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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os perigos da adultização das crianças - por Solange Melo*

Solange Melo
Nos tempos atuais, as crianças estão se tornando pequenos adultos. Cada vez mais cedo, as crianças assumem responsabilidades, disputam competições e tentam se tornar cada vez mais competentes.
Pipocam no comércio artigos à venda para o público infantil que até então somente os adultos consumiam, tais como: sapatos de salto alto, maquiagem, escova progressiva nos cabelos, esmaltes e até mesmo sutiãs com enchimento.
Vestir uma criança e produzi-la como adulto é deslocá-la da fase em que ela deveria estar e jogá-la no universo adulto. Munir uma criança de sexualidade é lhe dar uma arma carregada que ela não saberá usar, até porque passa longe da criança o sentido erótico por trás do que ela veste ou usa.
Frequentar semanalmente salões de beleza e clínicas de estética já viraram hábito de muitas crianças, com a concordância de suas famílias. Na maioria dos casos, isso acontece porque a criança pede e os pais não conseguem dizer o “não” tão necessário neste momento. E o resultado é que as crianças acabam ficando totalmente desprotegidas nesse universo que ainda elas não entendem, nem conseguem dominar.
Atualmente, as crianças parecem poder tudo. Pedem tudo sem aceitar o “não” como resposta. Desta forma, acabam por perder, já que não terão outro momento para viver a própria infância. E isso certamente trará graves consequências no futuro, como um vazio pela perda da vivência saudável de uma fase da vida que não volta mais.
No decorrer da história, a infância passou por grandes transformações. Antes, a criança era relegada a último plano. Aos poucos, passou a conquistar seu reconhecimento na sociedade. Hoje, no entanto, vemos que a mesma sociedade que legitima esse ser social, usa de poder para manipulá-la e sujeitá-la a pressões sociais. E percebemos que tudo indica para uma infância a caminho do desaparecimento.
Sem dúvida alguma, a mídia é a grande vilã dessa adultização. As músicas que as crianças cantam não são mais infantis. Maquiagem, roupa, sapato, copiam adulto como se os gostos fossem os mesmos. Abraçar e pegar na mão do filho é considerado motivo de vergonha. Crianças trabalham e apresentam programas infantis. Os jogos infantis são repletos de violência. Campeonatos infantis, que antes eram apenas momentos de lazer, hoje são motivo de cobrança por excelentes resultados.
A causa de tudo isso? Interesse econômico. Visando educar as crianças a serem consumidores em potencial e cada vez mais cedo. Cabe aos pais interferirem com firmeza e equilíbrio nesse processo, impedindo esse crescimento acelerado e desrespeitoso de seus filhos e respeitando seu processo natural de desenvolvimento.
As crianças precisam de tempo para crescer e pressioná-las ou permitir que elas vivam como adultos, só resultará em seres com dificuldades, inseguranças e conflitos no futuro.
*Solange Melo é psicóloga clínica, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias em São Paulo e já participou como especialista convidada do Papo de Mãe.
 

2 comentários:

Natália a mãe disse...

Adorei o blog, já sigo vcs...E já votei em vcs no TopBlog.
Beijos
www.minhapequenamaria.blogspot.com

A equipe da Babycub disse...

A Solange falou tudo! As mães devem ficar sempre de olhos bem abertos e acompanhar todo o crescimento dos filhos, estar atentas ao amadurecimento precoce. Acredito que a infância deve ser mantida mesmo com as mudanças da tecnologia.

Parabéns pelo post!