HEMIMELIA FIBULAR E O TRABALHO DA AACD

Por Mônica Paschoal Nogueira*
A hemimelia fibular é um defeito de formação dos membros inferiores, onde, geralmente, um dos membros (algumas vezes pode ser bilateral) se forma sem a parte lateral da perna, então o osso externo da perna, a fíbula, pode estar ausente ou diminuída, e pode haver menos dedos na parte lateral do pé. A alteração tem vários graus de acometimento, mas geralmente a perna não cresce igual à outra, e tem um desvio para a frente e para fora (que chamamos em valgo), que deixa o tornozelo orientado de forma incorreta (geralmente deixando o pé para o lado e na posição de bailarina – na ponta do pé),
É uma alteração ortopédica relativamente rara, 1 em cada 40 mil nascimentos, e não se conhece a causa. Sabemos que, a princípio, não está relacionada à ingestão de nenhuma substância ou conduta durante a gestação. Um gene mutante está sendo estudado, mas ainda não sabemos nem como e nem por que isso ocorre.
As crianças com essa condição têm inteligência normal e desenvolvimento adequado, e a reconstrução ortopédica, que compreende reorientação da perna e do pé e alongamentos ósseos (geralmente com a ajuda de fixadores externos, aparelhos que proporcionam o alongamento seguro e o mais cômodo possível se for realizado corretamente) proporciona membros equalizados e com boa função em muitos casos. A amputação seguida pela colocação de prótese (perna mecânica) deve ser reservada aos casos mais graves. O mais importante quando do diagnóstico pré-natal, ou mesmo após o parto, é a orientação das famílias em relação às opções de tratamento ortopédico, e dar suporte a elas, explicando a condição e tratando a situação de forma realista, porém tranquila. O importante é saber que existe o que fazer para “reconstruir ” as perninhas, e procurar a função e o aspecto estético o mais próximo possível do normal.
O trabalho da AACD em relação às deformidades de membros nas crianças, entre elas a hemimelia fibular, é o de fazer o tratamento ortopédico, associado ao trabalho de reabilitação para a obtenção dos melhores resultados funcionais. Para isso, há um grupo específico que cuida desse grupo de alterações dos membros, formado por diversos profissionais, entre eles ortopedistas, fisiatras e profissionais ligados à reabilitação.
Tenho consciência que as deformidades congênitas como a hemimelia fibular devem ser tratadas em centros de referência, com profissionais especializados, com possibilidade de intervenções multidisciplinares, incluindo profissionais de reabilitação e suporte psicológico para as crianças e suas famílias.
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*Mônica Paschoal Nogueira é médica ortopedista da AACD e do Hospital do Servidor Público Estadual em São Paulo, formada pela USP, com residência na Ortopedia da USP e formação em Reconstrução e Alongamento Ósseo de Membros na Universidade de Maryland em Baltimore. Atende também em consultório particular.
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DICA DE HOJE
REPORTAGEM DA REVISTA CRESCER
Aprendendo a lidar com as próprias diferenças
Qual o momento certo – e como contar à criança – e a todos ao redor que ela tem uma limitação física?
Quando a médica neonatologista anunciou, ainda na sala de parto, que meu filho havia nascido com uma malformação, as lágrimas de emoção deram instantaneamente lugar a um choro compulsivo… (Clique aqui para continuar lendo a matéria no site da Revista Crescer: www.revistacrescer.com.br). 

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