Asma, rinite e urticária estão entre as alergias mais comuns em gestantes

Por  Dr. José Elabras Filho, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia*

A dica é procurar especialistas antes mesmo de engravidar

 

Cerca de 1/3 da população em geral sofre de doenças alérgicas e as gestantes não são uma exceção. Durante a gravidez pode ocorrer o diagnóstico de uma nova doença alérgica ou haver agravamento de uma preexistente já conhecida. Quem faz o alerta é Dr. José Elabras Filho, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e um dos palestrantes do 44º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que será realizado entre os dias 21 e 24 de outubro, em Belo Horizonte.

As alergias mais comumente descritas, com agravo em relação à gestação, são a asma, rinite, urticária, o angioedema, eczema atópico e a anafilaxia.

“A asma ocorre em 5% a 10% das mulheres grávidas. Seus sintomas são: tosse, falta de ar, chiado e opressão no tórax, que, geralmente, vem em crises, mais comuns à noite ou pela manhã. Já a rinite afeta cerca de 50% das gestantes, e os sintomas são a obstrução nasal, coriza e espirros recorrentes”, explica Dr. Elabras Filho.

A piora da asma durante a gestação, segundo o médico, está associada às alterações hormonais, principalmente ao aumento de progesterona e estrogênios, que tem uma ação pró-inflamatória, e às alterações nos volumes dos pulmões decorrentes da própria gravidez.

“A presença do refluxo gastresofagiano, que pode piorar na gestação, seria outro fator agravante. E também é muito importante a questão da ansiedade da gestante e outros transtornos psicológicos associados, que também podem levar à manifestação dos sintomas de asma”, explica o especialista.

O sistema nervoso pode piorar as alergias através de um desequilíbrio no sistema autônomo e pela liberação de mediadores pró-inflamatórios, os chamados neuropeptídeos. As alterações hormonais e do sistema nervoso também seriam responsáveis pelo agravo e manifestação das demais doenças alérgicas na gestante.

O médico esclarece ainda que as urticárias e o angioedema, que geralmente já existem antes da gestação, também podem piorar durante esse período. As manifestações de urticária são placas avermelhadas na pele, que coçam ou ardem, e desaparecem depois de algumas horas. Já o angioedema é um tipo de inchaço das pálpebras, dos lábios, e de outras regiões do corpo.

“Deve ser dada atenção especial para o angioedema hereditário, forma grave de angioedema, que pode também piorar muito na gestação”, alerta o médico.

O eczema atópico, ou dermatite atópica, consiste no aparecimento de placas avermelhadas e que coçam bastante, acometendo principalmente áreas flexoras dos membros nos adultos.

Por fim a anafilaxia, que é uma reação alérgica bastante grave, que acomete vários órgãos, inclusive o sistema circulatório, e que pode levar ao estado de “choque”. A anafilaxia ocorre em até 2% da população em geral, e logo pode ocorrer também no período da gestação de forma proporcional.

Tratamento – A administração de um medicamento durante a gravidez requer um balanço cuidadoso entre o seu risco potencial e os efeitos da doença não tratada. “Os especialistas em alergia estão sempre atentos e utilizam os medicamentos de menor risco, nas doses apropriadas e mais seguras para as gestantes. Daí a questão da auto-medicação, que pode ser muito prejudicial, e tem que ser evitada ao máximo”, alerta Dr. Elabras.

O especialista explica ainda que, para o feto, as consequências dos sintomas das alergias da mãe são piores do que o risco inerente ao tratamento, principalmente no caso de doenças mais graves, como a asma, a anafilaxia e o angioedema hereditário.

Prevenção – Na abordagem de qualquer doença alérgica, sempre que possível, o elemento primordial consiste em evitar o contato com os alérgenos precipitantes, ainda mais durante a gravidez, de forma a permitir minimizar a necessidade do uso de medicamentos adicionais.

“Mulheres com suspeita de alergias deveriam ser avaliadas pelo especialista, o alergista, antes de planejarem engravidar, para que qualquer procedimento diagnóstico e terapêutico necessário pudesse ser realizado com mais segurança”, aconselha Dr. Elabras Filho.

O especialista chama a atenção para as alergias a medicamentos, já que, durante a gestação, podem ser necessários remédios, inclusive no parto. “Importante ter o diagnóstico e investigar riscos de anafilaxia e a necessidade de imunoterapia, pois a mesma pode ser iniciada antes da gestação e mantida”, reforça o alergista.

“A dica é: tem suspeita ou a certeza de ter uma doença alérgica, procure um alergista, se possível antes mesmo de engravidar. Não faça tratamentos por conta própria ou sem orientação médica, pois o não tratamento ou o tratamento inadequado das alergias podem ser muito lesivos à sua saúde e a do seu bebê”, avisa Dr. José Elabras.

 

 

*A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1972. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cuja missão é promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia, fortalecer o exercício profissional com excelência da especialidade de Alergia e Imunologia nas esferas pública e privada e divulgar para a sociedade a importância da prevenção e tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 21 estados brasileiros.

www.asbai.org.br


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