O que as mulheres temem no final da gestação?

Por Anna Mehoudar*, psicanalista

 

 

No final da gestação parece que o tempo não passa: os dias são longos e as noites intermináveis. Além da falta de posição para dormir, a cena do parto é povoada de fantasias, medos e histórias, muitas histórias. Quem já não as ouviu?

As dúvidas se multiplicam: – Como será que o meu filho vai nascer? Ele nascerá com saúde? – Terei as dificuldades da minha mãe, ou serei tão boa parideira como minha avó?

E mesmo no melhor cenário de assistência à saúde, mesmo com informações confiáveis, e o apoio de pessoas queridas, o medo do desconhecido comparece, ele é inevitável.

Em algum momento – nem que seja por uma fração de tempo – a gestante teme:

  • Não reconhecer que chegou a hora…
  • Não saber o que fazer durante o trabalho de parto.
  • Que o parto possa doer uma dor insuportável.
  • Que o bebê nasça a caminho da maternidade.
  • Que o bebê nasça com algum problema.
  • Que não tenha ninguém a seu lado.
  • Ser atendida sem respeito e dignidade.
  • Ser atendida sem competência técnica.
  • As mulheres, às vezes, têm medo de morrer.

Esses receios nem sempre se justificam, mas é importante que a mulher possa reconhecê-los e verbalizá-los. E que as pessoas próximas possam apenas escutá-las.

Assim como a confirmação da gravidez causa surpresa, e o querer e o não querer ter um filho, ao mesmo tempo, a aproximação do parto é marcada por sentimentos e emoções contraditórias. – Não vejo a hora, mas tenho medo! – Podia ser um pouco mais tarde, preciso de tempo!

Todas as mulheres vivem essas ansiedades e cá entre nós, seria estranho que a gestante não as tivesse em momento tão significativo quanto a aproximação do nascimento de um filho. Ser mãe é sempre uma grande aposta!

Sabemos que parir não é instintivo, nem natural, mas é certo que toda mãe já passou por isto! A maioria passou bem e, muitas vezes, percebemos que estes temores se relacionam mais com fantasias, histórias familiares e, principalmente, o temor do novo!

O tornar-se pai, mãe e filho exige tempo e transformações. O corpo, histórias, experiências mudam! A menina, torna-se mulher que se torna mãe, só entenderemos isto vivendo! Ao se tornar mãe é preciso aprender a observar, a cuidar, a dar banho, a trocar fraldas, a dar de mamar e, principalmente é preciso traduzir. E cada bebê tem um tempo próprio para chegar e se aconchegar. Ele precisa ser recebido com alguma calma…

 

*Anna Mehoudar é psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e autora do livro “Da gravidez aos cuidados com o bebê: um manual para pais e profissionais”, Editora Summus.

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