PAPO DE MÃE
2 anos no ar pela TV Brasil!!!
DOMINGOS, 19 HORAS


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!!!

Queridos!
Mais um ano se encerra e outro se inicia... Mas 2009 foi muito especial, principalmente para nossas amigas Mariana Kotscho e Roberta Manreza, que conseguiram colocar em prática o projeto que vinham trabalhando há tanto tempo: o programa Papo de Mãe. Um programa com uma proposta diferente, dedicado à família, com objetivo de abordar questões que envolvem o nosso dia a dia, compartilhar experiências e levar muita informação, mas de uma maneira descontraída.
É claro que nada disto seria possível sem o incansável trabalho de toda a equipe. Além da Mariana e da Roberta, muita gente boa, profissionais da mais alta capacidade e experiência estão por trás da realização desta bela produção. Dentre tantos nomes, alguns merecem destaque como, por exemplo, o  diretor Vando Mantovani (e todo pessoal da Rentalcam); a nossa super repórter Rosângela Santos; os incríveis Pedrinho Tonelada e Davi de Almeida; os queridos Ricardo Côrte Real (Ricardinho) e Janaína Moura (Boneca Sapeca); os palpiteiros Almir Padial e Maria Cândida (Candinha); as  meninas da pauta, Márcia Ribeiro e Mariana Verdelho; o pessoal da edição, Samir Cheida e Márcia Moretti; além de Diw Rossetti (cenário), Ulisses Simionato (direção de arte), Elton Thadeu (maquiagem), dentre tantos outros profissionais tão dedicados. Também não podemos deixar de agradecer à TV Brasil que abriu espaço e acreditou no programa desde o início.
Que 2010 seja um ano de muitas conquistas e realizações para todos nós!!! Queremos agradecer a todos que de uma maneira ou de outra participaram do programa, seja nas gravações no estúdio, nas ruas, por meio do blog ou pelas mensagens enviadas por e-mail. Queremos continuar contando com a audiência e participação de todos vocês!!!
Não deixem de assistir nosso Especial de Ano Novo hoje às 18h30, com reprises no domingo, 13h30; na segunda, 12h30 e na terça, 18h30.
E não percam aqui no blog a entrevista com a astróloga Patrícia Valente sobre as previsões dos astros para cada signo no ano que se inicia!

FELIZ 2010 PARA TODOS!!!
Muita Paz, Saúde, Prosperidade e União!!!
Um grande beijo,
Equipe Papo de Mãe


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Especial de Natal

Olá pessoal!
Estamos na semana do Natal e nenhuma época do ano é tão apropriada para estarmos ao lado da família como esta, não é verdade? E sendo o Papo de Mãe uma grande família – e vocês membros dela - não poderíamos deixar de estarmos juntos nesta ocasião! Por isto, preparamos um programa especial para comemorar o primeiro Natal do Papo de Mãe ao lado de vocês, queridos telespectadores! O programa vai ao ar no dia 24/12, às 18h30 e reprisa no decorrer da semana. Não deixem de assistir!
E já que o assunto é Natal, que tal falarmos um pouco sobre os símbolos natalinos, origens e significados?

Símbolos Natalinos
Por Lilian Russo




O Presépio
Segundo a tradição católica, o presépio foi criado por São Francisco de Assis, no século XIII, em 1223, na região da Úmbria. Com a permissão do Papa, montou um presépio de palha que representava o ambiente do nascimento de Jesus, com pessoas e animais reais e não bonecos. Neste cenário, foi celebrada a missa de Natal e o sucesso foi tamanho que rapidamente se estendeu por toda a Itália. As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis serviram de inspiração para que se criasse o presépio, que hoje é uma tradição na Itália, na Espanha (a tradição chegou com o rei Carlos III, que a importou de Nápoles, no século XVIII), na França (inícios do século XX), no Tirol austríaco, na Alemanha, na República Checa, na América Latina e nos Estados Unidos.

Estrela de Belém
Na ponta da árvore de Natal e, muitas vezes, sobre o presépio se coloca a Estrela de Belém. Simboliza a estrela-guia dos magos e sábios do Oriente. A Estrela possui quatro pontas e uma cauda luminosa, como um cometa.

Reis Magos
O Evangelho de Mateus é o único a relatar a vinda dos sábios do Oriente. Posteriormente, acrescentaram-se inúmeras lendas, uma das quais dizendo que eles vieram da Pérsia. No século V, Orígenes e Leão Magno propõem chamá-los de reis-magos. No século VII, eles ganham nomes populares: Baltazar, Belquior e Gaspar e trazem ouro, incenso e mirra para o menino Jesus. No século XV, lhes é atribuída uma etnia: Belquior (ou Melchior) passa a ser de raça branca, Gaspar, amarelo, e Baltazar, negro, para simbolizar o conjunto da humanidade.

Árvore de Natal
A árvore natalina é simbolizada por um pinheiro enfeitado de luzes e de bolinhas vitrificadas coloridas. Para os cristãos reúne dois símbolos religiosos: a luz e a vida. A tradição da árvore é bem antiga (segundo e o terceiro milênio A.C.), quando povos indo-europeus consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade da Natureza, por isso lhes rendiam culto. A civilização egípcia considerava a tamareira como árvore da vida e a enfeitava com doces e frutas para as crianças. Na Roma Antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco, o deus do vinho, em pinheiros para comemorar uma festa chamada "Saturnália", que coincidia com o nosso Natal. Na Mitologia Grega, as árvores eram utilizadas para reverenciar deuses. Elas representavam as possibilidades de evolução e elevação do homem e eram consideradas intermediárias entre o céu e a terra. Na China, o pinheiro simboliza a longa vida e, no Japão, a imortalidade. O carvalho foi, em muitos casos, considerado a mais poderosa das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar diferentes enfeites nele para atrair o espírito da natureza, que se pensava que havia fugido. A atual árvore de Natal aparece na Alemanha, no século XVI e, no século seguinte, são iluminadas com velas. No século XIX, em 1837, a esposa alemã do duque de Orleans introduz este costume na França. Ainda no século XIX, a tradição chegou à Inglaterra e a Porto Rico. Em 1912, Boston, nos Estados Unidos, inaugura uma árvore iluminada numa das praças centrais da cidade, e isto se espalha pelo mundo, inclusive em países não-cristãos. No século XX, torna-se tradição na Espanha e na maioria da América Latina.

Velas
Acender velas nos remete à festa judaica de Chanuká, que celebra a retomada da Cidade de Jerusalém pelos irmãos macabeus das mãos dos gregos. Lembramos também da remota festa pagã do Sol Invencível dos romanos (Dies solis invicti), celebrada na noite do solstício de inverno, em 25 de dezembro. Os cristãos transformam-na na festa da luz que é Cristo. Na chama da vela estão presentes todas as forças da natureza. Vela acesa é símbolo de individuação e de nossos anos vividos. Tantas velas, tantos anos. Para o cristão, as velas simbolizam a fé, o amor e a vida.

Sinos
As renas carregam sinos de anúncio e de convocação. O sino simboliza o respeito ao chamado divino e representa o ponto de comunicação entre o céu e a terra. Remete ao ambiente rural, o tempo da igreja matriz e seus sinos e toques de aviso e de convocação para a vida e para a morte.

Papai Noel
Personagem destacado no Natal é o Papai Noel. São Nicolau, chamado Santa Klaus, bispo de Myra, na Lícia antiga (atual Turquia). Durante o século IV, este homem de fé marcante foi transformado legendariamente neste Papai universal que oferece às crianças presentes, brinquedos e carinhos. Uma lenda conta que São Nicolau, no dia de sua festa, 06 de dezembro de cada ano, passava de telhado em telhado depositando presentes nas meias colocadas nas chaminés. O atual Papai Noel, de roupa vermelha e saco às costas, nasceu nos Estados Unidos, na metade do século XIX, como um São Nicolau sob a forma de um gnomo ou duende e, logo em seguida, foi transformado em um simpático velhinho. Ele é introduzido na Europa depois da Primeira Guerra Mundial e se impõe pouco a pouco pela pressão comercial.


Pois é, falamos sobre símbolos natalinos, mas não podemos deixar de falar no real significado do Natal para os cristãos. Natal significa o nascimento de Jesus Cristo e deve ser lembrado sempre como um período de Paz, Amor e União. E é isso que o Papo de Mãe deseja a vocês nesta noite tão especial.

Feliz Natal a todos!!!


