Papo de Mãe

Prematuros: relato de uma mãe

pmadmin Publicado em 22/04/2010, às 00h00 - Atualizado às 17h35

22 de abril de 2010


Olá, pessoal!O assunto da semana no Papo de Mãe é Prematuros. E nós gostaríamos de compartilhar com vocês o belo relato que recebemos da nossa telespectadora Karina Dutra, mãe do João Ricardo, do Rio de Janeiro. Ela nos conta em detalhes como foi a chegada do seu pequeno guerreiro, que nasceu prematuro. É uma história muito bonita, de muita força, fé e união. Confiram!CORAÇÃO VALENTEPor Karina Dutra  “Oi, meu nome é Karina e junto com o Ricardo nos tornamos pais de um lindo e guerreiro menino chamado João Ricardo. Significados:  João: Deus tem compaixão, Deus é misericordioso; Ricardo: Príncipe forte, que tem um coração valente.Essa é de fato a personalidade do nosso menino: Coração Valente. Eu e meu marido nos casamos em 2002 e desde então estávamos sonhando em ter um bebê. Tentamos algumas vezes, evitamos outras. Pensamos em organizar nossas vidas primeiro, mas depois o desejo de ter um filho vinha ainda mais forte… E assim se passaram alguns anos até que em agosto de 2007 nos descobrimos grávidos.Tive uma gravidez muito conturbada com muitos picos de pressão arterial. Então, no dia 22 de fevereiro de 2008 acordei muito inchada, mal podia fechar as mãos, pois as palmas estavam enormes, minhas pernas doíam e sentia uma dor incômoda na nuca. Liguei para minha médica e ela achou melhor que eu fosse até o hospital para verificar a pressão. Chegando lá, eu estava com 14×9, então mandaram que eu voltasse para casa, mas se chegasse a 15×9, retornasse ao hospital. Mal chegamos em casa e os incômodos aumentaram. Então verificamos que a pressão já estava em 15×9 e voltamos para o hospital, onde me encaminharam para a emergência. Lembro de ter visto no celular que eram 17 horas. Minha prima que era estudante de enfermagem ficou comigo o tempo todo, enquanto minha sogra ficava resolvendo questões de internação, ligando para meu marido, minha mãe, enfim, mantendo todos informados.Minha prima Ana foi um anjo naquele momento, me distraindo para que eu não percebesse a elevação da pressão e ficasse ainda mais nervosa. Ela sabia que era uma situação tensa e muito preocupante.Às 20 horas, ainda na emergência (era época de surto de Dengue no Rio de Janeiro e os hospitais estavam lotados, então precisei ficar por muito tempo na emergência), minha médica ligou para a plantonista para saber como estavam as coisas. Lembro de ter escutado ela dizer que havia chegado a 18×10. Fiquei preocupada, mas achei que fosse ficar tudo bem e que eu voltaria para casa, sem maiores problemas.Meia noite, minha médica chegou ao hospital, e com um ar delicado e meigo, que é típico dela, segurou minha mão e disse que havia chegado o momento: teríamos que interromper a gravidez.Aquele momento foi muito difícil. Lembro de ter olhado para a minha prima, e mesmo tentando disfarçar, vi seus olhos cheios de lágrimas. Fomos para o centro cirúrgico. Quando estava quase entrando, meu marido chegou. Eu esperei tanto por ele! Vi que ele estava com as coisinhas do nosso bebê, mal sabíamos que não seriam necessárias naquele momento…A 1h14 da manhã o nosso bebê já havia nascido, com 1,630 kg e 44 cm. Tão lindo, chorão, mas tão frágil e pequenino. Fiquei alguns segundos com ele, pude até dar um beijinho em sua testa. Foi um momento sublime em minha vida! Ele parou de chorar assim que o toquei… Mas dali fui para o CTI e ele para UTINeo.Fiquei 3 dias no CTI, pois minha pressão chegou a 22×14. O nosso bebê ficou 24 dias na UTI. Nos 3 primeiros dias, ficou recebendo apenas a visita do papai até que eu recebesse alta do CTI. Pedi para o meu marido me ajudar a me arrumar. Coloquei uma camisola azul de seda e renda, que minha mãe havia comprado para mim. Disse que eu deveria estar linda para ver meu filhote. Minha mãe é um ser muito especial! Respirei fundo e lá fomos nós: eu, meu marido e a enfermeira