Quem disse que seria fácil?

Por Roberta Manreza, jornalista e apresentadora

-“Juliana, minha filha, tem sido um misto de emoções vê-la crescer. Difícil e, ao mesmo, formidável. Meu bebê se transformando em um linda jovem”.

 

Esse texto vai para mães de recém-nascidos, mães de primeira viagem, que acham que estão vivendo o momento mais desafiador da maternidade: o de se tornar mãe. Esse recado é para vocês. Como dizem, o tempo passada rápido, voa mesmo! Então, pode parecer repetitivo, mas é a mais pura verdade e aproveitem enquanto é tempo. Ah, e acreditem, como essa fase inicial, de tantas novidades e dificuldades, várias outras virão. E ao vencer uma etapa, vocês seguirão para a próxima.

 

Me lembro quando a minha filha Juliana nasceu. Eu não tinha a mínima experiência em cuidar de um recém-nascido e achava, ingenuamente, que seria fácil, que “tiraria de letra”, tranquilo. Com um curso feito em uma maternidade e muitas dicas de avós e amigas mães, me armei de coragem e disposição. Doce ilusão.

 

A insegurança diante de um ser tão frágil e dependente de mim, fora o cansaço físico depois de muitas noite sem dormir, me fizeram sucumbir ao medo de que não daria conta. Eu também estava me transformando, não me reconhecia mais. Era todo um universo novo, eu virei mãe e a Roberta de antes?

 

-“Acontece que os meus papéis estavam se modificando, eu tentando me reencontrar e ainda tinha você, Juliana, um bebê que chorava e eu chorava junto, não conseguia te decifrar.”

 

Eu e a minha filha ainda estávamos nos conhecendo, nos descobrindo. Foi uma época mágica, inesquecível. Uma alegria sem fim tê-las nos braços, poder amamentá-la olhado nos olhos dela e construir a nossa relação. Desta vez cara a cara, criando o nosso vínculo, apesar de tantas incertezas.

 

Ouvi da psicoterapeuta Lúcia Rosenberg uma das coisas mais belas sobre o cordão umbilical de um recém-nascido. Lúcia escreveu o livro “Cordão Mágico, histórias de mães e filhos”. A psicanalista falou em um dos programas Papo de Mãe que ela participou que o cordão entre mãe e filho é cortado e refeito inúmeras vezes, de maneiras diferentes, de acordo com a relação da vez. É isso justamente o que eu sinto, filha. E com o passar dos anos essa ligação invisível nossa foi se desfazendo e modificando. Uma constante evolução de laços e envolvimentos.

 

Coração de mãe precisa ser forte, e como! E cheio de amor para dar também! Romper o cordão umbilical no nascimento, literalmente, já é cercado de várias questões físicas e psicológicas. É a primeira grande ruptura. O bebê que ficou dentro da sua barriga e dependia exclusivamente de você, que ficou ligado a você durante toda a gravidez, ganha o mundo. E essa conexão é refeita na convivência, nos erros e acertos, sofrimentos e alegrias, aprendizagem e crescimento. Você vai renascendo como mãe.

A maternidade é uma constante renovação. No fim tudo dá certo, de acordo com as escolhas feitas por cada família, e as boas lembranças ficam na memória.

 

-“Minha filha, impossível contar quantas vezes nosso relacionamento se moldou!”

 

Hoje, a Juliana já está uma moça, cheia de opinião e certezas, trava suas próprias lutas e comemora suas conquistas. Ela realmente está crescendo, é verdade, e se tornando uma pessoa maravilhosa. Mas eu sei o quanto a Juliana, aos 14 anos, ainda tem daquela recém-nascida, que precisa do meu colo, assim tanto quanto eu preciso do seu. Sou e serei mãe dela para sempre. E para mim, a Juliana sempre será o meu bebê.

 

Vê-la deixando de ser uma criança para se tornar uma garota tão independente e segura de si me enche de orgulho. Que mãe não quer ver a filha amadurecendo, virando um adulto cheio de responsabilidades e feliz? Mas eu também gostaria de poder voltar no tempo e viver aqueles dilemas do início da maternidade. Aquele começo difícil que me fez perder o sono quando a partir do momento que a Juliana nasceu. As primeiras semanas de vida dela me deixaram quase louca, mas só me trazem deliciosas recordações.

 

-“Juliana, você totalmente dependente de mim. E eu de você.”

 

Mamães de filhos pequenos, aproveitem ao máximo em quanto é tempo. Quem disse que seria fácil vê-los crescer.

 

 

 


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