Um grande beijo
Equipe Papo de Mãe

PS: Para os interessados, segue a receita do delicioso bolo de castanha que passamos no programa:
Bolo de Castanha
2 xícaras (de chá) de açúcar
2 ovos
½ xícara de óleo
2 xícaras de farinha com fermento
1 xícara de leite
1 xícara de castanhas do Pará, moídas
Bata bem os ovos com o açúcar, acrescente o óleo, a farinha e o leite mexendo sempre. Por fim, acrescente a castanha, bata mais um pouco e leve para assar em forma untada em forno médio por 30 minutos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Homenagem dos Trovadores Mirins aos Avós!

Oi, pessoal!
No programa sobre a relação entre netos e avós, tivemos a oportunidade de assistir a uma bela apresentação dos Trovadores Mirins. Para quem não conhece, os Trovadores Mirins são a nova geração do bem sucedido projeto Trovadores Urbanos. O grupo é composto, na sua maioria, por filhos de integrantes do projeto, formados em prática de canto coral, com a regência de Lucila Novaes. À medida que vão crescendo, têm a possibilidade de integrar o projeto de seresteiros, dando lugar a outras crianças. A atividade é desenvolvida e baseada no estudo do cancioneiro popular, marca registrada do grupo vocal Trovadores Urbanos, que tem seis (6) CDs lançados, dedicados ao resgate da Música Popular Brasileira. Trata-se de uma prática sustentável, que forma os cantores de amanhã, com base sólida no conhecimento passado, por quem é profissional da área. Para maiores informações sobre o trabalho dos Trovadores acessem o site http://www.trovadoresurbanos.com.br/. E, para aqueles que pediram, segue a letra de uma das canções apresentadas no programa!


CORAÇÃO DE OURO
Margareth Darezzo
Coração de ouro
Colo de algodão
Olhos de estrela
Beijo de maçã
Bom dia de água fresca
Boa noite de canção
Sorriso de história
Abraço de saúde
Mãe de alegria
Que me faz crescer
Ao meu lado todo dia
Amo você
Amo você

Por hora é isto. Não percam a última reapresentação do Papo de Mãe sobre a relação com os avós nesta terça, às 18h30. E na quinta, dia 24/12, não percam nosso Especial de Natal com muitas surpresas para vocês! FELIZ NATAL e um excelente 2010 para todos!!!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

sábado, 19 de dezembro de 2009

O verdadeiro papel dos avós na vida dos netos

Oi, pessoal!
No programa, alguns pontos sobre o verdadeiro papel dos avós na vida dos netos foram levantados e nós escolhemos este texto, retirado do site http://www.portaldafamilia.org.br/, para vocês refletirem. Afinal, será que a convivência dos netos com os avós pode ser nociva em algum momento? Sintam-se à vontade para comentar!

Será que os avós deseducam os netos?

Mais de uma vez descobrimos nos bolsos de nossos filhos "provas" de pequenos caprichos dos avós que talvez não permitiríamos... Quem é que lhes permitiu? Somente nossos próprios pais são capazes de contradizer nossas regras com tanta naturalidade. Porém, não há motivos para preocupação. A função dos avós não é a de educar nossos filhos e, se soubermos que a educação é feita em nossa casa, não há perigo de que os avós façam de nosso filho uma criança mimada e caprichosa.
Se, mesmo para nós, pais, custa resistirmos às bajulações e pedidos de nossos pequenos tiranos, não podemos estranhar que seus avós sejam ainda mais suscetíveis diante deles. Com certeza, temos observado (ou suspeitamos) que, quando estão juntos, a disciplina, que tanto esforço nos custa manter em casa, sofre um grande relaxamento. E isso nos preocupa. Afinal, os avós deseducam os netos ?
Em geral, a resposta é negativa, desde que se observe uma condição: os avós NÃO deseducam se o papel que cumprirem com seus netos for o de simplesmente avós. O problema surge quando há conflito entre os papéis...
Em primeiro lugar, a responsabilidade sobre a educação e formação dos filhos pertence aos pais e não é delegável. São eles que planejam as principais linhas educativas, os hábitos e os valores humanos que desejam transmitir a seus filhos.
Certamente, os avós podem apoiar essa tarefa, porém, nunca devem permitir que lhes repassem essa responsabilidade. Outro ponto diferencial é a disponibilidade de tempo, que pode ser também a origem ou a desculpa para que recaiam sobre eles os deveres que não lhes correspondem.
Hoje em dia, os avós dispõem de mais tempo que os próprios pais. Quando lhes é confiado a supervisão e cuidado com as crianças durante períodos de tempo desproporcionais, é compreensível que a criança acabe se confundindo.
Além disto, há outra diferença essencial entre pais e avós, que as crianças percebem rapidamente: é mais fácil entender-se com os segundos. Mas por que isto acontece?
Talvez porque os avós tenham um ritmo mais pausado, porque mantêm o temperamento diante das catástrofes, porque como não recai sobre eles a responsabilidade educativa, eles não são continuamente exigidos.Tudo isso produz uma cumplicidade, uma relação especial entre avós e netos.
Sem dúvida, não é este último aspecto da relação avós-netos que deve nos preocupar. Esse é, precisamente, o que mais benefícios traz para ambas as partes. Nossos pais e nossos filhos têm muito o que conversar, e a relação entre eles será tanto mais enriquecedora, quanto mais estreita e livre de interferências for. Por isso, não só não devemos temer incentivá-la como, ao contrário, temos de nos esforçar para que as duas gerações possam desfrutar de maior familiaridade e trato.
Os pais têm de ver isso como uma vantagem, da qual toda a família pode se beneficiar. Mas desde que uns e outros saibam qual o seu lugar: os pais, como principais responsáveis pela educação dos filhos, e os avós, como colaboradores nesta tarefa, distribuidores de carinho e compreensão. O perigo de que os avós deseduquem os netos não existirá desde que as crianças não tenham dúvidas sobre onde reside a autoridade.
Precisamente, o natural é que os avós consintam pequenos caprichos que os pais não toleram. Sem dúvida, quando os pais dependem excessivamente da ajuda dos avós, a criança pode chegar a se confundir sobre qual é a sua casa, porque os avós fazem o papel de "pais diurnos". Nesse caso, os pais acabam de mãos atadas para exercer sua autoridade natural. Mas como evitar isso?
A solução não é impôr barreiras ou evitar que os filhos se relacionem com seus avós. Quanto mais eles estiverem juntos, melhor para ambos. O importante é que os pais conservem seu protagonismo, ou seja, que sejam eles que tenham as rédeas das exigências e dos hábitos incentivados em cada etapa de desenvolvimento de seus filhos. Desde que os pais saibam manter seu posto de "capitães do barco", os avós podem desfrutar do seu: o de "coronéis aposentados".
Assim, enquanto aos pais nós dizemos "mimo sim, mimar não", para os avós podemos garantir que não só podem distribuir mimos aos seus netos, como também podem conceder-lhes algum outro capricho sem medo.
Um caso diferente é quando o avós permitem ao neto fazer travessuras, como quebrar coisas ou fazer gritarias. Não ser responsável pela educação do neto não significa que não devam se importar com ela. Eles podem fazer juntos uma excursão "de ataque" ao armário de doces, porém é óbvio que os avós devem corrigir o neto quando ele bate em outra criança no parque. Além disso, da sua privilegiada posição na relação com seus netos, os avós têm a possibilidade de planejar outros pontos de exigência diferentes e complementares aos que os pais propõem.
As crianças, rapidamente, enxergam neles poderosos aliados para fazer uma excursão furtiva à sorveteria. Porém, em troca, aceitam orgulhosamente qualquer orientação que estes bondosos seres lhes proponham. Por exemplo: quando comem com a avó, talvez os netos peçam para que ela lhes sirva batatas fritas em vez de legumes. Em contrapartida, tentam seguir suas orientações sobre a forma de segurar a colher...
São detalhes que, talvez os pais, no dia a dia, costumam deixar em segundo plano para poderem ensinar aos filhos coisas mais necessárias. E esses mesmos pais, conscientes dessas pequenas lacunas, podem propor aos avós que se ocupem delas.
Por último, cabe também falar do caso em que os avós contradizem os conselhos dos pais. Para que isso não ocorra, devemos tomar as medidas apropriadas, como evitar deixar toda a responsabilidade educativa nas costas dos avós. Também é conveniente que conversemos com os avós sobre nossas ideias a respeito da educação das crianças. Podemos seguir ou não seus conselhos, como melhor nos pareça, porém sempre é bom escutá-los e, se for oportuno, aceitar sua ajuda e colaboração.
O que não devemos permitir é que a solução chegue a ser cortar o contato da criança com os avós, porque ambos se necessitam e têm direito a enriquecer-se mutuamente...
É importante que pais e avós não discutam sobre a educação das crianças na frente delas. Se surgir alguma divergência, podem solucioná-la permitindo que sejam os avós que cedam ao capricho. Na casa dos avós, que sejam eles a ditar as normas e que decidam se vão comer torta na sobremesa ao invés de frutas.
Desta forma, os pais relaxam um pouco, a educação das crianças não se perde e elas ficarão desejosas de voltar a visitar os avós...



