Dia da Mulher não é dia de celebração e sim de luta


Por  Rosana Schwartz, socióloga

Especialista explica porque muitas mulheres não comemoram o Dia Internacional da Mulher

 

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado amanhã, 8 de março, é o dia que geralmente as pessoas ressaltam as conquistas pela igualdade de gênero, porém, é preciso refletir melhor. Mais de 12 mil mulheres são agredidas por dia no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 99,6% já sofreram assédio, aponta a Ong Think Olga e a diferença salarial entre homens e mulheres chegam a quase 53%, além disso são minoria em cargos de gestão, relata o site de empregos Catho. Diante desses dados como é possível festejar?

A socióloga da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rosana Schwartz, explica que é preciso ressignificar esta data, que está desgastada ou equivocada em alguns pontos. “Ninguém pode comemorar as lutas que as mulheres precisam enfrentar, o intuito é discutir problemas que impossibilitam a igualdade de gênero”. Além disso, a especialista relata que a data remete ao incêndio que ocorreu em 1857, no qual mulheres morreram depois dos patrões terem incendiado a fábrica ocupada, mas existiam outros episódios marcantes que também mereciam tamanho destaque. Por exemplo, a marcha das mulheres que acontece desde 1908 nos Estados Unidos, o movimento das Suffragettes que defendia o direito ao voto, dentre outros marcos históricos que não são lembrados.

Apesar deste cenário ainda problemático, Schwartz ressalta que a sociedade avançou nesta discussão principalmente por meio dos grupos feministas, compostos por coletivos segmentados que propõem pautas sobre problemas diversos que afetam as mulheres como assédio, presença da mulher, equidade de gênero e o combate incisivo contra a violência e descriminação da mulher, dentro de um mundo que ainda não reconhece o valor da igualdade.

A socióloga enfatiza que os homens estão em processo de transformação e que precisam compreender que a desigualdade realmente existe. “É preciso reconhecer o sexismo em torno da mulher, no qual a desigualdade é real, para então tentar descontruir o preconceito que foi alimentado ao longo dos anos”. Schwartz alerta que outras ações também ajudam a fomentar um ambiente saudável e igualitário. “Não dar risada com piadas machistas, não assistir conteúdos sexistas, não comprar produtos que relacionam a mulher como objeto e incluir essa discussão no ensino”.

 

 

Sobre o Mackenzie: A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.


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