em alguns lugares. Ainda é pouco, perto do que a gente gostaria, mas vão chegar lá. Além disto, eles namoram, casam, têm filhos...
RS: Como é para o senhor que acompanha estes pacientes há mais de 30 anos?
ZM: O que mais me emociona é perceber que uma mãe, de fato, acredita que ela pode oferecer alguma coisa para o filho dela. Elas vêem que o fazer é dar oportunidade. E dar oportunidade de ver este indivíduo crescer é a coisa mais emocionante que tem. Este indivíduo nasceu de uma situação onde a mãe desacreditava de tudo. E, de repente, ela vê florescer uma vida que ela não acreditava. Então, a mãe, quando tem um bebê com down, tem preconceitos – muitas vezes por coisas até ditas por profissionais, infelizmente ainda não bem habilitados – aí, de repente, ela diz “Zan, ele está sentando, está andando... falou papai, falou mamãe...” Olha, fico arrepiado... Isso é fabuloso! A mãe perceber que seu filho é um indivíduo como os outros, perceber que é uma criança, que é um ser humano... Dê oportunidade e verás o resultado!
RS: E a expectativa de vida aumentou muito?
ZM: Sim. Hoje, meu paciente mais velho tem 74 anos de idade. E o mais velho que tive faleceu com 79 anos! Fui pediatra dele - mas não durante 79 anos... rsrsrsrs
---
Por enquanto é isto, pessoal! Esperamos que tenham gostado. No decorrer da semana, traremos mais informações sobre o tema. Acompanhem nosso blog e não percam as reprises do programa no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30). Acessem os sites dos nossos entrevistados e confiram de perto o trabalho deles:
---
DICA DE HOJE é o programa PARATODOS deste sábado, dia 14/11. Dentre as atrações, uma visita ao Morro do Querosene, na zona oeste de São Paulo. O bairro foi um dos últimos da capital a ter luz elétrica e um dos primeiros a passar por uma experiência bem divertida. Usando muitas cores, o artista D'Ollynda tranformou ruas e muros sujos e calçadas mal conservadas. Arte também é o sonho de dona Adilce. Ela é uma dona de casa que faz peças de mosaico e caixinhas com colagens. Viver desta atividade é o sonho dela e o PARATODOS vai indicar um caminho pra isso... Em outra reportagem, o DJ KL Jay, dos Racionais, conta é o dia a dia dos profissionais que garantem o sucesso das noites mais concorridas de São Paulo. Ah, e tem ainda um "Gostinho Bom". Você vai saber como surgiu um dos pratos mais tradiconais da cozinha mineira: o feijão tropeiro. O PARATODOS vai ao ar sábado, às 19h30 e reprisa nas quintas-feiras, às 18 horas. Não percam!
---
Em tempo: Ainda estamos a procura de alguém que tenha um carrinho de gêmeos para doar. Por favor, se alguém tiver, entre em contato com ivyfarias@gmail.com. Obrigada e até mais!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Filhos Únicos: uma opção da vida moderna

