Semana Mundial de Aleitamento Materno quer garantir proteção à maternidade no trabalho

 Por Naíma Saleh – Crescer
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Criada em 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Semana Mundial da Amamentação acontece esse ano de 1 a 7 de agosto em 120 países com o tema “Amamentação e Trabalho: Para dar certo, o compromisso é de todos”. A ideia é reforçar que a proteção à maternidade deve ser garantida pelo mercado de trabalho. “É fundamental informar as mulheres sobre seus direitos gerais nos quesitos saúde, segurança e trabalho como forma de empoderá-las para que possam exigir seus direitos e o direito do bebê de ser amamentado. As mulheres cumprem um duplo papel na sociedade, o produtivo e o reprodutivo. É necessário reconhecer e proteger esses direitos”, explica Fabiana Swain Müller, coordenadora nacional do IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network).

Segundo dados da organização da campanha, 50% das mulheres no mundo trabalham em condições vulneráveis, com baixos salários e longa jornada. Por isso, o objetivo da luta vai além da licença-maternidade. É preciso garantir que essas profissionais continuem sendo remuneradas durante esse período de afastamento, que tenham estabilidade, que possam fazer pausas para ordenhar ao longo da jornada e que disponham de um ambiente tranquilo e reservado para fazer isso.

O caminho das pedras do aleitamento

Para a mãe, o aleitamento oferece várias vantagens: contribui para acelerar a perda de peso após a gestação, protege contra o câncer de útero e ovários e ainda funciona como um contraceptivo relativo. O bebê também sai ganhando, já que o leite materno não apenas fornece os nutrientes imprescindíveis para o desenvolvimento como contribui com o fortalecimento do sistema imunológico. Então por que tantas mulheres desistem?

Para o pediatra Mario Cicero Falcão, da Universidade de São Paulo (SP), o problema não é a falta de informação sobre o aleitamento e sim a falta de estrutura para torna-lo possível. “A mulher tem consciência sobre a importância da amamentação, mas, quando ela efetivamente precisa amamentar, falta apoio”, explica.

Muitas vezes, as dificuldades começam dentro de casa. A mulher está cansada, tem que lidar sozinha com o bebê e as tarefas domésticas e, não raro, precisa ainda contornar opiniões e palpites de parentes e conhecidos que podem desanimá-la em relação ao aleitamento. Por isso, é importante contar com o apoio dos familiares, tanto no sentido de tornar o momento da amamentação tranquilo, quanto de diminuir sua carga. “Se o filho acorda quatro vezes à noite para mamar e o pai é quem levanta da cama, tira o bebê do berço e o leva para a mãe, isso já ajuda bastante”, enfatiza o pediatra.

Quando termina a licença-maternidade, que, hoje, no Brasil, tem duração de 120 dias, e a mulher precisa voltar ao trabalho, a dor de cabeça só aumenta. Segundo um levantamento realizado com 1.172 mulheres pelo Centers for Disease Control and Prevention, nos Estados Unidos, 28% das grávidas que trabalhavam e gostariam de dar o peito por pelo menos três meses não conseguiram. São poucas as que vivem perto o suficiente de onde trabalham para poder amamentar o bebê ao longo do dia e grande parte das empresas ainda não dá o suporte devido à nova mãe. A situação das mulheres que exercem atividades informais no mercado é ainda mais preocupante. Por isso, a ideia da Semana Mundial de Aleitamento Materno é reunir ativistas e defensores da amamentação que possam se articular para sensibilizar e sociedade – e principalmente as empresas – sobre a importância de zelar pela maternidade e pela saúde da mulher.

Entenda quais são os seus direitos

bebe_mae_amamentação_aleitamento_peito (Foto: thinkstock)

Uma das principais dificuldades da mulher que precisa voltar ao trabalho e pretende continuar amamentando é encontrar um local adequado fazer a ordenha. Empresas com no mínimo 30 funcionárias maiores de 16 anos de idade são obrigadas a ter uma sala de amamentação, ou seja, um espaço reservado para que a mulher possa extrair o leite. Infelizmente, grande parte das companhias não respeita a norma, o que dificulta muito a vida da mãe.

A Constituição das Leis Trabalhistas (CLT) garante que para amamentar o próprio filho pelo menos até os seis meses de idade, a mulher tem direito a dois descansos especiais, de meia hora cada um, durante a jornada de trabalho. “Este tempo deverá ser considerado, para todos os fins, como se trabalhado fosse”, explica o advogado trabalhista Daniel Ortega, Membro Conselheiro da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP). Apesar de não haver qualquer menção nas normas às mães de gêmeos, que perdem o dobro de tempo na ordenha, o advogado acredita que nesse caso específico a mãe teria direito a um tempo de descanso proporcional ao número de crianças. “Por uma interpretação mais humanizada e social das normas, entendo que o correto é um intervalo de 30 minutos para cada filho”, explica o advogado.

Vale lembrar que a mulher que amamenta precisa esvaziar a mama constantemente. Tanto pelo incômodo que a mama cheia causa quanto porque se ela para de tirar o leite, logo o organismo interrompe a produção. Quando refrigerado, o líquido dura até 12 horas na geladeira. Se congelado, pode ficar guardado por até duas semanas.

De acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde, o aleitamento deve ser exclusivo e por livre demanda, até os 6 meses de vida, e complementar, até os 2 anos.

Dica: Assista ao Papo de Mãe sobre Amamentação e ao Papo de Mãe sobre Licença Maternidade

 


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