Criança Segura alerta sobre os riscos de queimaduras por uso do álcool líquido 70%

Por Criança Segura*, 

Em meio à pandemia do Coronavírus, hospitais não terão leitos para tratar os acidentados
 

Na última sexta-feira (20), a Anvisa liberou a comercialização do álcool etílico líquido 70%, que estava proibida desde 2002. A proibição da venda desse produto se deu justamente porque as ocorrências de acidentes com queimaduras são muito altas, uma vez que o álcool líquido se espalha facilmente pelo corpo ou outras superfícies.

Nos últimos 10 anos, mais de 3 mil crianças de 0 a 14 anos morreram em decorrência de acidentes com queimaduras e quase 221 mil foram hospitalizadas por este motivo, sendo gastos mais de R$195 milhões com essas internações.

No contexto de quarentena que vivemos, as crianças estão passando mais tempo dentro de casa – o que naturalmente aumenta as chances de acidentes. Em 2017, por exemplo, mais de 40% deles aconteceram no período de férias – cujo cenário é semelhante ao período de quarentena. Com as crianças em casa o tempo todo, tendo acesso ao álcool 70%, caso aconteça algum acidente, os pais ou responsáveis encontrarão os hospitais sobrecarregados de pacientes diagnosticados ou com suspeita de Coronavírus.

A previsão do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é a de que em abril o sistema de saúde entrará em colapso. Ou seja, não haverá leitos nos hospitais – sejam públicos ou privados – para atender a todas as demandas. Se, porventura, a criança (ou qualquer outra pessoa que sofra queimadura) conseguir uma vaga em um leito hospitalar – o que é bem improvável de acontecer -, as chances dela ou de seus familiares se contaminarem pelo COVID-19 são altíssimas. O que em nada colaborará para o declínio da curva de contaminação.

Caso o acidentado não consiga um tratamento correto, o que é o mais provável de acontecer atualmente, ele poderá vir a óbito ou ficar com sequelas gravíssimas devido à ausência de tratamento.

Sabemos que há outras opções mais seguras do que o álcool líquido 70% para prevenir a contaminação pelo COVID-19. Como, por exemplo, o hábito de lavar corretamente as mãos com água e sabão (que estão disponíveis na maior parte dos domicílios).

A Criança Segura é contra a liberação da comercialização do álcool líquido 70%. Recomendamos que as famílias não comprem este produto. E já para o uso do álcool em gel, aconselhamos seguir as seguintes recomendações:

– utilizar o álcool em gel somente quando não houver água e sabão por perto;

– em casa guardá-lo em local seguro, onde as crianças não tenham acesso.

 

*A Criança Segura é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. A organização atua no Brasil desde 2001 e faz parte da rede internacional Safe Kids Worldwide, fundada em 1987, nos Estados Unidos, pelo cirurgião pediatra brasileiro, Martin Eichelberger.

Para cumprir sua missão, desenvolve ações de Políticas Públicas – incentivo ao debate e participação nas discussões sobre leis ligadas à criança, objetivando inserir a causa na agenda e orçamento público; Comunicação – geração de informação e desenvolvimento de campanhas de mídia para alertar e conscientizar a sociedade sobre a causa e Mobilização – cursos à distância, oficinas presenciais e sistematização de conteúdos para potenciais multiplicadores, como profissionais de educação, saúde, trânsito e outros ligados à infância, promovendo a adoção de comportamentos seguros.