Olá a todos!
Como todos sabem, o tema desta semana no Papo de Mãe foi filhos únicos. Aqui no blog, trouxemos algumas entrevistas com especialistas para que vocês pudessem ter um pouco mais de informação, além daquelas que foram ao ar.
Conforme a Roberta comentou no programa, as taxas de fecundidade nunca estiveram tão baixas pelo mundo. Isto acontece porque os casais de hoje pensam em dar mais atenção e melhores recursos a um único filho. E o Brasil não foge dessa tendência mundial. O índice de fecundidade da mulher brasileira caiu de 6,2 para apenas 1,9 filhos nos últimos cinqüenta anos. Já na China, existem oitenta milhões de filhos únicos. São os chamados “pequenos imperadores”. Lá, desde os anos setenta, ficou proibido por lei ter mais de um filho para impedir o aumento da população. A lei é polêmica e tem sido responsabilizada pelo aumento de abortos, principalmente de fetos do sexo feminino, por causa da tradição chinesa de priorizar o filho homem.
Ainda bem que aqui no Brasil temos a liberdade de escolha! E é graças a esta liberdade que podemos optar por ter um, dois ou mais filhos - ou até mesmo nenhum! O importante é que a família possa, conscientemente, fazer sua própria escolha e ter o número de filhos de acordo com a sua vontade e/ou possibilidade.
Agora, todo mundo concorda que quando se fala em filho único, a primeira imagem que vem à cabeça é de uma criança mimada e birrenta, não é verdade? Felizmente, a realidade não é mais esta. No programa, pudemos observar como a opção pelo filho único tem sido cada vez mais consciente, assim como a educação dada pelos pais.
A psicanalista Sílvia Lobo foi muito feliz em todas as suas colocações, principalmente quando alertou sobre a importância de separar a idéia de filho único de filho mimado ou traumatizado. O cuidado, o carinho e o afeto são essenciais ao desenvolvimento sadio de uma criança, mas não é porque ela recebe todos estes sentimentos de um grande número de pessoas com exclusividade – no caso pais, tios, avós, etc – que ela se tornará um adulto prejudicado. É preciso desmistificar a idéia de que ser filho único implique, necessariamente, em prejuízo.
Os motivos que levam os pais a optarem por apenas um filho podem ser vários. Não cabe a nenhum de nós qualquer julgamento. Cada um tem a sua realidade e sabe bem o que é melhor para si. Porém, alguns conselhos a pais de filhos únicos podem ser de extrema importância. Pequenos cuidados na educação podem fazer uma grande diferença no futuro!
O primeiro ponto que devemos prestar atenção, no caso de um filho único, é que esta criança terá como um dos primeiros desafios o fato de ter que lidar com a solidão. Crescer sem irmãos, ou sem outras crianças por perto, pode fazer com que este filho se torne precoce e isto não é nada bom. Por outro lado, este fato pode ser perfeitamente minimizado pelos pais se eles incentivarem seu filho a conviver com outras crianças, sejam primos, vizinhos, amigos ou colegas. Isto vai trazer experiência de vida, fazendo com que este filho aprenda a se relacionar com pessoas da mesma idade.
Uma das maiores queixas de um filho único é a grande expectativa que os pais criam em torno dele. Muitas vezes, o filho chega a ser idealizado.  Mas os pais não devem e não podem fazer do seu filho uma projeção de si próprios, nem depositar expectativas ou cobranças excessivas em cima dele. É preciso lembrar que um filho - seja único ou não - é um ser humano em formação, portanto sujeito a erros e acertos. Por este motivo, os pais devem respeitá-lo na sua individualidade,  procurando ajudá-lo a enfrentar suas questões, mas sem resolvê-las por ele.
A educação e as atitudes dos pais devem ser muito bem pensadas e o bom senso deve sempre prevalecer. Os filhos (em geral) devem estar conscientes de que o mundo lá fora não é o mesmo que encontram dentro de casa. Portanto, cabe a nós (pais) educarmos nossos filhos para fazer deles homens e mulheres de bem, que saibam lutar por seus ideais, sem desrespeitar o direito e o espaço do próximo.

É isso aí, gente. Espero que tenham curtido o programa!!
Nesta quinta-feira (12), às 18h30, o assunto é  SÍNDROME DE DOWN. No estúdio, mães contam como é educar e conviver com crianças com a síndrome. O programa também irá mostrar algumas iniciativas, organizações e associações que auxiliam pais e famílias a lidar com portadores. Além disto, a inserção no mercado de trabalho, a sociabilidade e o aumento da expectativa de vida proporcionado pelos avanços da medicina também são alguns dos temas discutidos. Não percam!!!
 ---

DICA DE HOJE: No dia 14 de novembro acontecerá a Campanha Saúde da Mulher, no auditório do Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo. O evento é GRATUITO e tem como objetivo conscientizar a mulher quanto à importância dos exames preventivos de rotina e dos cuidados consigo mesma. Durante um dia inteiro, serão realizadas palestras e debates com a participação de convidados especiais e do público sobre assuntos diretamente relacionados com saúde da mulher e qualidade de vida, planejamento familiar, prevenção de DSTs e Câncer de Mama, gestação, nutrição da mulher e do bebê, a beleza e os limites da vaidade, valorização da mulher, saúde sexual e reprodutiva para jovens e adultos e prevenção e combate à AIDS. O evento prevê ainda atividades práticas como técnicas de respiração e relaxamento para gerenciamento do stress e combate da ansiedade, meditação e automaquiagem. A programação completa, inscrições e informações você encontra no site  www.laboratoriodamulher.com.br ou pelos telefones (11) 3889-9792 e (11) 2306-9700.

