Amizade na Infância – por Larissa Fonseca *

 
Já dizia a música: “Se tem bigodes de foca, nariz de tamanduá… também um bico de pato e um jeitão de sabiá… mas se é amigo, não precisa mudar…”
  
Ah como é bom ter amigos! A origem da amizade pode vir do nosso instinto de sobrevivência e da necessidade de proteger e ser protegido por outros. Nossos amigos, normalmente, são aqueles com quem estabelecemos uma relação afetiva que envolve o conhecimento mútuo, cumplicidade e com quem dividimos diversos momentos importantes em nossas vidas. 
Os amigos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento social e emocional das crianças. É nessa relação com aqueles que, normalmente, a criança se aproxima por afinidade, que ela experimenta e aprende que existem outros pontos de vista sobre tudo. Durante essas experiências vividas fora do âmbito familiar, a criança vai adquirindo habilidades no convívio em grupo e tem a oportunidade de vivenciar e conhecer outros modelos de relações. Ter amigos proporciona à criança uma infinidade de aprendizagens sobre diferenças e semelhanças, limites, respeito, competição, solidariedade, etc.
É na amizade que a criança se sente parte de um grupo, identifica afinidades, percebe-se dentro de um contexto, fortalece suas crenças, o que traz mais confiança para ela. São com os amigos que a criança compartilha experiências, estabelece vínculos e encontra aliados aos seus interesses, o que aumenta sua autoconfiança. E por mais que os pais queiram e tentem que seus filhos fiquem amigos dos filhos de seus amigos, ou de crianças específicas que considerem adequadas, a amizade vem da afinidade. 
Claro que, especialmente no mundo de hoje, os pais devem ficar atentos às amizades dos filhos, afinal amigos exercem enorme influência no comportamento da criança e do adolescente. Mas tentar impor uma relação que pressupõe afinidade, afeição e confiança, não costuma funcionar. A escolha dos amigos faz parte do processo de socialização das crianças. Para ser amigo, não precisa gostar das mesmas coisas e pertencer ao mesmo círculo social.  
Existem crianças mais sociáveis que têm mais facilidades em se aproximar de outros e de desconhecidos. Outras são mais reservadas e sentem-se mais à vontade em um ambiente conhecido. E não há nada de errado com isso! Cada criança tem sua personalidade e necessidades. Os pais só devem ficar atentos com as crianças que apresentam interesse excessivo e dependência do outro, ou com aquelas que não se relacionam com ninguém. Nesses casos, é indicado procurar um especialista.
A amizade é algo muito importante na vida das crianças e dos adultos também. Assim, incentive seu filho a ter amigos, sejam eles aqueles especiais, os melhores amigos, colegas, companheiros, parceiros de brincadeiras, enfim! E voltando à música do início desse texto: “bom mesmo é a gente encontrar um bom amigo…”
*Larissa Fonseca é pedagoga. Participou como especialista convidada do Papo de Mãe sobre “Amizades do meu filho” , exibido em 05.08.2012.

Tags: