Ministério da Saúde quer voltar a vacinar meninas nas escolas contra HPV

Por Aline Leal  Edição: Jorge Wamburg  Fonte: Agência Brasil e Portal EBC

Foto: Valdecir Galor/SMCS/Fotos Públicas (10/03/2014)

Foto: Valdecir Galor/SMCS/Fotos Públicas (10/03/2014)

O Ministério da Saúde quer mobilizar as prefeituras para que voltem a utilizar as escolas municipais para a vacinação de meninas de 9 a 13 anos contra o papiloma vírus humano (HPV), com base na experiência de 2014, na primeira etapa da vacinação, feita nas escolas, quando 100% do público alvo foi vacinado. No mesmo ano, sem esta mobilização, apenas 60% das meninas buscaram a segunda dose da vacina nos postos de saúde.

Em 2015, o número de meninas imunizadas caiu mais ainda. Até agosto, 2,5 milhões de meninas de 9 a 11 anos foram imunizadas, o que equivale a 51% do público alvo, formado por 4,9 milhões de meninas dessa idade. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse que, tanto os números no Brasil quanto em outros países, mostram a importância da mobilização das escolas. Chioro explica que o MInistério da Saúde não pode determinar que as prefeituras mobilizem as escolas, mas anuncia que está fazendo uma forte recomendação às secretarias de Saúde para que isso aconteça.

Outro motivo que levou à queda da cobertura vacinal, segundo Chioro, foi a divulgação de um falso caso de reação adversa grave, no litoral paulista. ”Ficou comprovado que era uma reação de ansiedade, e não por causa da vacina, e que deixou muitos pais ansiosos e meninas com medo. O medo prevaleceu”. Segundo o governo, 60 países usam a mesma vacina e nunca houve casos de reações adversas graves.

A vacina protege contra quatro tipos de HPV: o 16 e o 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, terceira causa de morte de mulheres no Brasil; e o 6 e o 11, que causam 90% das verrugas que aparecem no ânus e na região genital.

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer é que, em 2015, surjam 15 mil novos casos de câncer de colo de útero no Brasil. Por ano, cerca de cinco mil mulheres morrem deste tipo de câncer neste país. Izabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, alerta que a doença é precedida por lesões que podem fazer com que mulheres jovens percam partes do útero e assim possam perder a capacidade de engravidar. A especialista ressalta que, com relação ao câncer, os efeitos da imunização serão percebidos no futuro.

Em 2014, o público alvo desta vacina eram meninas de 11 a 13 anos; em 2015 são meninas de 9 a 11 anos. Mesmo assim, o Ministério da Saúde vai vacinar as meninas de 12 e 13 anos que não foram imunizadas no ano passado. As meninas de 14 anos que tomaram primeira dose, aos 13 ainda podem receber  a segunda dose.

”Todas as meninas, dos nove aos 11 anos,  tanto as que fizeram a primeira dose como as que não fizeram, devem comparecer ao posto de saúde ou à sua escola para tomar a vacina contra o HPV, mas aquelas de 12 e 13 anos que no ano passado deixaram de fazer a segunda dose ou não tomaram nem a primeira também podem aproveitar a oportunidade de se imunizarem”, afirmou Chioro.  Outro público que passou a ter a disponibilidade da vacina em 2015 foram as mulheres soropositivas para HIV. Neste caso, a vacinação começa aos 9 anos e vai até os 26.

O ministro pede aos pais que levem as filhas aos postos de saúde e explica que a vacina não vai estimular o início precoce da vida sexual da adolescente. Segundo Chioro, este pensamento levou muitos pais a se recusarem a vacinar suas filhas.

Para as adolescentes, a vacina é dada em três doses, com a segunda seis meses depois da primeira e a terceira, de reforço, cinco anos após a primeira. A menina deve estar com um documento de identificação para ser vacinada e o Ministério da Saúde recomenda que esteja com o cartão de vacinação.

Para adolescentes e mulheres soropositivas, o esquema de vacinação é diferente, já que elas estão mais suscetíveis às complicações decorrentes do HPV e têm cinco vezes mais chance de desenvolver câncer de colo de útero. Nesse caso, elas devem apresentar indicação médica e o intervalo entre as doses é diferente: a segunda e a terceira doses são aplicadas dois e seis meses após a primeira.

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