Artigo sobre vaidade infantil + dica de hoje

Vaidade Infantil: um perigo à saúde dos pequenos ou um exercício saudável ao desenvolvimento das crianças?
Por Larissa Fonseca*
Quem nunca se deparou com uma pequena menina tentando se equilibrar nos saltos da mãe e com o rosto todo borrado de maquiagem sentindo-se a “princesa” mais bela de todos os tempos. Ou então um menino se olhando no espelho checando se seus músculos então iguais aos do pai e enchendo seu rosto com pasta de dente dizendo que está “fazendo a barba” para deixar o rosto lisinho?
Esses são apenas exemplos de algumas das situações que mostram interesses naturais das crianças em imitar e “experimentar o universo adulto”. Apesar de muitas discussões a respeito da vaidade infantil, é fato que ela é útil e saudável. O perigo está no exagero!
Maquiagem e acessórios são parte do universo das crianças, assim como a boneca (como sua bebê), os carrinhos, o relógio, e todos os itens lúdicos que representam o universo no qual as crianças vivem e permitem que ela explore situações da vida adulta, sem realmente estarem nessa fase da vida.
Assim, para entender melhor e diferenciar as situações em que a vaidade da criança está aparecendo mais como um estímulo à sua sexualidade do que propriamente um exercício útil ao desenvolvimento, é importante atentar-se para algumas questões.
Imitar adultos e procurar identificação com esse universo do qual ainda não fazem parte é uma brincadeira saudável e faz parte da infância. O problema aparece quando esse brincar construtivo dá lugar a um culto à beleza e aparência que, não só limitam as vivências das crianças como também impedem que ela realize atividades fundamentais para o seu desenvolvimento físico e motor saudáveis.
Se a criança para de brincar porque está preocupada em sujar ou amassar a roupa, se ela deixa de sair e se divertir para ficar se arrumando e cultuando sua aparência, se no dia a dia, suas conversas e assuntos giram em torno de sua aparência ou aparência dos outros ao invés de interessar-se por assuntos diversos principalmente os do universo infantil, se ela para de se relacionar e trata com desprezo e desrespeito àquele que julga feito, gordo ou fora de seu padrão de aceitação, se sua alimentação passa a ser mais restrita, excluindo determinados alimentos comuns à outras crianças, demonstrando demasiada preocupação com sua alimentação e as conseqüências da mesma para a sua aparência (pele, cabelo, peso, celulite, etc), está na hora de prestar atenção e intervir!
Muitos pais gostam de ver seus filhos imitando-os, acha graça das filhas quererem usar saltos, maquiagens, perfume como o do pai, enfim. Mas deve existir um limite entre usar os vestidos e saltos da mamãe em uma brincadeira e só sair de casa, até mesmo para brincar usando sapatinho de salto! São inúmeros os problemas que esse tipo de preocupação e comportamento podem causar nas crianças.
É comprovado que o uso de salto alto em crianças é prejudicial para formação saudável da sua estrutura óssea, podendo gerar dores e problemas de equilíbrio, postura e coluna. Usar maquiagens, esmaltes, perfumes, xampu, cremes e demais produtos de beleza adultos também não é recomendado dado que a pele da criança é mais fina e possui outras características. Assim, esses produtos inadequados podem provocar desde reações simples como irritações e alergias leves até cegueira em alguns casos mais graves.
E as consequências negativas para esse exagero não param por ai. As conseqüências negativas no campo emocional também aparecem. Uma criança que cresce agindo e pensando como adulto não se sente à vontade com sua própria idade e tem dificuldades em aproveitar sua infância, se identificar com seus grupos e a descobrir o mundo pois está sempre sentindo-se em desacordo com sua idade. E a criança sofre muito com isso.
E a alimentação saudável das crianças também acaba dando lugar a outro tipo de situação prejudicial à saúde dos pequenos. Muitas crianças dizem que não vão comer porque estão insatisfeitas com seu corpo e têm medo de engordar. É fundamental que elas sejam instruídas e tenham a consciência de que não é o fato de se alimentar que vai fazê-la engordar ou emagrecer, e sim o que e quanto ela ingere. Ela deve estar interessada no fato do alimento fazer bem ou mal para sua saúde e não se ele engorda ou emagrece!
E quando a vaidade infantil representa um comportamento positivo?
Ser vaidoso é algo positivo quando está relacionado ao cuidado e bem estar. A vaidade da criança deve ser direcionada para o auto cuidado e isso significa mostrar a ela que o importante é manter sua higiene e cuidados com sua saúde física, mental e bem estar e não as roupas que vai usar.
Afinal, de nada adianta usar roupas de marcas famosas, maquiagens e cremes caríssimos ou comprar os sapatos da moda, se não se toma banho, não cuida da higiene bucal, assiduidade das unhas, limpeza dos cabelos, cuidados com os órgãos vitais e saúde do corpo, enfim.
É importante passar para as crianças valores como: não adianta ser bonita se levar uma vida fútil, de nada adianta ter um corpo esguio se a saúde está deteriorada e a cabeça está vazia e, principalmente, ser admirada pelos outros estando infeliz consigo mesma só trará insatisfação e tristeza.
A criança deve ter prazer em se cuidar e não ser escrava de sua aparência para sentir-se aceita, amada e respeitada. A vaidade é algo positivo quando trata-se de uma brincadeira na qual as crianças estão apenas buscando referências de figuras femininas e masculinas de modo lúdico e inofensivo e têm limites construtivos impostos pelos pais.
Com isso, ao invés de simplesmente proibir determinados comportamentos das crianças, os pais devem oferecer opções adequadas para a criança. Se a criança quiser usar uma roupa inadequada, explique o por que de sua reprovação e mostre a ela outras duas opções de roupas lindas e apropriadas para que ela ainda sinta-se com liberdade para escolher, porém diante de uma adequação que os pais julgam correta, elogiando muito a criança para que ela sinta-se bem e valorizada.
E qual o papel dos pais nesse processo?
Os pais são os responsáveis pela integridade da criança e devem ter firmeza com amor e respeito para instruí-la, guiá-la e educá-la. Fique atento para não exagerar reprimindo as manifestações de feminilidade ou masculinidade, fazendo com que a criança sinta-se culpada por cultivar qualquer hábito ligado à vaidade.
Lembre-se de que cultivar a saúde é positivo e deve ser incentivado nas crianças! Como primeiras referências de uma criança, os pais devem dar o exemplo e ficar atentos com exageros em relação à sua própria vaidade.
Procure diferenciar uma brincadeira de faz de conta como vestir-se como os pais em casa e querer sair de casa para ir aos lugares todos os dias sempre impecavelmente arrumado. A criança deve brincar de ser adulto e não viver como um!
Observe atentamente e diariamente o comportamento de seus filhos, sempre dialogando, intervindo quando julgar relevante e mostrando quais são as coisas mais importantes que devem valorizar, como a saúde ao invés da beleza física e a aceitação de como são.
A vaidade excessiva na infância contribui para que as crianças deixem de viver etapas fundamentais de seu desenvolvimento e crescimento comprometendo aspectos sociais, emocionais, físicos e escolares.
Os maiores prejuízos são causados pela limitação ou ausência das vivências infantis, das brincadeiras e atividades que explorem seu desenvolvimento psicomotor, como correr, pular, subir em árvores, andar de bicicleta, mexer com tinta, se sujar, enfim.
Assim, valorizar e criar tempos e espaços para as crianças serem crianças é proporcionar uma educação saudável e construtiva para formar um adulto seguro, feliz, crítico e saudável.
*Larissa Fonseca é pedagoga, pós-graduada em Educação Infantil e Psicopedagogia,   especialista no Universo do Brincar pelo Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena e em Psicanálise e Educação pelo Instituto de Psicologia da USP. Participou como especialista convidada do programa Papo de Mãe sobre VAIDADE INFANTIL exibido em 22.05.2011. Contato e informações: http://www.larissafonseca.com.br/.
***
DICA DE HOJE
Reuniões do Grupo MadreSer
A gravidez, embora seja um fenômeno natural e comum em nossa sociedade, ainda é vivenciada com muitas dúvidas. Mesmo que programada e desejada, quando confirmada, gera insegurança, medo e ansiedade.

