Como eu chamo a minha madrasta, meu padrasto?

Por Roberta Palermo*, terapeuta familiar

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Pode ser difícil para a criança nomear a madrasta/padrasto quando o conhece. Ajuda muito se os pais já apresentá-lo como acharem mais adequado: “Esse é o tio Murilo”. “Essa é a Carolina”.  É comum a criança ficar sem jeito e não saber como chamar, então é importante os adultos ficarem atentos e, nesse caso, dizer para a criança que ela pode chamar pelo nome, por exemplo.

Quando a criança espontaneamente chamar de tia/tio, tudo bem também, mesmo que pareça estranho ou fora de contexto. Com o tempo, a criança cresce e é bem provável que passe a chamar pelo nome ou o apelido que os pais usam.

Quando a criança tem um pai/mãe presente, nunca será adequado permitir ou incentivar que a criança chame o padrasto e a madrasta de pai/mãe. Pai e mãe a criança já tem. Mesmo que pareça encantador a criança gostar tanto do padrasto a ponto de chamá-lo de pai, ensine para ela que pai ela já tem e esse é o namorado/marido da mamãe, que vai ajudar a cuidar dela, terá atitudes de pai, mas pai e mãe, temos apenas um. Além de respeitar os pais, vamos proteger o padrasto e a madrasta, que se iludem ocupando um papel que não lhes pertence, e em caso de separação, não os encontrarão mais, ou quando a criança cresce, passa a não validá-los mais como pai/mãe,  o que causa um susto, uma tristeza. “Você não é minha mãe”. Como assim! Enquanto era pequeno me chamava de mãe, dizia até que eu era mais legal do que ela. Então, madrastas e padrastos precisam se proteger, pois as crianças crescem.

Caso o pai/mãe tenha falecido e parta naturalmente da criança chamá-lo de pai/mãe, tudo bem.  E se não for confortável para a madrasta ser chamada de mãe? E se ela não conseguir chamar a criança de “filha”? A madrasta não precisa chamar de filha se não conseguir. Mas será uma grande saia justa dizer para a criança que não quer que ela lhe chame de mãe. O ideal é permitir que a criança assim a chame e tente se acostumar. Caso seja realmente insuportável, a madrasta e o pai podem chamar a criança e explicar o que está acontecendo. A criança terá que lidar com a realidade que vive. A madrasta não é sua mãe.

Se a mãe/pai é ausente, pode ser que a criança chame de pai/mãe também. E se o pai/mãe aparecer um dia como fica? É possível que a criança tenha ilusões, sonhos e uma vontade enorme de conviver e até morar com essa mãe, esse pai. O padrasto, que virou pai até então, que tinha assumido todas as funções, sente uma grande invasão. Por isso é tão perigoso ocupar um espaço que não nos pertence. Se isso acontece, é importante estar preparado para a volta do ocupante principal.

Independentemente de ser o pai ou padrasto, mãe ou madrasta, tenha boas atitudes e cuide da criança. Não precisamos ter o nome de pai e mãe para dar atenção, brincar, cuidar, presentear e ensinar.

*Roberta Palermo é Terapeuta Familiar e autora dos livros: “Madrasta – quando o homem da sua vida já tem filhos”, “100% Madrasta – quebrando as barreiras do preconceito”, “Babá/mãe-manual de Instruções”, “Ex-Marido, pai presente – Dicas para não cair na armadilha da alienação parental”. Participou como especialista convidada no Papo de Mãe sobre “Pais Divorciados” e no programa sobre “Madrastas”. 

Confira as participações de Roberta Palermo no Papo de Mãe:


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