que empurrava a cadeira de rodas. Aqueles corredores pareciam não ter fim… Quando entrei na UTINeo me bateu um desespero. Eram tantos bebês, alguns até menores e mais frágeis que o nosso João. Não pude conter as lágrimas e chorei muito, muito mesmo!Foi aí que meu marido me segurou e falou que eu não deveria chorar, pois o João iria precisar de mim. Eu teria que ser forte para passar força para ele. Confesso que me senti fraca muitas vezes, mas quando percebia que não aguentaria, segurava sua mãozinha e dizia o quanto lhe amava. Ele tinha um olhar firme e sempre que eu falava, ele fixava o olhar em mim. Era algo mágico…Foram dias de suspense, angústia, incerteza, mas de muita fé. Meu marido e eu ficamos muito unidos naquela época, era uma espécie de solidariedade mútua. O João ficou 14 dias na incubadora, e então foi para o bercinho. Precisava apenas ganhar peso e aprender a sugar.No vigésimo terceiro dia de UTI, as enfermeiras me avisaram que eu precisaria aprender algumas coisas para poder cuidar dele em casa. Fiquei um pouco zonza, sem entender. Naquele mesmo dia, alguns bebês receberam alta. Fiquei tão feliz, mas ao mesmo tempo me bateu uma certa inveja: queria tanto estar no lugar daquelas mães! Mas eu tinha fé em Deus que meu momento chegaria logo.No dia seguinte, era dia de visita dos avós. Como só podiam ficar duas pessoas por vez, pedi que minha avó e meu avô fossem primeiro. Fiquei do lado de fora com meus sogros, até que eles resolveram dar uma saída e fiquei sozinha do lado de fora aguardando. A Drª Silvia me encontrou no corredor e falou: – E aí, está pronta? Não entendi, mas mesmo assim disse que sim. Então ela falou: – Pode ir lá, arruma ele bem bonitinho!cContinuei sem entender. Foi aí que perguntei: – Arrumar? É o que estou entendendo? – É! Ele vai para casa hoje!Minha mãe e meus sogros saíram do elevador na mesma hora e me encontraram aos prantos. Mal podia falar… Eles chegaram a pensar que havia acontecido alguma coisa ruim (afinal, vida de UTI é uma montanha russa), até que a Drª Silvia falou que o João havia recebido alta e por isso que eu estava sem voz. Foi uma festa!Então, no dia 18 de março de 2008 saímos do hospital com nosso filho nos meus braços.Depois de sua alta da UTI, ainda enfrentamos 2 internações de 10 dias cada: uma por conta de rotavírus e a outra por conta de uma pneumonia. Foram mais momentos de incertezas e angústias, mas que já foram superados.Hoje, 10 de dezembro de 2009, o João já está com quase 1 ano e 10 meses, tem 13,800kg, 86cm, fala um monte de palavras, corre pela casa toda, é birrento, bagunceiro, manhoso e gostoso. Enfim, essa é uma pequena parte da história do nosso CORAÇÃO VALENTE!Querida Karina! Toda equipe do Papo de Mãe agradece pelo seu relato que, sem dúvida alguma, ajudará muitas mães que estão passando pelo que você passou. Desejamos muita felicidade a você e à sua linda família. Muito obrigada pela audiência e pela participação! Bom, pessoal, no decorrer da semana, continuaremos tratando do tema PREMATUROS. Não percam o programa de hoje (quinta), às 19 horas e as reprises no domingo (13h30) e na terça (19 horas). IMPORTANTE!!! Antes de encerrar a postagem de hoje, gostaríamos de pedir ajuda de vocês para encontrar a família deste rapaz: Atualmente ele se encontra na Associação Beneficente de Pindorama/SP, onde vive desde 2005. Segundo informações, o rapaz – que hoje é carinhosamente chamado por Cidinho pelos funcionários da associação – foi vítima de um atropelamento de trem e chegou a ficar 5 meses internado em um hospital. Como não portava documentos e sequer lembrava seu nome ou qualquer informação que pudesse identificá-lo, foi transferido para a associação, e lá está até hoje a espera de que algum familiar o encontre. Por favor, se alguém tiver alguma informação sobre quem seja este rapaz ou sobre sua família, escreva para [email protected]. Muito obrigada pela atenção! Um grande beijo e até logo mais!