Pensando em auxiliar a mulher a vivenciar da maneira mais positiva esse período, foi criado em Sumaré o Grupo MadreSer!
O MadreSer tem como objetivo principal dar apoio, suporte e informação baseada em evidências científicas a toda e qualquer mulher interessada em maternar ativamente. Nossa equipe acredita no protagonismo feminino durante o processo de gestação, parto e pós-parto, assim como na importância da informação de qualidade no processo de amadurecimento dessa mulher como gestante, mãe, mulher ativa.
Nossos encontros são mediados por uma equipe multiprofissional especializada atenta aos temas relacionados a esse período, ajudando assim amenizar as ansiedades naturais do processo e fornecendo respostas às questões que assombram as gestantes e casais grávidos. Discutimos os direitos da gestante, pré-natal, parto, pós-parto, a escolha do hospital, sexualidade, alimentação, exercícios físicos, preparo para a amamentação entre outros temas, conduzindo a uma experiência gestacional e de parto bem positiva, com queda significativa na depressão puerperal e grande sucesso na amamentação.
Se você se preocupa com sua gestação e seu bebê, participe de nossos encontros!!!
O Grupo Madreser está todas as quintas-feira, das 19:30 às 21h na Sala Cultural do Villa Flora, em Sumaré/SP, esperando por você.
Contatos: madreser@gmail.com – http://madreser.blogspot.com/ – F: (19) 9152.1980

Tags: