Volta às aulas: os riscos das mochilas muito pesadas

Por Dr. Maurício Martelletto, ortopedista

 

O peso da mochila não pode ser superior a 10% do peso da criança
 
Lição de casa, livros didáticos, estojo, cadernos, calhamaços de papel ─ tudo isso dentro das mochilas e, quase sempre, nas costas das crianças. Neste início de ano, milhões de crianças pelo Brasil retornam às escolas e junto com elas voltam as preocupações dos pais com alguns problemas que são comuns nesse período da vida dos filhos. Uma dúvida frequente é sobre qual mochila é a ideal para as crianças e adolescentes e qual o peso que eles podem carregar sem causar prejuízos para a coluna.
 
O ortopedista Maurício Marteleto é especialista em coluna e aponta os riscos que correm as crianças ao carregar nas costas mochilas tão pesadas. Um dos problemas agravados pelo excesso de peso na mochila é a escoliose ─ quando a coluna apresenta uma curvatura em forma de “S” ─, a cifose e a lordose são outros problemas que, dependendo do grau de gravidade, podem demandar sessões de fisioterapia ou, em casos extremos, levar até a intervenções cirúrgicas. De acordo com Dr. Marteleto, o peso das mochilas não deve ser superior a 10% do peso do indivíduo ─ isso significa que, se a criança pesa 50 quilos, a mochila não pode ter mais do que cinco.
 
“O excesso de peso, além das complicações citadas, pode interferir também no crescimento das crianças e jovens, uma vez que elas tendem a se curvar para suportar o peso da mochila e, com isso, vão acostumando mal a coluna”, ressalta o médico.
 
Além de respeitar os limites de peso recomendados, Dr. Marteleto reitera a importância das crianças distribuírem o peso das mochilas, utilizando sempre as duas alças aos ombros. O médico recomenda que os alunos evitem carregar todo o material no dia a dia, deixando os que não serão utilizados na escola ou em casa.
 
“Uma alternativa saudável para as crianças e adolescentes seria utilizar as mochilas com puxadores de mão e rodinhas, para evitar que o sobrepeso das malas cause problemas nas costas, relembrando que os pais devem, nos casos das mochilas com puxadores, observar a altura da mala em relação ao filho. Porque a criança não deve se curvar para um lado enquanto tenta puxar a mochila”, conclui o médico.
 
Dr. Maurício Martelletto é médico ortopedista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT. Há mais de 10 anos atua na área de cirurgia da coluna vertebral, sendo membro efetivo da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), Sociedade Brasileira de Patologia da Coluna Vertebral (SBPCV), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna Vertebral e da Sociedade Norte Americana de Coluna (NASS).
www.mauriciomarteleto.com.br  

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