Em tempo: Pessoal, ainda estamos a procura de alguém que tenha um carrinho de gêmeos para doar. Por favor, se alguém tiver, entre em contato com ivyfarias@gmail.com. Obrigada!!
Beijos, Clarissa

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Entrevista com o psicólogo e antropólogo Mauro Godoy


Olá!!! Dando continuidade ao tema da semana, estamos trazendo para vocês mais uma entrevista. Desta vez, quem conversou com a nossa repórter, Rosângela Santos, foi o psicólogo e antropólogo Mauro Godoy. Confiram!
RS: Como entender o filho único?
MG: A melhor forma de entender o filho único é se sentir como tal. Ver o mundo como ele desde pequeno. Em casa, muitas vezes, como ele é a única criança, ele é visto por todos como o bebê, o pequeno, a criancinha... Ele pode assumir esta postura de infantilidade para sempre, o que pode significar para o menino o “complexo de Peter Pan” e para a menina o “complexo de Cinderela”. Que quer dizer “eu não quero ser homem, nem mulher, quero continuar criança”. E assim fica por muito tempo, pois ele não sabe se comportar de outra forma.
RS: E o que acontece?
MG: Até os dois anos, a criança não sabe distinguir o que é pessoa e o que é objeto. Quando ela percebe que é diferente, entra no mundo das pessoas. Só que uma grande parte de filhos únicos não entra neste mundo. Então, crescem achando que gente e objeto são a mesma coisa.
RS: Existe diferença na criação no Brasil e no mundo?
MG: A realidade do Brasil é diferente de outros países. Na China, por exemplo, quem cria o filho são os avós porque eles já trabalharam, já se aposentaram, enquanto os pais têm que trabalhar. Então, é instituído que os avós criam. Os filhos acabam tratando os pais como irmãos e avós como pais. E os avós não são libertadores (aqueles que deixam fazer o que os pais não deixam). Como conseqüência, as crianças crescem sem liberdade. Mas o filho único tem que aprender a diferença entre a família onde ele é “rei” e o mundo na rua, onde ele é apenas mais um.
RS: Como os pais devem agir?
MG: Percebendo... Na pré-adolescência - isso acontece hoje aos 10, 11 anos - a criança já começa a se rebelar e a denegrir a própria postura e própria imagem. Esta é a maneira dela dizer para os familiares que ela é normal, apenas mais um... Ela pode agir de forma a piorar a aparência, o vocabulário... É uma forma de mostrar aos pais que ele/ela não é tudo aquilo que eles esperam.
RS: Mas por que isto acontece? É comum os pais esperarem muito de um filho único?
MG: Naturalmente. Vendo sob a ótica dos pais, você tem toda uma esperança. Além de ser seu herdeiro, você tem esperança de alguém que vai continuar sua genética, seu nome. Isto cria uma expectativa. E todo o amor, dedicação e tempo que você dedicou para essa criança vai se transformando numa idealização que não corresponde à realidade.
---
Por enquanto é isto, amanhã tem mais!
E por falar em amanhã, não percam a última reprise do Papo de Mãe sobre Filhos Únicos nesta terça-feira, às 18h30, na TV Brasil. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com a antropóloga Rosa Maria Monteiro Lopez

Olá a todos!!!
Esperamos que tenham gostado do programa sobre filhos únicos. Sabe, vocês devem imaginar... tem tanta coisa para falar que 1 hora de programa nem sempre é suficiente! É por este (e outros motivos) que criamos este blog. Queremos passar o máximo de informações para vocês e ter um canal direto com nossos telespectadores. É por esta razão que é muito importante a participação, os comentários, as perguntas e as sugestões de todos vocês!

A entrevista de hoje é com a antropóloga Rosa Maria Monteiro Lopez. Nossa repórter, Rosângela Santos, conversou com ela sobre o perfil das famílias de hoje e sobre o tema da semana: filhos únicos. Confiram e comentem! 

RS: Existe um modelo ideal de família?
RL: A gente pode falar que existe uma dinâmica grande nos modelos de família que muda sempre. Ultimamente, é mais difícil achar um modelo que seja ideal, apesar de ainda existir uma pressão social para que se tenha uma família mais certinha com pai, mãe, filhos, avós e todo mundo vivendo em harmonia. Mas isso é muito mais ficção do que realidade...

RS: E a quantidade de filhos?
RL: A gente pode dizer que existe uma tendência nas sociedades ocidentais capitalistas de se ter um número reduzido de filhos. Isto faz mais parte da classe média. Você verifica que casais têm menos filhos quando eles pensam num projeto para ele. Tudo é calculado pela família. Pensam em investir nele, até para que um dia ele possa ajudar a família. Já nas camadas mais populares, não se pensa num projeto futuro. Muitas vezes, a família de referência é outra. Incorpora-se uma rede mais extensa de agregados que se ajudam mutuamente. A criança é pensada num ser que alegra a casa, que cria mais laços entre as pessoas, que amplia a rede de ajuda. Mas nem sempre elas são criadas pelos pais biológicos. Existe uma circulação maior de crianças e isso não é traumático – o que seria considerado na classe média.

RS: O que dizer sobre os filhos únicos?
RL: Filho único é uma preocupação mais das classes médias. Quem está acima não tem os recursos tão controlados, então pode ter mais filhos. Quem está abaixo, não se dá ao luxo de pensar em futuro porque pensa no presente. Para classe média, é mais importante a realização pessoal do que o todo. Nas classes populares, o grupo é mais importante... Na China, tem se falado muito numa geração de filhos únicos. Mas a sociedade parece que não está gostando do resultado destes “pequenos imperadores”, que seriam pessoas com dificuldades em lidar com a frustração. Aparentemente, os filhos únicos são menos sujeitos a frustrações porque os pais acabam mimando e dando tudo o que querem. Não tem aquela competição comum entre irmãos, que acaba exercitando papéis sociais, os quais serão importantes lá na frente. Parece que o resultado não é tão bom. A gente vê pelas crianças mal educadas que estão por aí que a educação está sem limites. Este “pode tudo” não é favorável para vida social, nem para cidadania. Você tem que respeitar o espaço do outro e isso não tem acontecido.

RS: E o que dizer sobre as atuais relações familiares?
RL: Agora, com casamentos mais breves, uniões menos estáveis, o casal se separa mais, mas a mãe do marido que se separou continua tendo vínculo afetivo com o neto. Os laços vão ficando... Nas classes médias e altas, as uniões eram mais longas, mas agora tem sido diferente. O filho de um outro casamento, o meio irmão, acaba sendo mais afetivo do que o consanguíneo... Vão se criando novos modelos, novos laços, os quais também são enriquecedores.
 ----

E a DICA DE HOJE é o leilão beneficente da Make a Wish Brasil. Trata-se de um leilão online com finalidade social, onde toda renda obtida será destinada à realização de sonhos de crianças e adolescentes. Serão vendidos mais de 100 lotes que incluem as luvas autografadas do piloto campeão da F1 Jenson Button, camisas autografadas do Kaká, do goleiro Marcos e de alguns jogadores do São Paulo FC, jóias, relógios, vestidos de grife e peças de arte. Além disso, estarão disponíveis vinhos, almoços e jantares em restaurantes badalados e viagens para os mais fantásticos destinos turísticos internacionais como Austrália, Turquia, Inglaterra e França. O leilão será realizado pela empresa Superbid, sendo a comissão do leilão também revertida para a instituição. Os interessados em participar devem acessar o site http://www.superbid.net/, onde poderão ser visualizadas as fotos e descritivos completos dos bens. A data de encerramento do leilão é nesta sexta-feira, 06/11. Portanto, corra que ainda dá tempo de dar o seu lance e ajudar a realizar o sonho de uma criança!
Obrigada, pessoal!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Muitos filhos nos dias de hoje e a relação entre irmãos

