Pediatra ensina a fazer lavagem nasal

Por Saúde4Kids*,

 

O nariz do bebê entupiu? A pediatra Dra. Ana Laura Kawasaka ensina como fazer a tão recomendada lavagem nasal em crianças. E esclarece uma série de dúvidas comuns e recorrentes nos consultórios

 

Com o que deve ser feita a lavagem nasal?

Soro fisiológico 0,9%. Pode ser spray, jato contínuo ou seringa com soro. Frascos de soro fisiológico, ao contrário dos sprays, devem ser mantidos em geladeira após abertos.

Como deixar o soro na temperatura adequada pra fazer a lavagem? 

Uma dica é colocar o frasco em contato com o corpo para deixar em temperatura ambiente. Um conselho de pediatra-mãe é deixar dentro do sutiã enquanto troca as fraldas ou faz alguma outra coisa. Também pode ser feito uma espécie de banho-maria, colocando o frasco dentro de um recipiente com água morna. Mas, atenção: não esquente demais porque isso pode irritar o nariz do bebê.

A partir de que idade pode fazer?

A lavagem pode ser feita desde recém-nascido. Somente utilize menor volume quanto mais novinho for o bebê.

Quanto de volume?

Se for só pra umidificar a mucosa, use de 1 a 3 ml. Caso a criança esteja muito gripada, com bastante muco, pode utilizar volumes maiores. Perceba o quanto é necessário pra desobstruir e fazer a secreção sair, sem a criança se incomodar muito. A ideia é realmente tirar o catarro mecanicamente empurrando com o soro. Tome o cuidado de direcionar o jato para a lateral do nariz e não para o septo.

O bebê deve estar deitado ou sentado?

Para a lavagem com spray sem ser de jato continuo o ideal é deixar o bebê sentado. Jato contínuo ou seringa pedem que a criança esteja deitada ou sentada com a cabeça inclinada para trás. Crianças pequenas podem engasgar mais facilmente quando o soro vai para a garganta. Se isso acontecer, reduza o volume de soro ou tente fazer com ela sentada ou deitada de lado.

Tem número máximo de vezes por dia? 

Não. Se o objetivo é apenas umidificar a mucosa porque o tempo está seco, bastam cerca de 3 vezes diárias. Mas, se a criança está resfriada e com muita secreção, faça quantas vezes for necessário.

Meu bebê vai engolir o soro. Isso não faz mal?

Não. Engolir soro não faz mal algum. O que pode acontecer é a criança ficar nauseada por engolir o soro, então sempre que possível fazer a lavagem antes das mamadas ou refeições, minimizando as chances de a criança vomitar. O próprio excesso de secreção e tosse pode desencadear vômito, então não pense que está causando algum mal. Se ela respirar melhor e diminuir a tosse, isso vai trazer benefício.

Meu filho tem rinite alérgica. É bom fazer essa lavagem todos os dias?

É ótimo! Já é comprovado que limpar as vias aéreas em quem tem alergia ajuda a evitar infecções e crises.

Não afoga a criança? Não vai para o pulmão?

A criança não vai afogar e o soro não vai parar no pulmão. Como algumas crianças acabam chorando e brigando na hora de fazer a lavagem, pode acontecer de elas tossirem como se estivessem engasgando. Isso é justamente um reflexo que nós temos pra não deixar o soro ir pelo caminho do pulmão. Não chacoalhe a criança e nem faça movimentos bruscos. Vire ela de lado e deixe que tussa e engula sozinha o soro.

Não dá otite? 

Se existir essa chance, é mínima e não tem nada comprovado a respeito. Agora o que é comprovado e muito sabido é que o acúmulo de secreção pode levar a otite. Portanto, o benefício de tirar a secreção é muito maior do que o risco. O importante é observar o volume de soro e a posição do bebê na hora da lavagem.

A lavagem nasal também está em demonstração no portal http://saude4kids.com/lavagem-nasal/e em suas redes sociais. O vídeo é explicativo e feito pela Dra. Ana Laura com sua filha, a bebê Clara.

*O Saúde4Kids é um portal com informações direcionadas especialmente a mamães e papais ou responsáveis pelos cuidados com as crianças nos mais variados aspectos, desde a fase bebê até a adolescência.

Foi criado em 2015 pelas médicas e pediatras Fernanda Viana, Rafaela Gato Calmon e Ana Laura Kawasaka para compartilhar conhecimentos técnicos e experiências pessoais, a fim de orientar toda a família sobre cuidados com a saúde, bem-estar e comportamento da criançada.

Nele, as profissionais abordam, de maneira espontânea e com linguagem didática, desde assuntos obrigatórios como a vacinação das crianças, até dicas alimentares, tratativas comportamentais, sugestões de lugares para passeios etc.

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