E a nossa DICA DE HOJE é o livro Psicanálise e Velhice - sobre a clínica do envelhecer, de Dorli Kamkhagi. Nesta obra, a autora discute os desafios de tornar-se velho na atualidade e de como lidar com a aproximação da morte, sem enveredar pela euforia ou pela negação, tampouco abraçando uma visão depressiva. Nos três primeiros capítulos, ela nos prepara para o tema. No primeiro, repassa os diversos papéis sociais ocupados pelos velhos ao longo da história. No segundo, discute o que o atual imaginário social nos espelha sobre o envelhecer hoje. E no terceiro, aborda brevemente determinados aspectos fisiológicos. Nos três capítulos seguintes, ela entra no cerne de seu tema: como seria a clínica do envelhecimento nos dias de hoje a partir dos aportes psicanalíticos? E ela o faz de modo vivo e sempre próximo ao cotidiano. No quarto capítulo, apresenta variados fragmentos clínicos de suas sessões com os inúmeros pacientes que atendeu tanto em análises individuais como em grupos terapêuticos. No quinto, nos indica em que os aportes da psicanálise podem nos ajudar a lidar com as questões que os pacientes idosos (e também os não idosos) trazem sobre o envelhecer e a perspectiva da morte, bem como repassa a literatura psicanalítica sobre o tema. Finalmente, no sexto e último capítulo, articula toda esta massa de informações e apresenta conclusões. Sem dúvida, uma leitura indispensável não só para os interessados na clínica psicanalítica dos idosos, mas para todos que se interessarem sobre o tema do envelhecer.
Dorli Kamkhagi é terapeuta,  mestre em Gerontologia pela PUC-SP e psicóloga do Centro de Estimulação Cognitiva e Funcional do Idoso do Programa de Psicogeriatria do Hospital das Clínicas. É também colunista do site www.delas.ig.com.br.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Relação com avós: relato de uma telespectadora

Oi gente, o PAPO DE MÃE de hoje foi sobre a deliciosa relação entre NETOS e AVÓS. No estúdio, vovôs, vovós, netos, netas e uma gostosa sensação de aconchego no ar... Não tem como não se emocionar com as belas histórias destas pessoas tão especiais. E, para fechar com chave de ouro, a bela apresentação dos Trovadores Mirins... Não poderia estar melhor!

Quem tem ou teve o privilégio de conviver com os avós sempre tem alguma lembrança boa para contar. E foi para contar a sua experiência, que a nossa telespectadora, a publicitária Marjorie Bier, de Santo Ângelo/ RS, nos escreveu. Confiram agora que belo relato!

Carne de tigre com abobrinha
Por Marjorie Bier

Fui uma criança um tanto imaginativa... Além disso, era mimada, malandra e chorona. Ganhava tudo na base da manha e ainda me fazia de coitadinha.
A maior lembrança que tenho com minha avó é de uma vez em que quis tanto ficar doente para não ir à escola - isso lá pelos seis anos - que a coisa acabou acontecendo mesmo...
Reza a lenda que eu tive um febrão e que virei o bicho mais dengoso da casa. Não queria comer, não queria brincar e não queria que ninguém saísse de perto de mim.
Faltei uma semana inteira de aula. Vi a família inteira tentando me animar, assisti a todos os desenhos na televisão e me recusei a comer a montanha verde a que era obrigada diariamente – a propósito, essa coisa de comer salada para crescer forte e saudável não funciona com criança. Aprendi a gostar disso depois de adulta e juro que foi porque a dieta exigiu. Caso contrário, seria a rainha do fast food e das comidinhas exóticas como carne de tigre com abobrinha, por exemplo...
Sim, o anjo aqui, no auge da enfermidade, resolveu sacanear a vovozinha que estava mais do que esmerada em me fazer comer. Prometi a ela que se o cardápio da noite fosse o que eu havia pedido (tigre), abandonaria a mamadeira e passaria a me alimentar direitinho...
Lembro do meu tio, malandro desde sempre, dar uma piscada rápida para a minha avó e, logo em seguida, sair do quarto em direção à sala. A casa em silêncio, a velhota calada e eu me sentindo a rainha da sabedoria...
Mas, para meu espanto, eis que surge o moçoilo com uma espingarda de pressão e um chapéu para minha avó. Saíram os dois, com aquela cara de “Indiana Jones”, prometendo trazer o que eu tanto queria comer...
Durante meia hora tive os devaneios mais loucos. Fiquei imaginando se eles teriam mesmo coragem de ir até o zoológico (tigre, para mim, só morava nesse lugar) e abater o bicho ou se o açougueiro da esquina, baixinho e bigodudo, teria encomendado a carne só para mim.
Depois de muita espera, entram os dois pela porta do meu quarto... Meu tio com o rosto sujo de terra e a respiração a milhão. Minha avó com a roupa embarrada, uma bandeja cheia de folhas e um prato com a maior porção possível de bife picadinho e tomate: “Mar, minha querida, a carne de tigre foi fácil, mas a abobrinha…” rsrsrs
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Belo relato, Marjorie! Dá para perceber que sua avó é uma pessoa muito especial na sua vida! Obrigada pela sua participação!
E para quem perdeu o programa de hoje, tem reprise no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30).
Beijos,
Equipe Papo de Mãe
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Em tempo, mais uma da Vó Gilda!!!
A Marjorie mandou uma foto com sua querida avó e o seguinte recadinho:
"Estou enviando uma foto onde está minha vó linda. Só ontem, quando fui procurar, é que me dei conta que não tenho nenhuma foto com ela depois de grande. Encontrei essa, com meus padrinhos e meu primo, na minha festa de aniversário de 3 anos. Lembro como se fosse hoje ( e lá se vão 30 anos). Passamos uma semana inteira organizando tudo. Eu estava feliz que só vendo. A surpresa aconteceu no dia da festa. Minha vó apareceu com aquelas bonequinhas que estão em cima da mesa (Chapeuzinho Vermelho) e que seriam as lembrancinhas. No lugar do rosto de plástico, uma fotinho 3 x 4 minha, milimetricamente recortada e com cabelinhos de nylon. rsrsrsrsrs... ela não é maravilhosa??? A propósito, minha vó Gilda é essa de vestido listradinho e com cara de safada do meu lado. Um beijo e obrigada. Marjorie"

Beijos especiais da Equipe do Papo de Mãe na super vovó Gilda!!! 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Alergia e Intolerância Alimentar

Olá, dando continuidade ao PAPO sobre ALIMENTAÇÃO, vamos conversar agora sobre um dos assuntos abordados no programa e que, muitas vezes, desperta confusão entre as pessoas.  Afinal, qual a diferença entre  Alergia e Intolerância Alimentar? Confiram o artigo que trouxemos para vocês!

Alergia ou Intolerância Alimentar?

Por Luana Stoduto



Muitas pessoas confundem alergia alimentar com intolerância alimentar, mas são duas coisas diferentes. Ambas causam um enorme desconforto e nos privam de diversos pratos no nosso cardápio. Por isso, é importante conhecermos a diferença entre uma e outra, mas, acima de tudo, sabermos que tipos de alimentos podem desencadear reações adversas no nosso organismo.
A alergia ocorre quando o sistema de defesa do nosso organismo acredita que uma substância alimentar, até então inofensiva, é perigosa. Para se defenderem dessas substâncias, as células do sistema imune produzem moléculas chamadas anticorpos. Então, essa reação incita outras células especializadas, os mastócitos, a liberarem uma substância chamada 'histamina'. Ela provoca sintomas alérgicos que podem afetar o sistema respiratório (asma, tosse), digestivo (dor abdominal, vômito, diarréia), a pele (urticária) ou o sistema cardiovascular. Os alimentos frequentemente envolvidos na alergia alimentar são os que possuem alto teor de proteína, principalmente os de origem vegetal e marinha. Entre os alimentos que já apresentaram reações alergênicas encontram-se o milho, o arroz, o centeio, as nozes, o camarão, os mariscos, o peru, a carne de porco e a bovina, a banana, a abóbora, a batata, a maçã, o tomate, o leite, o ovo, o espinafre,  o amendoins, o cacau, os moluscos, a soja e o peixe.
Já na intolerância alimentar ocorrem reações adversas ocasionadas pelos alimentos, mas que não envolvem o sistema de defesa do organismo. A intolerância mais comum é a do leite, que é provocada pela falta da enzima lactase no nosso corpo, responsável pela digestão do açúcar presente no leite (lactose). Entre as substâncias que já foram relacionadas à intolerância estão os conservantes, os intensificadores de sabor, os corantes e os antioxidantes. 
Apesar de apresentarem causas distintas, os sintomas da intolerância alimentar são semelhantes aos da alergia causada por alimentos. Para o diagnóstico diferencial deve ser feito o levantamento do histórico familiar, a descrição dos sintomas e o tempo decorrido a partir da ingestão de determinada comida, a lista dos alimentos suspeitos e a quantificação do alimento para o aparecimento dos sintomas. Isso sem contar o exame físico, testes bioquímicos e imunológicos. Além disso, o médico poderá pedir para que você faça um diário alimentar e de sintomas.
O tratamento da alergia e da maioria das intolerâncias alimentares é feito com a exclusão de certos alimentos do cardápio ou com a redução de sua quantidade na dieta. A partir de então, é necessário sempre ler os rótulos dos produtos com o objetivo de identificar as substâncias alergênicas. Mas, atenção, se determinados alimentos forem vetados definitivamente do seu dia a dia, você deve procurar substituí-los por outros fornecedores dos mesmos nutrientes. É esse, justamente, o objetivo da orientação alimentar: identificar o alimento agressor, através da dieta de eliminação, e evitar deficiências nutricionais, substituindo os alimentos causadores das manifestações adversas por outros nutricionalmente semelhantes.

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E no PAPO DE MÃE desta quinta-feira o tema é a RELAÇÃO COM AVÓS. No estúdio, além do bate-papo entre os convidados, uma homenagem preparada pelos dos Trovadores Mirins. Vocês não podem perder! Nesta quinta, 18h30. Reprise no domingo, 13h30; na segunda, 12h30; e na terça, 18h30. Até mais!!!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Obesidade Infantil

Olá!
Vocês sabiam que uma criança obesa em idade pré-escolar tem 30% de chances de virar um adulto gordinho? E que o risco sobe para 50% caso ela entre na adolescência com quilos a mais? Pois é. Segundo a Associação Brasileira de Pediatria, a obesidade infantil já atinge 15% das crianças brasileiras. Índice preocupante, uma vez que já se aproxima do encontrado nos Estados Unidos que é de 20%.
Preocupados em reverter este quadro, 24 grandes empresas no Brasil firmaram um compromisso de limitar a publicidade de alimentos e bebidas para menores de 12 anos nos meios de comunicação e nas escolas. O documento assinado prevê apenas uma exceção para produtos que atendam a critérios nutricionais específicos e que recomendem o estímulo responsável do produto. Este mesmo tipo de compromisso já foi adotado por empresas do setor alimentício em países da Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Esperamos que surta efeito.
Para aprofundar um pouco, trouxemos para vocês uma entrevista do Dr. Dráuzio Varella com a Dra. Sandra Villares, coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Vejam as razões que levam os médicos a se preocuparem tanto com a obesidade na infância.

Obesidade Infantil
Ver os netos gordinhos era a alegria das avós do passado. Criança rechonchuda era sinônimo de criança saudável. De certa forma, havia lógica nesse conceito. Numa época em que não existiam antibióticos, crianças mais nutridas resistiam melhor aos processos infecciosos.
Hoje, a obesidade infantil transformou-se num problema sério de saúde, numa epidemia que se vem alastrando e já atinge parte expressiva da população nessa faixa de idade. As causas são muitas, mas pesam os hábitos alimentares baseados no fast food, salgadinhos e guloseimas e as horas passadas em frente da televisão ou jogando videogame.
A preocupação não é com a estética. Muitas crianças com excesso de peso apresentam alterações nos níveis de colesterol, são discriminadas pelos companheiros e alvo de brincadeiras de mau gosto.
O controle da obesidade infantil começa em casa, com refeições balanceadas, estímulo à atividade física e mudança dos hábitos alimentares de toda a família.

Drauzio Varella – O que diferencia a criança gordinha da criança obesa?
Sandra Villares – Em geral, a mãe tem sensibilidade para notar que a criança está um pouco mais forte do que os coleguinhas de mesma idade. A mãe ou os familiares perceberem esse fato é o primeiro passo para estabelecer a distinção. Os médicos fazem cálculos um pouco mais complicados. Dividem o peso pela altura ao quadrado, obtêm o índice de massa corpórea (IMC) e utilizam gráficos que podem ser encontrados no site www.abeso.org.br. Resultado acima de 85 percentil caracteriza sobrepeso; acima de 95, obesidade. Abaixo de 85 percentil, indica que a criança não tem sobrepeso. Essa curva não é igual a dos adultos porque as crianças crescem e os números variam conforme a idade.

Drauzio Varella – Por que alguns bebês que mamam no peito da mãe são gordinhos e outros são magrinhos? Existe tendência à obesidade que se manifesta desde o nascimento?
Sandra Villares – Existem muitas causas para a obesidade infantil, mas não podemos deixar de mencionar as características genéticas. Milhões e milhões de anos atrás, sobreviveram nossos ancestrais que tinham genes capazes de estocar calorias e transformá-las em energia. Os que não tinham, morreram cedo e provavelmente não deixaram descendentes. Isso quer dizer que a grande maioria dos sobreviventes tem genes que favorecem o aparecimento da obesidade. Se o ambiente for favorável, ela irá manifestar-se. Qual é o ambiente saudável para o bebê? É a mãe. Engordar muito durante a gestação, favorece o desenvolvimento de tecido adiposo, de gordura, no primeiro ano de vida da criança.

Drauzio Varella – Esse é um dado importante, porque muitas mulheres engordam demais durante a gravidez.
Sandra Villares – Na literatura, há trabalhos mostrando que para o desenvolvimento do tecido adiposo no primeiro ano de vida é importante não só o peso com que a mãe inicia a gravidez, mas o peso que ganha durante a gestação.

Drauzio Varella – Que curioso é esse mecanismo. A mãe acumula gordura no próprio corpo e passa para a criança a tendência a juntar tecido adiposo.
Sandra Villares – A mãe deve passar algum neuro-hormônio, que não sabemos qual é, mas que faz com que o hipotálamo mande uma mensagem para a criança armazenar mais energia e ela estoca gordura.

Drauzio Varella – Então, além das características genéticas, de alguma forma, a obesidade materna durante a gestação influencia a obesidade infantil.
Sandra Villares – O contrário também é verdadeiro. A falta de alimentação adequada durante a gestação para um bebê intra-útero é fator para a obesidade no adulto. Prova disso são os indivíduos atualmente obesos que nasceram na Holanda, no período de falta de alimentação que marcou o pós Segunda Guerra Mundial.

Drauzio Varella  – É fácil de entender que a criança nasça subnutrida, porque não consegue os nutrientes necessários, quando a mãe passa fome durante a gravidez. Mas fica mais difícil de entender por que desenvolve obesidade depois como mecanismo compensatório.
Sandra Villares – Esse é um dado epidemiológico para o qual não se encontra explicação na literatura. Acredita-se que algum fator intra-útero, ainda não determinado, estimule alimentação mais farta durante a vida e aumente a facilidade de estocar energia.

Drauzio Varella  – Resumindo: são fatores para a tendência à obesidade infantil a genética, o excesso de peso que a mãe ganhou durante a gestação e a desnutrição materna durante a gravidez. Há outro?
Sandra Villares – Mãe diabética também é fator de risco para a obesidade infantil e para o desenvolvimento de diabetes na fase adulta. A hipoglicemia da mãe estimula o pâncreas da criança a liberar mais insulina e a tornar-se mais sujeita a desenvolver diabetes.

Drauzio Varella  – Filhos de mães diabéticas, geralmente, nascem com peso exagerado?
Sandra Villares – Nascem. O aumento da circulação de insulina na criança provoca aumento da adipogênese, ou seja, maior formação de células adiposas.

Drauzio Varella – Acima de que peso nasce a criança que faz suspeitar ser a mãe diabética?
Sandra Villares – Acima de quatro quilos. Sempre que levanta o histórico de uma criança obesa, o médico deve perguntar como foi a gestação da mãe e com quantos quilos e centímetros o bebê nasceu. A criança nasce com mais ou menos 17% de gordura no corpo. No final do primeiro ano de vida, esse índice sobe para 35% e o peso da criança triplica. A gordura que estocou nesse período vai ajudá-la a viver no ano seguinte, quando começa a andar e a brincar e garante a energia necessária para os anos subseqüentes.

Drauzio Varella  – E elas precisam de muita energia…
Sandra Villares – As crianças não param quietas e consomem muita energia, mas por volta dos sete anos começam a fazer novamente tecido adiposo. Esse é um fato muito importante e a mãe precisa ficar atenta ao peso da criança nessa idade. Se o peso for normal, uma em dez crianças corre o risco de ficar obesa na fase adulta. Se for gordinha, esse risco sobe para quatro em cada dez crianças.

Drauzio Varella – Bebês gordinhos também correm mais esse risco?
Sandra Villares – A princípio, não, mas depende muito do tipo físico dos pais. Se os pais forem magros, criança fortinha, porém não muito obesa nos três primeiros anos de vida, não corre risco maior de obesidade na fase adulta. Ao contrário, se os pais forem obesos, o risco aumenta. No entanto, com o passar dos anos, essa relação vai perdendo força e desaparece na adolescência, quando tem importância o excesso de peso do próprio adolescente como determinante da obesidade na fase adulta.

Drauzio Varella  – Estamos vivendo uma verdadeira epidemia da obesidade. Na população brasileira, 40% dos adultos estão com excesso de peso, o que significa 50 milhões de pessoas aproximadamente.
Sandra Villares – E as crianças estão indo pelo mesmo caminho. Dados revelam que 17% dos adolescentes estão com sobrepeso, atualmente. Já nos referimos às razões genéticas para o armazenamento de gordura. No entanto, a diminuição da atividade física e o aumento de ingestão de comida e de alimentos não saudáveis têm contribuído muito para a instalação do quadro de obesidade.

Drauzio Varella  – Deixando de lado as alterações que levam ao aumento de peso e que não dependem da criança - a mãe engordou muito ou não se alimentou adequadamente durante a gestação ou era diabética - no mundo moderno, o que leva as crianças a ganharem peso excessivamente?
Sandra Villares – Os motivos são muitos. Vou citar alguns dados que acho interessantes. A criança tem a sensação de fome e saciedade. Ela sabe quando deve começar a comer porque está com fome e quando parar porque está saciada. Entretanto, por excesso de amor, por achar que dando comida está dando carinho, a mãe resolve que a criança não pode deixar nada no prato. Ela não entende que, às vezes, a pequena quantidade que o filho comeu é suficiente para saciá-lo. O que queremos dizer com saciedade? Quando o indivíduo começa a alimentar-se, sente extremo prazer no sabor da comida, mas esse prazer vai diminuindo à medida que se sente satisfeito. Às vezes, isso acontece com quatro colheres de arroz; às vezes, com duas. Varia tanto no adulto quanto na criança, mas a mãe quer que coma as quatro colheres, não a deixa sair da mesa enquanto não limpar o prato e não registra sua indicação de que está satisfeita. Duas horas mais tarde, aparece com um copo de leite ou alguma coisa para comer mesmo que a criança não esteja com fome. Isso está errado. A criança deve comer quando está com vontade. Não é necessário impor horários rígidos. Ela possui o relógio biológico da fome e da saciedade que acaba se perdendo porque não é levado em consideração, e a criança não sabe mais quando começar a comer nem quando suspender a refeição. Aí, a televisão mostra comidas maravilhosas, cheias de gordura e de açúcar, substâncias que aumentam muito a palatabilidade dos alimentos, e a criança passa as tardes mastigando bolachinhas, biscoitinhos, hambúrgueres, balas e chocolates.Há ainda fatores emocionais que não podem ser desprezados. Nasce um bebê na família; a criança, que ficava com a avó, vai para a escola ou muda de colégio. Ansiosa, começa a alimentar-se mais porque, como os adultos, não distingue fome de ansiedade. Essa modificação dos hábitos alimentares faz com que o tecido adiposo, que deveria ser formado por volta dos sete anos, se desenvolva mais cedo. Isso se chama de rebound precoce da adiposidade.

Drauzio Varella  – Poderíamos dizer que é um rebote da adiposidade?
Sandra Villares – Com quatro ou cinco anos, a criança começa a criar tecido adiposo precocemente. Portanto, quando chegar aos sete, já estará mais gordinha. A adolescência é outra fase perigosa que requer atenção. Quando o corpo da menina vai se modificando e as mamas começam a crescer, ela pode produzir mais tecido adiposo. Já o rapaz faz mais massa magra. É um fenômeno biológico: as mocinhas fazem mais gordura, que as deixa com o corpo mais arrendondado, mais bonito, e os garotos fazem mais músculos.

Drauzio Varella  – Você falou da dieta e da vida sedentária que muitas crianças levam hoje. Como essas coisas influenciam a obesidade infantil?
Sandra Villares – Trabalhos que constam da literatura e uma avaliação feita no Hospital das Clínicas mostram que mais de quatro horas de TV por dia estão associadas à obesidade das crianças. Chegamos a esse dado no ambulatório do HC, avaliando 240 crianças por seis meses mensalmente e depois a cada seis meses ou com freqüência maior conforme a necessidade. Nesse programa de acompanhamento, verificamos que certas crianças passam dez horas por dia assistindo à televisão, mais algumas horas dormindo e outras sentadas na escola. Isso nos permite concluir que o aumento da obesidade nos dias atuais não se deve aos genes, pois não houve tempo para eles se modificarem nos últimos quarenta anos. Na verdade, nossa propensão genética para a obesidade encontrou ambiente favorável nos erros alimentares associados ao sedentarismo da vida moderna.

Drauzio Varella – Hoje está claro quais são os alimentos que fazem ganhar peso e quais são os menos calóricos. As crianças têm preferência pelos sabores mais básicos conferidos pelo açúcar e pela gordura. O ideal seria que comessem saladas e outros vegetais, mas não é fácil convencê-las. Como fazer para incluir esses alimentos que detestam na sua dieta?
Sandra Villares – É muito difícil. Eu particularmente não gosto do termo dieta, porque introduzir a restrição alimentar é dar o primeiro passo para a obesidade. A criança, o jovem e também o adulto devem fazer refeições saudáveis, balanceadas e comer quando têm fome. O primordial é orientar a criança, obesa ou não, a respeito do que é uma boa refeição. Na nossa terra, é arroz, feijão, bife, saladinha de alface e de tomate. Raríssimas crianças com três ou quatro anos comem verdura, mesmo que os pais o façam com regularidade. Como já foi dito, a palatabilidade dos alimentos é dada essencialmente pelo açúcar e pela gordura. As papilas gustativas distribuídas na nossa língua e em todo o trato digestivo (temos papilas gustativas até nos intestinos) não são muito exacerbadas pela verdura, mas a mãe deve insistir, sem forçar, que a criança pelo menos experimente um pouquinho todos os dias. É um longo aprendizado. Nós aprendemos a gostar de doce quando colocaram açúcar em nossa mamadeira.

Drauzio Varella  – Em que consiste o tratamento para a obesidade infantil?
Sandra Villares – É preciso pensar antes nas comorbidades, ou seja, nas complicações que a obesidade traz. Portanto, o médico deve verificar quanto o excesso de peso está atrapalhando a saúde da criança. No programa que desenvolvemos no HC, 40% das crianças obesas têm hipercolesterolemia, isto é, níveis de colesterol elevados, e 30% têm HDL baixo (o bom colesterol que protege o coração) e triglicérides alto. É preciso pensar que, quando se fala em 40%, estamos nos referindo a praticamente metade das crianças obesas com problemas de saúde associados à obesidade. Estudo realizado com crianças americanas obesas que faleceram de morte acidental demonstrou que, feita a autópsia, foram encontradas placas, ou seja, depósitos de gordura na aorta e nas coronárias. Esse é um dado alarmante porque sugere que crianças com hipercolesterolemia poderão não chegar aos quarenta ou cinqüenta anos sem problemas cardiovasculares. Provavelmente, sofrerão infartos bem mais jovens. Outro achado importante ocorreu tanto nos Estados Unidos como no Brasil. No passado, a maior parte das crianças desenvolvia diabetes do tipo I e só 3%, diabetes do tipo II. Hoje, 50% desenvolvem a doença imunológica por falta de insulina (o tipo I) e 50%, diabetes tipo II ligado à resistência à insulina (o tipo mais encontrado nos adultos).