Oi, gente!
Vocês sabiam que, segundo o Guinnes Book, a mulher que teve mais filhos no mundo foi uma russa? Ela teve 69 filhos em 27 partos, sendo 4 deles de quadrigêmeos! Dá para imaginar uma coisa dessas??? Pois este foi o assunto no Papo de Mãe desta última semana: muitos filhos nos dias de hoje e a relação entre irmãos. Entre os convidados, pessoas com muitos filhos, filhos múltiplos (acesse http://www.multiplos.com.br/) e com múltiplas histórias para contar! Foi bem interessante...
Porém, sabemos que esta não tem sido a regra geral hoje em dia. Cada vez mais, os casais têm optado por um número menor de filhos. Segundo dados do IBGE, a média de filhos da mulher brasileira é de 1,9 atualmente. Em 1960, esse mesmo índice era de 6,2 filhos. Mas, dependendo da região, este número ainda pode variar. No Acre, por exemplo, as mulheres ainda têm, em média, mais de 3 filhos. Já o Rio de Janeiro é hoje o estado com a menor taxa de filhos: 1,5.
O planejamento familiar é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores responsáveis pela diminuição do índice de natalidade no Brasil. Aliás, para quem ainda não sabe, um aviso importante: a lei do planejamento familiar garante o direito a métodos anticoncepcionais de graça, incluindo a laqueadura e a vasectomia.
E depois de um programa em que escutamos a opinião daqueles que tiveram muitos filhos, chegou a hora de ouvir aqueles que tiveram apenas um. Isto mesmo, o próximo Papo de Mãe é sobre FILHOS ÚNICOS: prós e contras. No programa, mães de filhos únicos trocam experiências sobre como criar da melhor  maneira seus filhos sem mimá-los, e filhos únicos falam sobre como é a vida de quem não tem irmãos. A psicoterapeuta Sílvia Lobo faz comentários e dá orientações sobre como os pais devem agir.   É nesta quinta-feira (05), às 18h30, na TV Brasil. Reprises no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30).  Não deixem de assistir! Um beijo e até mais, pessoal!!!
---
Atenção: Estamos a procura de alguém que tenha um carrinho de gêmeos para doar.  Por favor, se alguém tiver,  entre em contato com ivyfarias@gmail.com. Valeu!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Entrevista com Dr. Nélson Antunes Jr. sobre filhos múltiplos

Oi, pessoal!
Hoje temos mais uma entrevista bem interessante para vocês. A nossa repórter Rosângela Santos conversou com o obstetra Dr. Nelson Antunes Jr. sobre filhos múltiplos. Confiram o que este profissional de grande experiência tem a dizer sobre o assunto.  

RS: Por que esta é uma era de filhos múltiplos?
NA: Veja só, na natureza, os filhos múltiplos não são tão frequentes. Só que com o advento da fertilização in vitro, depois da década de 80, isto aumentou. Neste procedimento, como se colocava mais embriões no útero para se conseguir sucesso - e os sucessos, no começo, eram muito baixos - se punha mais embriões e, de vez em quando, dava certo demais. Então, isso se propagou e, hoje, se faz mais de um milhão de fertilizações in vitro no mundo inteiro. No Brasil, se faz pouco por causa da condição sócio-econômica. Mas na Austrália, na Finlândia, boa parte da população se reproduz através deste método. Por isto, aumentou demais a demanda, o número de gêmeos e trigêmeos devido a esta técnica.

RS: E o que mudou hoje na técnica?
NA: Na última década, se diminuiu a quantidade de embriões colocados. Raramente, se coloca mais do que 3 embriões. Na maioria das vezes, se coloca dois porque as taxas de gravidez estão tão boas que se diminuiu a quantidade para que a gente não tivesse um número maior de gêmeos e trigêmeos. É muito comum que gêmeos e trigêmeos acabem com problemas porque a mulher não deveria ter mais de 2 filhos de uma vez. Na natureza, os bichos que têm muitos filhos de uma vez (como porcos e cachorros) têm muitas mamas para serem utilizadas. A mulher só tem duas, mostrando que não deveria passar disto (de 2 filhos). Então, essa sabedoria, que a gente só vê na fêmea de cada espécie, deve ser lembrada pelos médicos que trabalham com reprodução humana.

RS: É um risco para mulher ter muitos filhos? Ter um, ter outro e depois ter múltiplos? Isto configura risco pra saúde?
NA: Veja, tanto na gemelaridade (mais de 2 de uma vez), quanto na multiparidade (um após o outro, várias vezes), vai depender da qualidade nutricional da mãe. Na multiparidade, ela vai perdendo qualidade nutricional. Há estudos que mostram que um bebê nascido após a quarta ou a quinta gestação tem menos qualidade nutricional. Pode até nascer com algumas alterações neurológicas. Então, se a idéia é ter filhos repetidamente, a mãe precisaria ter um suporte nutricional, o que raramente a população em geral tem. A mesma coisa na gemelaridade. Esta situação de ter muitos bebês de uma vez necessita um suporte nutricional para que esses nenês sejam bem nutridos e não sofram questões intra-uterinas que são, às vezes, incorrigíveis durante a vida inteira. A desnutrição intra-útero é gravíssima no prognóstico de qualidade intelectual dos bebês.

