Mãe aos 40 – por Thelma Torrecilha

Mãe depois dos 40!

Quando o Papo de Mãe me convidou para escrever um depoimento sobre o tema do programa “Mãe aos 40”, fiquei muito contente, pois esse assunto tem a minha cara. Não sou um exemplo de mulher que adiou a maternidade para cuidar antes da vida profissional. Muito pelo contrário: fui mãe pela primeira vez aos 19 anos; com 23, já tinha duas meninas; e aos 44, tive o meu caçulinha, que está com 2 anos e 4 meses.
Duas novas vidas: a dele e a minha!
Essa maternidade madura tem sido o maior encanto de ser mulher. Mais do que ser mãe novamente, estou experimentando a sensação de ganhar uma nova vida de presente. É como se tudo tivesse recomeçado, e de um jeito tão diferente, tão bonito, tão colorido!… Costumo dizer que me reinaugurei. Até criei um blog para falar do que mais anima e dá inspiração à minha existência: criança, filhos!
Depois de realizar o sonho de ser mãe, educando e cuidando de duas filhas tão amadas em meio aos conflitos internos da juventude, às inseguranças da descoberta da maternidade, às dúvidas da escolha profissional, às dificuldades e desafios do início de carreira, às frustrações de um péssimo casamento e ao alívio de um divórcio libertador, às batalhas pessoais e jurídicas com ex-marido e pai imaturo e ausente, à revelação das perturbações causadas pelas feridas que trago da infância, ao reconhecimento dos meus próprios limites como ser humano e como mãe, o Gabriel é um prêmio, uma medalha de honra ao mérito.
Por tudo o que vivi desde a descoberta da primeira gravidez, aos 18 anos de idade, não mereço medalha de ouro nem de prata nem de bronze, pois não fui a melhor mãe do mundo e não fiquei entre as melhores, mas, tenho certeza, fui e sou uma boa mãe. Os meus filhos são, sem dúvida, o que há de mais sensacional na minha biografia.
Com a minha natureza, a minha história familiar, e as minhas marcas de vida não daria para fazer mais do que faço com eles. Porém, depois de tantos anos de maternidade, tenho mais consciência das minhas possibilidades e mais recursos para enfrentar os medos e as dificuldades, que são muitos, nessa infinita tarefa de ser mãe.
A maternidade era o meu sonho de menina. Segundo a minha mãe, quando me perguntavam o que eu seria quando crescesse, diferente das meninas que respondiam professora, médica ou tantas outras profissões, eu dizia: mãe!
E foi esse desejo que me deu coragem para tentar começar tudo de novo. Casada com um homem 13 anos mais jovem do que eu e sem filhos, resolvi encarar essa aventura, como contei em uma das primeiras postagens do meu blog: Gravidez depois dos 40: uma doce e arriscada aventura http://www.educarecuidar.com/2009/07/gravidez-depois-dos-40-uma-doce-e_28.html).
Nós queríamos muito e ele está aí, com dois anos e quatro meses, dando um sentido tão especial à nossa vida juntos que é difícil explicar. Nem posso dizer que o Claudio é o pai que sonhei para os meus filhos, porque nem em sonho poderia imaginar um pai tão maravilhoso. Vou percebendo a cada dia que a qualidade da relação do casal e a maturidade do pai e da mãe fazem muito bem ao desenvolvimento infantil. E sinto-me recompensada por experimentar como é bom ter uma família saudável.
Não acho que sou uma mãe melhor do que fui para minhas filhas. Não gosto dessa coisa de melhor ou pior, sou mais madura, estou mais preparada para a maternidade. E não acho que seja só por causa dos meus 46 anos de idade. Não seria a mesma coisa se o Gabriel fosse o meu primeiro filho.
Acredito que aprendi muito, amadureci demais com a experiência de mãe das meninas. É a partir dos meus erros e dos meus acertos que me esbaldo nessa maternidade tardia. Foi para tratar questões de mãe que descobri e me apaixonei pela psicanálise, e atribuo à terapia a descoberta de novas maneiras para lidar com velhos e novos problemas, o que faz muita diferença!
Costumo brincar que o Gabriel sai ganhando até na qualidade da alimentação, pois tem uma mãe que faz comida de avó. Queria ter a minha cabeça de 46 no meu corpo de 20. Tenho olhos mais compreensivos e atentos, a boca mais calibrada para falar com autoridade e suavidade ao mesmo tempo, mas, a minha coluna!…
Fisicamente, segundo o meu ginecologista e obstetra, a mulher tem as melhores condições para engravidar aos 25 anos, esse é o auge. Mas, sinceramente, ser mãe quarentona é muito mais confortável. Não é só pela maturidade, no sentido de pessoa madura. No meu caso, com essa idade, até os interesses são mais compatíveis com o que exige a educação de uma criança.
Uma mãe pode ser madura aos 20 anos e deixar de ir a uma festa para levar o filho doente ao hospital. Mas, perder uma festa é muito mais fácil para uma mulher de 40 anos do que para uma de 20. Não acho simples desempenhar todos os papéis humanos e sociais de uma mulher do século 21 em nenhuma idade, mas o que é difícil para uma mulher de 40 é muito mais ainda para uma de 20.
Embora mais cansada, sinto que aos 46 anos estou muito mais disponível para a maternidade. Não acho que precise provar mais nada para ninguém, não tenho o futuro profissional ameaçado quando tenho de escolher entre cuidar do meu filho com febre ou trabalhar. É uma fase em que a vida está mais equilibrada entre o que desejo ser e o que sou.
Para mim, a maturidade não é só mais confortável para ser mãe, é para viver. Pode parecer mais desanimada, mais sem graça, mas é muito mais confortável. Sabedoria para valorizar a paciência, a tolerância, a flexibilidade, características tão importantes para cuidar de um filho, só se adquire com o tempo. Eu só consegui uma dose razoável depois de muito tempo!
Adorava ficar torrando ao sol, esparramada numa cadeira. Agora, prefiro sombra. Adorava um programa esticado até cinco da madrugada. Agora, até duas já está bom, e só de vez em quando. Um cineminha, para chegar à meia-noite, antes de virar abóbora, melhor ainda!
Tenho me divertido muito pelos parques da cidade, adoro teatro infantil, mas, nem precisa de tudo isso: descascar uma banana e ver o Gabriel descobrir nela uma ponte, quando encosta as pontas no seu pratinho de plástico e passa o dedinho embaixo, é o melhor programa do mundo!
Por Thelma Torrecilha
Mãe da Bruna (26), da Nara (23) e do Gabriel (2)
Jornalista e Blogueira
Querida Thelma, muito obrigada por seu relato!
E obrigada também por ser uma amiga e telespectadora tão fiel e prestativa!
Muitos beijos de toda Equipe do Papo de Mãe!
ATENÇÃO!!!
Para quem pediu, o contato do Projeto Beta é http://www.projetobeta.com.br/.
Esta semana ainda tem mais PAPO sobre maternidade aos 40 e tratamentos para infertilidade: domingo, 13h30; segunda, 12h30; e terça, 18h30.  Não percam!!!
Beijos a todos a até mais!!! 

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