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terça-feira, 2 de março de 2010

Doação de Leite: entrevista

Oi gente!
Hoje, terça-feira, às 18h30, é o último dia de reprise do Papo de Mãe sobre AMAMENTAÇÃO. Quem ainda não assistiu, não pode perder. O programa está muito bacana, cheio de dicas e informações.
Bem, dando sequência ao PAPO aqui no blog, estamos publicando a íntegra da entrevista feita pela nossa super repórter Rosângela Santos com a nutricionista e também diretora de um banco de leite de uma maternidade em SP, Roberta Trevisan. Confiram o que ela tem a dizer sobre a importância da doação de leite materno!
RS: Como funciona o Banco de Leite? Toda mulher que está amamentando pode doar?
RT: O banco de leite recebe o leite humano de doação. Além disso, ele proporciona incentivo ao aleitamento materno. As nossas doadoras, ou as doadoras em geral, têm que estar amamentando. São mulheres que estão amamentando seus bebês exclusivamente no peito, ou seja, seus bebês não estão recebendo fórmula infantil e nenhum outro tipo de leite, apenas o materno. Eles têm de estar com a curva de crescimento aceitável (peso e estatura) e essas mães, essas doadoras, têm que ter sorologia negativa para algumas doenças como HIV, sífilis, hepatite B e C, e serem mulheres saudáveis. Não podem usar drogas ou serem desnutridas. Também devem ter uma condição de higiene em casa aceitável para poder colher e armazenar esse leite. Quer dizer, tudo muito simples. Nós temos muitas doadoras, muitas voluntárias, que nos ligam e querem doar. É uma atitude muito bonita.
RS: E como é feita a coleta?
RT: Nós vamos até a casa da doadora. O nosso banco de leite tem esse trabalho que facilita, inclusive, a coleta do leite humano para o nosso berçário. Nós temos um motorista, temos uma funcionária aqui dentro do banco de leite treinada para ir até a casa da doadora e explicar a ela todos os procedimentos que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pede. Então, é importante que, além da higiene, o armazenamento seja feito corretamente para quando o leite chegar no banco, seja aproveitado. Além disso, o leite que chega passa por um processo de pasteurização. E depois, existe todo um controle microbiológico para ver se este leite está propício para consumo ou não.
RS: E quem recebe o leite?
RT: Os nossos principais clientes: bebês prematuros, bebês de muito baixo peso, ou seja, bebês de UTI (semi-intensiva também), bebês de mães HIV positivas, bebês com algum tipo de infecção que precise dessa carga de imunidade para poder se recuperar. Esse leite salva vidas! O leite humano de doadora para o hospital ou mesmo o leite de mãe para filho evita milhões de mortes anualmente. Isso é comprovado pela Organização Mundial de Saúde.
RS: É uma grande gesto...
RT: É. Isso realmente é uma grande doação. A dificuldade que a mulher enfrenta em ter que ser mãe e fazer todas as tarefas que precisam ser feitas e, ao mesmo tempo, ter esse tempinho para se doar, é um gesto muito humano. As pessoas falam 'nossa, mas eu não tenho tempo, eu não tenho quem cuide do meu filho' ou 'acho que eu não tenho leite suficiente para doar'. Comece a tirar que você vai ver que tem. Um dia vai tirar um dedinho, outro dia dois dedinhos... Cinquenta, cem ml de leite que ela consiga tirar todos os dias vai salvar pelo menos uma vida na UTI neonatal naquela semana.
RS: O que representa a amamentação?
RT: A amamentação eu diria que é o gesto inicial de proteção durante toda a sua vida. De proteção emocional, de proteção imunológica, de proteção nutricional, enfim, tudo.
RS: Existe técnica para uma boa amamentação?
RT: Bom, eu não vejo como amamentar perfeitamente no início. Isso acaba acontecendo com o tempo. Existe, claro, uma teoria de abocanhar corretamente a mama para que não faça ferida no bico. O primeiro filho, com certeza, é mais difícil. Tem aquele medo, a insegurança... Então, o que eu diria para essas mães? Se no começo está doendo, se está insegura, não espere. Procure um banco de leite, onde profissionais especializados vão ajudar e vão acompanhar essa mulher diariamente, dando segurança e apoio para tudo que ela está fazendo. Às vezes, a criança é um pouco chorona, preguiçosa, então tem uma série de fatores que podem fazer com que o bebê mame de tal forma que vai rachar o bico. E aí, se rachar, haverá dor. A dor faz o quê? Que a mãe de alguma forma afaste esse bebê da amamentação. Aí vai empedrar o leite no peito, a mama vai ficar ingurgitada, dolorida. Então, para não chegar nesse ponto....
RS: Se fizer ferida, o que fazer?
RT: Ordenhar. Ordenhar-se. O ideal é que toda mulher saia da maternidade sabendo se manipular, sabendo tirar o seu próprio leite, porque esta é a única forma que ela vai conseguir alívio quando rachar o peito. O que acontece, normalmente, é que quando racha, a primeira coisa é afastar da amamentação e entrar com mamadeira. Aí o bebê começa a ter diarréia e é aquele caos na família toda: bebê chorando, mãe com dor, o peito empedrando porque o organismo não entende que tem que parar de produzir...
RS: E na volta ao trabalho?
RT: Não precisa dar mamadeira. A mãe pode voltar a trabalhar o dia todo e amamentar o bebê nas horas em que ela puder: de manhã, à noite, quantas vezes ela quiser, porque a amamentação é livre demanda, a hora que quer. Ao mesmo tempo, ela pode tirar esse leite e armazenar. Sempre congelado. Porque congelado é mais garantido que não vai haver proliferação bacteriana que vai deteriorar esse produto.
RS: E como faz para armazenar?
RT: Ela tem que tirar com um frasco de vidro com tampa de plástico - esses tipo Nescafé, maionese, que são os que os bancos de leite usam - e esterilizar. Primeiro de tudo: ferver por quinze minutos contados no relógio, em ebulição, e aí deixar secar. Não usar nenhum pano para secar esse material. Ela vai fazer  a higiene das mãos e antebraços, escolher um lugar limpinho da casa e coletar o leite. Vai deixar esse frasco no freezer. Esse leite dura quinze dias. Para dar ao bebê, ela vai descongelar em banho-maria desligado. É um leite que descongela muito rapidamente. Então, ela ferve um pouquinho da água no fogão, desliga e põe o frasco dentro. Na hora em que descongelar, deixa chegar numa temperatura corporal e pronto: está perfeito para dar para o bebê. Importante: o leite descongelado não pode ser congelado novamente e só pode ficar na geladeira por no máximo 12 horas. Se a mulher tirar de manhã para dar na hora do almoço, ela não precisa congelar. Pode deixar dentro da geladeira. Mas sempre dentro. Nunca na porta. Porque a porta tem outra temperatura e pode deteriorar o produto.
RS: Você tem filhos? Amamentou?
RT: Eu tenho. Amamentei o João Pedro, o primeiro, até oito meses e a Carolina até um ano.
RS: Fez diferença?
RT: Muita diferença. São crianças saudáveis, inteligentes, porque interfere no QI. Ao mesmo tempo, meus filhos não pegam gripe, não ficam doentes. Eu vou no pediatra uma vez por ano para acompanhar a curva de crescimento adequadamente, ver as vacinas, mas são crianças que não ficam doentes.
RS: Então você é a favor da amamentação?
RT: Totalmente. Aliás, nós aqui acreditamos muito na amamentação. E eu vejo que hoje a divulgação da importância da amamentação, da doação de leite, só está fazendo com que tudo isso melhore. Como coordenadora do banco de leite, eu digo a você que sou realizada em fazer o que eu faço. Esse trabalho é lindo. É um trabalho que vem de dentro, humano, tudo de bom.