RS: Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo “quero 2 ou 3 de uma vez só para ter uma única gravidez”, existe isso?
NA: Isto está cada vez mais frequente. Imagine alguém chegando aqui com 38, 39 anos. Ela precisa ganhar tempo e ela entende que é desta forma que ela pode fazer. Não chega a ser mentira que, se nascerem 2 de uma vez, para uma pessoa bem nutrida e com bons recursos alimentares, não chega a ser uma questão grave. Porém, 3 ou 4 seguramente é. Vejam só os números: quando tenho trigêmeos, a chance de nenhum estar em casa após um mês é 60%. No caso de  quadrigêmeos é 78%. É importante que médicos avisem isso.

RS: Múltiplos podem ter um desenvolvimento igual ao de filhos de uma gestação só?
NA: Trigêmeos e quadrigêmeos têm mais problemas porque a prematuridade está associada e impõe questões importantes no desenvolvimento. A outra coisa é que óvulos repetidos num mesmo ciclo podem ter alterações genéticas. Então, a incidência de problemas genéticos são também maiores em crianças múltiplas. Além disto, em raras cidades temos recursos e berçários com unidade neonatal como nos hospitais que temos aqui em SP. A maioria do país (e das cidades do mundo) não contempla esta qualidade de berçário que necessita um bebê abaixo de 1.000 gramas. Então, tudo isto implica risco, morbidade, doenças importantes como a cegueira, o hipodesenvolvimento, os problemas pulmonares... Qualquer intervenção cirúrgica numa criança de 800, 900 gramas, seguramente impõe riscos.

RS: Hoje em dia, cada vez mais, dá para ter o controle de então conduzir a fertilização para uma gravidez de 2?
NA: Não há dúvidas de que, se a gente pegar as estatísticas dos últimos 6 ou 7 anos, esta é a tendência de todos os serviços sérios de reprodução. Isto é o certo. Está  comprovado que as taxas de gravidez só têm subido, mesmo colocando-se menos embriões, pois o que está melhor é a seleção da qualidade destes embriões. Estamos mais competentes para escolher melhores embriões para conseguirmos taxas maiores do que antes e com menos riscos de trigêmeos ou mais - como aconteceu na década de 80. Então, hoje, quando sai na imprensa que nasceram 6, 7, de tratamento, se eu fosse chefe desse serviço, ficaria envergonhado disto ter acontecido.

RS: Múltiplos: mexe muito com o casamento?
NA: Veja, se um filho já mexe muito com o casamento, 2 ou 3 juntos mexe de forma, às vezes, incorrigível. Não existem muitos casais que estejam preparados para assumir esta questão de forma duradoura. Tenho uma história interessante... Em 1995, uma pessoa muito abastada, veio aqui. Depois de 3 meses do nascimento dos filhos, o marido me perguntou: “Dr.Nelson, dá para me seqüestrar??? Eu quero ficar trancado, quietinho... com pão e água... porque lá na minha casa, quando eu chego, tem tanta gente para cuidar dos bebês, que eu não consigo ver nem meus filhos, nem minha mulher! Não sei  quem é quem no meio daquele monte de mulher que está lá!”. No final, ele disse que quem tem dinheiro enche a casa de empregados. Quem não tem, enche a casa de família! Eu não sei o que é pior... Então, é muito difícil uma boa estrutura para receber as crianças, cuidá-las e ainda manter o espaço do casal. Especialmente, no caso deste marido que perde o espaço para tanta gente. Com um filho só já sobra pouco tempo. Com muitos filhos, a tendência é de sobrar nada. Então, ele acaba preferindo ir assistir ao jogo do outro lado da rua...

RS: Como fica amamentação de múltiplos?
NA: O sonho da amamentação é a complementação do sonho da maternidade, mas é muito raro que a gente consiga amamentação exclusiva em gêmeos, e mais raro ainda, em trigêmeos. É uma coisa que a paciente precisa ser preparada antes: saber que é impossível nutrir 3 bebês que ficam com fome em horários discordantes.

RS: E como faz?
Acaba tendo rodízio, e eles mesmos se ajeitam ...
---
Por enquanto é isto, pessoal. Logo mais voltaremos com mais informações sobre o tema da semana. E para quem ainda não conseguiu assistir o programa, fiquem ligados que nesta segunda (12h30) e na terça (18h30) tem reprise do Papo de Mãe sobre muitos filhos nos dias de hoje e a relação entre irmãos. Até mais!!!

 
All rights reserved