Menino Tancrède recebe transplante e se recupera em hospital de São Paulo

Garoto tem forma rara de leucemia e mobilizou redes sociais. Saiba como também ajudar e fazer uma doação de medula.

O menino americano Tancrède Bouveret, de 11 anos, que mobilizou as redes sociais à procura de um doador de medula, passou pelo transplante na noite desta quarta-feira (29) – o procedimento terminou por volta das 20h30 no Hospital Albert Einstein. O menino tem uma forma rara de leucemia que afeta a produção de células.

A família diz estar confiante na recuperação. Luc Bouveret, pai do garoto, falou emocionado à reportagem do SPTV sobre o transplante. Ele estava usando uma roupa igual a que o menino estava na cama. Os amigos fizeram uma oração juntos para pedir que o procedimento desse certo.

De acordo com o médico Nelson Hamerschlack, “a chance de se encontrar um doador nos registros de medula varia de 1 para 20 mil, até 1 milhão”.

Mesmo com as estatísticas contra Tancrède, uma doadora compatível foi encontrada por meio de um banco norte-americano de doadores, o National Marrow Donor Program (NMDP). O material chegou na quarta, mesmo dia em que foi realizado o transplante. Na véspera, a doadora foi a um hospital nos Estados Unidos fazer uma punção no fêmur para a retirada de células-troncos.

Menino americano Tancrède Bouveret com leucemia rara fará transplante de medula óssea no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)

Menino americano Tancrède Bouveret com leucemia rara passou por transplante de medula óssea no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)

“Depois de dois meses procurando apareceu essa mulher de 20 anos que é 100% alma gêmea geneticamente do Tancrède”, disse David Arzel, também pai do menino.

A recuperação, segundo os médicos, deve demorar. O garoto precisará ficar pelo menos uma semana em internação nos Hospital Albert Einstein. “Através dessa campanha, um monte de medulas novas foram recolhidas, que permitirão a pessoas que esperavam desde anos a encontrar medulas compatíveis”, disse Luc Bouveret.

Mobilização
O drama de Tancrède foi mostrado em abril no ‘SPTV’ e mobilizou uma campanha por doação de medula que incluiu até celebridades como os jogadores Kaká e Neymar e a modelo Isabela Fiorentino. A síndrome mielodisplasica impede as células de se reproduzirem em quantidade normal na medula óssea.

Tancrede com os pais Luc e David e o irmão Elzear (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)

Tancrede com os pais Luc e David e o irmão Elzear (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)

A doença evoluiu para uma leucemia, quando as células produzidas na medula são cancerosas, ou seja, não cumprem as funções de combater as infeções, ajudar a parar os sangramentos e distribuir o oxigênio pelo corpo.

A única esperança para Tancrède é o transplante. Os pais pediram nas redes sociais para os amigos serem doadores de medula e a campanha se espalhou.

Para manter o menino saudável, Tancréde precisou ser isolado em casa e teve de fazer nestes últimos dois meses sessões de quimioterapia, 17 transfusões de sangue e sete transfusões de plaquetas. “Ele não vê a hora de poder voltar à escola”, afirmou o pai.

“A grande mensagem do Tancrède é que mesmo que agora achamos um doador para ele tem mais de 4 mil pessoas esperando doador de medula no Brasil”, destacou Arzel.

Saiba mais

“Continuem a se cadastrar nos bancos de doadores. Só uma pessoa pode salvar a vida de outra. A medula não se fabrica, não importa dinheiro, classe social ou gênero. Um humano pode salvar a vida de outro humano. E o sangue também não tem fabrica, só se doa. Todos os hospitais precisam.”

Como ser doador
Quem quiser ajudar aqueles que precisam de doação, pode fazer a sua parte aqui no Brasil. Para se tornar um doador, o processo é o seguinte: primeiro, se faz um cadastro em um banco de sangue. Depois, é colhida uma amostra do sangue, para futura avaliação genética e de compatibilidade.

A partir daí, o interessado já entra no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), que será consultado toda vez que alguém precisa de doação. Conheça, também, o site da Associação da Medula Óssea.

Se o transplante for compatível, o doador é chamado para que a medula óssea seja coletada. Para doar, é preciso ter entre 18 e 54 anos e estar bem de saúde.

Veja lista de hemocentros no estado de São Paulo:

Santa Casa de Misericórdia
Rua Marquês de Itu, 579 – Vila Buarque – São Paulo
CEP: 01221-001
Telefone: (11) 2176-7000 / 0800-167-055

Hemocentro Regional de Ribeirão Preto
Rua Tenente Catão Roxo 2501 – Monte Alegre
CEP: 14.051-140
Telefone: (16) 2101-9351

Hemocentro Regional de Marília
Rua Lourival Freire, 240 – Fragata
CEP: 17.519-050
Telefone: (14) 3402-1868 / 3402-1866

Hemocentro Regional de Campinas
Rua Carlos Chagas, 480 – Hemocentro da Unicamp
CEP: 13.083-878
Telefone: (19) 3521-8705 / 0800-7228432

Núcleo de Hemoterapia de Franca
Av. Dr. Hélio Palermo, 4181 – Santa Eugênia
CEP.: 14409-045
Telefone: (16) 3727-3666

Hospital de Câncer de Barretos – Fundação Pio XII
Rua Antenor Duarte Vilela, 1331 – Dr. Paulo Prata
Telefone: (17) 3321-6600

Hemonúcleo Hospital Universitário de Taubaté
Av. Granadiero Guimarães, 270
CEP.: 12020-130
Telefone: (12) 3625-7512 ou (12) 3625-7623

Hemocentro São José do Rio Preto
Av. Jamil Feres Kfouri, 80 – Jardim Panorama
Telefone: (17) 3201-5151 / 3201-5078
Serviço de Hemoterapia e Hematologia de São José dos Campos
Rua Antonio Sais, 425 – Centro
CEP: 12210-040
Telefone: (12) 3519-3766

Hemocentro Regional de Araçatuba
Avenida Arthur Ferreira da Costa, 330 – Aviação
CEP: 16055-500
Telefone: (18) 2102-9400

Hemocentro Regional de Marília
Rua Lourival Freire, 240 – Fragata
CEP: 17519-050
Telefone: (14) 3402-1868

Hemonúcleo Regional de Sorocaba
Av Comendador Pereira Inácio, 564 – Vergueiro
Telefone: (15) 3332-9466

Hemonúcleo Regional de Santos
Rua Osvaldo Cruz, 197 – Boqueirão
Telefone: (13) 3233-4265

Hemonúcleo Regional de Bauru
Rua Monsenhor Claro, 888 – Centro
CEP: 17015-360
Telefone: (14) 3234-4412

Dica: Assista ao Papo de Mãe Campanha por um filho e ao Papo de Mãe sobre Filhos no hospital:

 

 


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