Drauzio Varella  – Não faz muito tempo que se descobriu que o tecido gorduroso é uma glândula ativa e não um tecido inerte.
Sandra Villares - O tecido adiposo produz muitos hormônios. Antigamente, se achava que a gordura era órgão de estoque e não servia para mais nada. Hoje se sabe que é a maior glândula que temos. Produz o TNF (Fator de Necrose Tumoral), a leptina, as interleucinas, peptídeos que vão contra a ação da insulina. Quando o indivíduo começa a engordar, a produção de insulina aumenta para controlar níveis mais elevados de açúcar. Insulina alta leva a efeitos deletérios, como a vasoconstrição e a hipertensão. Todos esses distúrbios acometem as crianças obesas e precisam ser controlados.

Drauzio Varella  – Quais são os resultados do tratamento para crianças obesas?
Sandra Villares – Os resultados são interessantes. O tratamento da criança obesa começa pela modificação dos hábitos alimentares da família. Ninguém faz regime sozinho numa casa, muito menos uma criança. Não adianta a mãe dizer que bolacha recheada que está no armário é para o irmão, que é muito magrinho. O tratamento inclui a família inteira. É pai, mãe, irmãos, todos comendo o mesmo tipo de alimentação saudável. Segundo ponto: o tratamento baseia-se num conceito de boa alimentação. Não se fazem restrições alimentares e a criança nunca deve comer menos de 1800 calorias diárias, embora esteja demonstrado que muitas comem por dia 60% a mais do que necessitam. Do cardápio do almoço e do jantar, devem constar um pouco de arroz e de feijão, um bom bife e salada. No meio da tarde, café com leite desengordurado. Terceiro ponto: é importante incentivar ao máximo a prática de atividade física aeróbica – nadar, correr, andar de bicicleta, andar - pelo menos três vezes por semana, no mínimo por uma hora. De preferência, a criança obesa não deve participar de atividades esportivas em grupo. Num jogo de futebol, como não consegue correr com a ligeireza do magrinho, vai ser colocada no gol onde se mexerá pouco. É obvio que sem a dieta, o exercício físico não ajuda a emagrecer, mas a atividade física aeróbica, frequente e feita com regularidade, é muito importante nos casos de obesidade.

Drauzio Varella – Nas famílias, quais são os erros alimentares que conduzem as crianças ao excesso de peso?
Sandra Villares – Os parâmetros mais freqüentes que se observam no Hospital das Clínicas e que levam as crianças a perderam a sensação de saciedade são dois. A criança faz uma refeição por dia: come o dia inteiro. Em geral, as mães trabalham fora, a criança chega da escola, senta em frente da televisão e come por comer, sem fome. Não existem refeições organizadas em períodos estabelecidos. O outro é a hiperfagia, ou seja, a criança ingere quantidades enormes de alimentos em cada refeição.

Drauzio Varella  – Que alimentos a mãe deve esquecer que existem quando faz as compras no supermercado porque só engordam? E quais deve comprar?
Sandra Villares – Uma família de quatro pessoas deve utilizar uma lata, uma lata e meia de óleo por mês. Isso significa restrição de frituras. Já gastou uma lata e meia, não pode fritar mais nada naquele mês. A refeição das crianças deve conter carboidratos (arroz e feijão), proteínas (carne, frango ou peixe de preferência assados ou cozidos para evitar o uso de óleo), verduras (tomate, alface, pepino), frutas. Outro alimento imprescindível é o leite. Muitas crianças, porém, trocam o leite por refrigerantes e sucos e não tomam sequer um copo por dia. Criança pequena tem que ingerir por volta de um grama, 1,2 gramas de cálcio diárias, o que corresponde a quatro porções de leite ou derivados (queijo, iogurtes). Não há necessidade de ser leite integral. Para desengordurar o leite, basta batê-lo no liquidificador e tirar a espuma ou fervê-lo e tirar a nata que se formou. Há estudos que mostram a associação de maior ingestão de leite e menor peso em certas populações.

Drauzio Varella – Muitas refeições das crianças são ricas em gordura saturada.Você poderia explicar que tipo de gordura é esse?
Sandra Villares - São as gorduras derivadas de animais, contidas na carne, linguiça, salsicha, por exemplo. As salsichas, que as crianças amam, especialmente as vendidas na porta das escolas com batatinha frita, purê, maionese, etc., podem ser gostosas, mas não têm valor nutritivo importante.

Drauzio Varella  – Como evitar que as crianças prefiram essas comidas “junkie”, como as batatinhas, bolachas recheadas e salgadinhos?
Sandra Villares – Essas comidas fazem parte da nossa civilização. Não adianta proibir. A criança pode comer, mas de vez em quando. É impossível alguém falar que nunca mais na vida vai comer batata frita. O problema é comer todos os dias. O hot dog ou o hambúrguer comido no dogueiro da porta da escola ou na lanchonete da esquina são ricos em valor calórico e, às vezes, pobres em valor nutritivo.

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É isto. Esperamos que tenham gostado. Da próxima vez, falaremos um pouco sobre a diferença entre alergia e intolerância alimentar. Não percam as reprises do programa sobre ALIMENTAÇÃO no domingo, 13h30; na segunda, 12h30; e na terça, 18h30. Até mais!!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Alimentação Infantil

Queridos, telespectadores!
Esta semana, as chuvas em São Paulo alagaram o estúdio do Papo de Mãe. As gravações foram canceladas e, por pouco, não perdemos parte do nosso lindo cenário. Foi um momento bastante tenso, mas também de muita união. Graças ao esforço  dos bombeiros e de toda a equipe, tudo acabou bem! Fica registrado aqui nossos sinceros agradecimentos a todos que nos ajudaram neste momento tão complicado...
E por falar em agradecimentos, não podemos deixar de agradecer a todos que têm escrito para nosso e-mail (e aqui nos comentários do site) mandando sugestões, perguntas, relatos e elogios ao programa. Tenham certeza de que é uma imensa alegria para nós ver o resultado do trabalho da equipe traduzido na satisfação de vocês. Muito obrigada de coração!!!

Quem acompanhou o programa de hoje pôde perceber que o assunto da semana é ALIMENTAÇÃO INFANTIL. Ao longo da semana (como de costume) traremos mais informações a respeito do tema aqui no site.
Confiram a seguir uma série de dicas retiradas do site da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Matabólica sobre os 10 ERROS QUE NÃO DEVEMOS COMETER NA EDUCAÇÃO ALIMENTAR DA CRIANÇA:

1. Dizer sempre sim: A criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Devemos ter um dia por semana e situações em que podemos ser mais liberais.
2. Lanches fora de hora: O ideal são 6 refeições diárias e evitar as beliscadas fora desses horários.
3. Oferecer comida como recompensa: “ Coma toda a sopa para ganhar a sobremesa”. Passa a idéia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo.
4. Ameaçar castigos para quem não cumpre o combinado: “ Se não comer a salada, não vai ganhar presente”. Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente das saladas.
5. Brincadeiras na mesa: Hora de comer é hora de seriedade, evitar fazer aviãozinho. Muito mimo é sinônimo de muita manha.
6. Ceder ao primeiro não gosto disso: A criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser mas, pelo menos, experimentar não custa nada.
7. Substituir refeições : Não quer arroz e feijão, então toma uma mamadeira. Esse erro é muito comum, e se a criança conseguir uma vez, vai repetir essa estratégia sempre.
8. Tornar a ida a uma lanchonete um programão : A comida de casa fica meio sem graça.
9. Servir sempre a mesma comida: A criança só toma iogurte, então passa o dia todo tomando iogurte. Vai enjoar, vai faltar nutrientes, vai faltar fibras.
10. Dar o exemplo : Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes.
Por enquanto é isso, pessoal.  Para quem perdeu o programa de hoje, ainda há chance de ver a reprise no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30). E continuem votando em nossa enquete para escolher quais os programas que serão reprisados nas férias em janeiro!
Beijos, 
Equipe Papo de Mãe

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pais Separados e Alienação Parental