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Realmente, é um trabalho muito bonito!!!  Sendo assim, o Papo de Mãe gostaria de convidar a todas as mães que estejam amamentando a disponibilizarem um pouquinho do seu tempo para doar leite.
Entre em contato com o banco de leite mais perto da sua casa e saiba como doar. Este gesto de amor pode salvar muitas vidas!!!
Um grande beijo,
Equipe Papo de Mãe

6 comentários:

Poesia do Bem disse...

Amei o blog, quero poder participar, estou te seguindo.Não pude amamentar e fiquei tristíssima por isso.Sou mãe coruja de Alice, estarei amdando email com minha história de vida, um milagre, ficarei feliz se desejarem colocar no programa.

Thelma Torrecilha disse...

Estou aqui para sugerir um tema. Coloquei hoje no meu blog um post sobre a dor de uma gravidez interrompida, inspirado por texto da Agência USP sobre o sofrimento e o luto das mães de natimortos. É um tema difícil, mas, muito importante. Quantas mulheres passam por isso? Perder um bebê no final da gestação é mais difícil, mas, no início, é muito comum. Os índices são altos. É a considerada seleção natural. Resolvi compartilhar a minha experiência como um recado de esperança. Depois de perder um filho, as mulheres podem ter outras chances. Vale a pena lutar, o meu Gabriel está aí pra provar.
Com o estilo do Papo de Mãe, ficaria um programa informativo e muito bonito
Beijos

Clarissa Meyer disse...

Mamãe da Alice, muito obrigada por seu relato. Emocionante!
Thelma, obrigada pela sugestão!!!
Beijos!!!
Clarissa Meyer
Equipe Papo de Mãe

Bruna Marques disse...

Caso eu queira tirar leite materno para somente dpois dar ao bebê, guardo onde?
na geladeiira, ou num isopor??
Amo o programa Papo de mãe!!

PAPO DE MÃE disse...

Bruna, leia esta entrevista acima, explica direitinho. Vc vai guardar na geladeira por no máximo 12 horas. Se preferir pode congelar. Mas tem uma série de cuidados, veja na entrevista.
Abs
Clarissa

PAPO DE MÃE disse...

Bruna, leia esta entrevista acima, explica direitinho. Vc vai guardar na geladeira por no máximo 12 horas. Se preferir pode congelar. Mas tem uma série de cuidados, veja na entrevista.
Abs
Clarissa