Olá, pessoal!
Vocês sabiam que, no Brasil, de acordo com o IBGE, para cada quatro casamentos, ocorre uma separação? E que em 23 anos a taxa de divórcios cresceu mais de 200%? É verdade. Só em 2007, foram quase 180 mil divórcios. A explicação para isso seria a mudança no comportamento da sociedade, que passou a aceitar o divórcio com maior naturalidade.
No último levantamento feito pelo IBGE, em 89% dos divórcios, a responsabilidade pela guarda dos filhos ficou com a mulher. Em 76%, houve comum acordo. Mas isso vem diminuindo. Nos últimos dez anos, o número de divórcios não consensuais aumentou. Tanto é que existe uma lei que obriga as escolas a fornecer a pais separados uma cópia do boletim escolar dos filhos para cada um dos genitores, além de passar dados sobre o desempenho e a frequência escolar. O objetivo é ajudar muitos pais que não conseguem ter acesso às informações escolares dos filhos – o que acontece muito em casos de alienação parental, por exemplo.
Para quem não sabe, a Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, consiste na situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de rejeição em relação ao outro.
Os casos mais freqüentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde a ruptura da vida conjugal gera, em um dos genitores, uma tendência vingativa muito grande. Neste processo vingativo, o filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao ex-parceiro, onde o genitor alienante tenta a todo custo excluir o outro da vida dos filhos, interferindo nas visitas, atacando a relação, denegrindo a imagem e assim por diante... Como consequência, a criança alienada, normalmente, apresenta um sentimento constante de raiva e ódio contra o genitor alienado, se recusando a dar atenção, visitar, ou a se comunicar. Além disso, as crianças vítimas da SAP são mais propensas a apresentar distúrbios psicológicos (como depressão, ansiedade e pânico), utilizar drogas e álcool como forma de aliviar a dor e culpa da alienação, apresentar baixa auto-estima, fraco rendimento escolar, dificuldades de socialização, dentre outros sintomas.
Na verdade, trata-se uma atitude extremamente maléfica e errônea que pode acarretar consequências muito negativas na vida de uma criança e que podem comprometer sua personalidade futura. Por mais que seja difícil, é preciso separar a relação entre o ex-casal da relação entre os filhos - que não têm culpa dos atos cometidos por seus pais e que, por isto, não devem pagar por eles...
Pensando nisto, o Projeto de Lei 4053/08, do deputado federal Regis de Oliveira, tem como proposta regulamentar a Síndrome da Alienação Parental e estabelece diversas punições para essa má conduta, que vão desde advertência e multa até a perda da guarda da criança. O projeto, que tramita em caráter conclusivo, terá agora seu mérito examinado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e depois irá para o Senado.
Para maiores informações sobre a SAP visite o site www.alienacaoparental.com.br.
E não percam, amanhã, terça-feira, às 18h30, na TV Brasil, a última reprise do Papo de Mãe sobre PAIS SEPARADOS.
Um grande beijo,
Equipe Papo de Mãe

domingo, 6 de dezembro de 2009

Pais separados e guarda compartilhada dos filhos

Olá!!!
Hoje tivemos a oportunidade de rever o Papo de Mãe sobre Pais Separados. Desde já queremos parabenizar toda a equipe e os entrevistados, pois o programa estava nota 10! Para quem perdeu, ainda há chance de ver a reprise deste programa na segunda-feira (12h30) e na terça-feira (18h30).
Pois é, quando se fala em separação, a primeira coisa que vem à cabeça é “com quem ficarão os filhos”, não é verdade? E no programa, nós pudemos conferir a experiência de cada um dos nossos entrevistados, o que foi muito bacana. 
Para acrescentar um pouco mais de informação sobre o assunto, trouxemos um artigo do site da advogada Priscila Goldenberg, uma das especialistas entrevistadas no Papo de Mãe. Confiram e comentem!

Guarda Compartilhada
A separação dos pais traz como conseqüência o debate em torno da guarda dos filhos menores.
Enquanto a família permanece unida, a criança desfruta de seus dois pais, sendo que, em muitos casos onde a mulher divide o sustento da família com o homem, as atividades relacionadas com os filhos são divididas igualitariamente, pois ambos trabalham e ambos são pais.
A ruptura conjugal cria a família monoparental, ou seja, a criança passa a residir somente com a mãe ou com o pai, e a participação dos pais, até então exercida conjunta e igualitariamente pelo pai e pela mãe, se concentra em um só, ficando o outro com o direito de visitas.
Em nossa sociedade o mais usual é que nos casos de separação dos pais, a guarda seja exercida pela mãe. Neste caso, o pai torna-se um visitante nos finais de semana alternados, e sua participação no dia a dia dos filhos é ínfima e se dilui ainda mais com o passar do tempo.
No entanto, a evolução da sociedade tem mudado gradativamente este cenário. Hoje a estrutura familiar é outra e deve acompanhar as novas exigências do século vigente. A participação feminina no mercado de trabalho cresceu, mudaram-se os papéis e ambos passaram a compor a renda familiar. Além disto, o papel do pai participativo depois da separação começou a ser discutido, de forma a continuar dividindo com a mãe o papel da parentalidade, como era no casamento.
Assim, quando o casal se separa, as coisas se complicam. Como tornar participativa a atuação daquele que ficou sem a guarda dos filhos? Daí muito se discute atualmente sobre a possibilidade de adotar-se a chamada "guarda compartilhada".
Infelizmente, o que se vê na grande maioria dos casos, é um absoluto desconhecimento para lidar com tal instituto, principalmente considerando-se que não existe previsão legal, ou seja, o Código Civil não descreve o conceito, como também não proíbe a prática, que pode ser acordada pelo casal, ou por uma decisão judicial.
Entende-se por guarda compartilhada uma forma de exercer a autoridade parental, onde os filhos de pais separados permanecem sob a autoridade equivalente de ambos os pais, que continuam a tomar as importantes decisões na criação de seus filhos conjuntamente, buscando-se assemelhar o tanto quanto possível, as relações pré e pós-separação, ainda que o menor fique sob a guarda física de apenas um dos pais.
Assim, são deliberadas em conjunto as decisões importantes que afetem a vida do filho, tais como saúde, educação, garantias econômicas, com a divisão do exercício dos direitos e deveres oriundos do poder familiar.
A guarda física e o regime de visitação são estabelecidos pelos genitores, sempre objetivando o alcance do melhor interesse e do bem-estar de seus filhos. Será fixada a residência principal da criança, que poderá ser a residência do pai ou a da mãe e o regime de visitas, sempre de comum acordo.
A guarda compartilhada difere da guarda alternada, onde cada um dos pais, em esquema de revezamento, detem a guarda do filho de maneira exclusiva, durante determinado espaço de tempo, que pode variar de uma semana, um mês, um ano.
O modelo de guarda alternada não tem sido aceito perante nossos tribunais, por razões óbvias, ou seja, ao menor cabe a perturbação quanto ao seu ponto de referência, fato que lhe traz perplexidade e mal estar no presente, e no futuro, danos consideráveis à sua formação.
Seria o ideal, que mesmo diante de uma separação, pais e filhos mantivessem o mesmo padrão de convivência diária. Mas, na verdade o que os filhos esperam não é a grande quantidade de horas e de dias, mas a qualidade desses momentos, que devem ser inundados de muito carinho, diálogo e compreensão.
A guarda compartilhada pressupõe a existência de diálogo e consenso entre os genitores, sobre a educação do menor. Além disso, a guarda compartilhada torna-se utopia no caso de litigioso dos pais. Quando os pais discutem com freqüência sobre sustento, guarda, visitas e outras questões relacionadas com os filhos, eles sofrem, tornando-se inviável a guarda compartilhada.
Entretanto, quando os pais conseguem controlar sua raiva, seu espírito de vingança contra o outro cônjuge e de forma civilizada cooperar na educação e evitar expor as crianças às brigas, a guarda compartilhada será melhor para os filhos que, com certeza, terão menos problemas.
Assim, a conclusão a que se pode chegar é que a adoção da guarda compartilhada é um ideal a ser alcançado, mas que, na maioria dos casos, é difícil de ser atingido, devido às mágoas que as separações conjugais trazem aos casais, que dificilmente conseguem ser superadas em benefício dos filhos. (grifo nosso)
Fonte: http://www.priscilagoldenberg.adv.br/artigos.asp?pag=7

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pais separados - entrevista com Roberta Palermo

Oi, gente!
O assunto desta semana no Papo de Mãe é PAIS SEPARADOS. Sobre este tema, trouxemos, com exclusividade, a íntegra da entrevista feita por nossa repórter, Rosângela Santos, com a psicóloga e terapeuta familiar Roberta Palermo, que tem muita experiência no assunto... Aos 3 anos, os pais dela se separaram e ela ficou com a mãe. Aos 12, foi morar com o pai. Aos 13, ganhou uma madrasta e uma irmã. Mais tarde, casou-se com um homem separado com 2 filhos e teve mais um filho. Chegou a cursar arquitetura, mas com toda essa experiência de vida tornou-se psicóloga e especializou-se em terapia de casais. Há sete anos, fundou uma associação de madrastas – categoria a qual pertence hoje – e é autora dos livros “Madrasta, quando o homem da sua vida já tem filhos” e “100% madrasta - quebrando as barreiras do preconceito”. O site dela é o http://www.robertapalermo.com.br/.  Confiram a entrevista!!!


RS: Filhos de pais separados: dá para ser uma criança bem resolvida?
RP: Dá sim, desde que os pais saibam construir uma relação bacana após a separação. Quando pai e mãe se separam precisam entender que a relação deles acabou, mas vão continuar sendo pai e mãe das crianças. Isso também deve ficar claro para as crianças: o casamento acabou, papai e mamãe não vão mais ficar juntos, mas vocês são as pessoas mais importantes da nossa vida. Nós vamos continuar amando vocês, mas nós não vamos mais continuar morando todos juntos. Isso tem que ficar claro.
RS: E como fica a convivência?
RP: Normalmente, como a guarda fica com a mãe das crianças, o pai se torna mais ausente. Mas isso não significa que ele tem que sumir. É importante que ele tenha os dias de convivência dele com frequência. Normalmente, são finais de semana alternados. Isso é fundamental porque toda separação traz sequelas. As perdas vão acontecer, então é importante que a criança tenha um final de semana com a mãe também. No dia a dia, a criança vai para escola, a mãe para o trabalho, então a mãe precisa do final de semana para se dedicar aos filhos. Aí, no outro fim de semana, as crianças ficam com o pai. E se as férias estiverem garantidas meio a meio, a criança vai ter um crescimento adequado. Ela não vai viver em um ambiente com briga e o pai e a mãe vão se entender para discutir os problemas relacionados a elas numa convivência bacana. O que desgasta as crianças é quando os pais não se entendem, um fala mal do outro, o pai some ou a mãe fica ausente. O problema é quando as mágoas ficam...
RS: E normalmente ficam, né?
RP: É muito difícil para um ex-casal dar conta de separar aquele homem daquele pai, aquela mulher daquela mãe. É sempre traumático... E, às vezes, a mãe ou o pai acham que precisam falar a verdade para criança. Só que a criança não quer escutar ninguém falando mal do pai e da mãe dela. Então, é perda de tempo. Só vai frustrar a criança, chateá-la. Um dia ela vai crescer, ter idade e maturidade para entender o que aconteceu com os pais dela. Quando ela tem 3, 5, 10 anos de idade, ela não tem maturidade... Normalmente, a mágoa é tão grande e é comum a mulher ter menos paciência porque ela tem a guarda, vive aquela angústia, perde a condição financeira. Então, a mãe, às vezes, fica com os gastos maiores porque pensão é sempre muito para quem paga e pouco pra quem recebe... Então, como aquele valor que ela recebe não vai dar pra suprir todos os gastos da criança, ela fica com mágoa e daí  solta “seu pai largou a gente, está fazendo outra família e nós ficamos aqui”. Então, a criança começa a ter mágoa do pai e isso vira alienação.
RS: Quando acontece a alienação parental?
RP: É mais comum a mãe se alienar porque a guarda é normalmente dela. Ela desvalida o pai ou ela some com a criança e fala mal do pai e até mente (ex: diz que o pai não foi buscar a criança...). Há uma perda muito importante nisto. A criança precisa conviver com o pai e com a mãe, senão ela fica com a sensação de abandono porque a criança acredita na mãe. Mas por mais que mãe faça isso, nada justifica o pai desistir da criança. Se a mãe some, o pai tem que entrar na justiça porque, até pouco tempo atrás, o pai era considerado o vilão mesmo.
RS: Como foi a sua experiência?
RP: Eu tive sorte depois da separação dos meus pais. Eu tinha 3 anos. Fiquei com minha mãe em SP e meu pai no interior. Minha mãe nunca atrapalhou nossa convivência. Pelo contrário, recebia meu pai na nossa casa porque era importante eu conviver com ele. Mas eu sempre quis que meus pais voltassem a conviver juntos.Eu rezava à noite e pedia para o papai do céu um presente: que meu pai e minha mãe ficassem juntos. Até meus onze anos nunca deixei de querer... Eu tive uma relação boa com eles. Nunca um falou mal do outro. Eu passava as férias com meu pai, comia super mal, voltava encardida, imunda, mas voltava feliz da vida.
RS: Quais as conseqüências para a criança que vive no meio de brigas antes, durante e depois da separação?
RP: Depende de cada criança. É um mistério. Você pode ter 3 filhos que viveram a mesma situação. Um nunca deu bola, o outro ficou numa boa e o outro nunca aceitou... Sabemos que cada um vai lidar com o problema de maneira diferente. Nos casos mais difíceis, a criança que conviveu num ambiente com brigas  tem um conlito muito grande e pode ter sequelas enormes. Começa na escola, com dificuldade para se relacionar. Ela repete o padrão que vê em casa porque é modelo que ela tem. Ela é reflexo do ambiente em que vive. Então, se ela tem brigas em casa é possível que brigue na escola. Os pais ficam bravos com a criança, mas se ela vê isso em casa, ela vai fazer... Muitos filhos falam “graças a Deus que meus pais se separaram”, porque eles não agüentavam mais ver aquele ambiente com briga. Após a separação, tudo vai depender de como ficou este ex-casal e a questão financeira. O que prejudica a criança é a ausência de um dos pais e a diminuição da questão financeira. Muitas vezes, tem troca de escola ou começam a faltar as coisas que elas estavam acostumadas... Outra questão difícil para elas é o modelo familiar. Mas isso não dá para generalizar porque elas podem construir outros modelos de família. Podem olhar para os problemas da sua família e mudar a sua vida: “nunca vou repetir o que aconteceu com meu pai e minha mãe”.

RS: Você teve uma madrasta e hoje você é madrasta. Essa relação no meio da separação mudou sua vida?
RP: Foi ruim a minha experiência com a minha madrasta porque ela não soube conduzir a relação. Ela tinha ciúmes de mim com meu pai. Ele era grudado comigo. Mas isso acontecia só nas férias e era muito chato. Eu lutava para manter meu espaço com meu pai e ele nunca deixou de fazer as coisas para mim. Mas, por ela, eu tinha perdido muita coisa. Ela tinha atitudes inadequadas. Com minha madrasta aprendi tudo o que eu não deveria fazer para os meus enteados...

RS: Você é "boadrasta"?
RP: Ah, eu sou. Nunca quis prejudicar. Mas não adianta a madrasta chegar cheia das boas intenções e a mãe falar mal da madrasta para a criança, não incluir madrasta no dia a dia. E meu marido nunca teve dó das crianças por causa da separação. Tinha limites, casa organizada. A maior dificuldade da madrasta é quando pai tem dó das crianças e medo da ex-esposa. Quando ele faz tudo o que ela quer, aceita chantagem. Não dá para conviver com pai banana... É importante que os pais saibam que não é normal se separar. Na maioria das vezes, a mãe ou pai fala “ah, hoje todo mundo se separa...” Não é nada disso! É muito cruel com a criança. É injusto... Todo filho quer o pai e a mãe juntos. Aqueles que querem a separação é porque vivem em lares com brigas. Mas no fundo, o desejo deles é apenas que os pais não briguem. A separação não pode ser vista como uma coisa normal porque está muito banalizada. Nem 8, nem 80. Nem aquilo de que “casou tem que ficar para sempre” porque não é bem assim. Todo mundo tem direito a ser feliz. Então, se tentou resgatar a relação e viu que não dá, tem que separar. Agora, tem que saber que isso vai fazer mal para os filhos.
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Para quem não assistiu ao programa desta quinta ainda tem chance de ver as reprises. Vocês já sabem: no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30). Vocês não podem perder!!! E continuem votando em nossa enquete para decidir quais serão os programas reapresentados nas férias!!!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

 
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