ENURESE NOTURNA: DÚVIDAS FREQUENTES


01- O que é enurese noturna?
É definida tecnicamente como uma micção involuntária completa, ou quase completa, durante o sono, em criança com sistema urinário íntegro, na idade em que o controle esfincteriano está habitualmente presente. Ou seja: é a continuação do hábito involuntário de fazer xixi na cama após a idade em que as crianças já devem controlar a urina.

02- A enurese noturna é hereditária?

Sim, isso é verdadeiro. Dois terços dos pais enuréticos poderão ter filhos com sintomas da enurese.

03- O que é enurese noturna primária?

É quando a criança passa dos 5 anos de idade, sem nunca ter apresentado um período prolongado de controle da urina.

04- O que é enurese noturna secundária?

É o tipo de enurese noturna caracterizado pelo seguinte quadro: a criança já apresentou um período de, pelo menos, seis meses de controle esfincteriano, ou seja, parou de fazer xixi na cama por um bom tempo mas, de repente, voltou a perder urina durante o sono, aparentemente sem explicação.

05- Qual a explicação para a ocorrência de enurese noturna secundária?

Eventos traumatizantes ou momentos de estresse impactantes podem explicar a perda urinária noturna durante o sono em crianas e em adultos.

06- A enurese noturna pode desaparecer sem tratamento específico?

Há casos em que a enurese noturna desaparece sem qualquer tratamento. A questão é que não conseguimos saber os casos que vão se superar espontaneamente, nem quanto tempo pode passar até que isso aconteça. Além disso, não há possibilidade de se saber em que escala o estado emocional da criança poderá ficar comprometido por conta da enurese.

07- Quando devo suspender o uso da fralda do meu filho?

Geralmente, a criança deve abandonar o uso da fralda entre 2 e 3 anos de idade. Inicialmente, tira-se a fralda durante o dia. Quando a criança começa a acordar seca com alguma frequência, recomendamos tentar tirar a fralda também à noite. Lembre-se de que devemos respeitar as individualidades, pois cada criança tem seu ritmo de desenvolvimento.

08- A enurese noturna pode interferir no desempenho escolar da criança?

Muitas vezes as crianças enuréticas apresentam a auto-estima baixa, o que interfere no comportamento emocional, ou seja, elas podem se tornar tímidas, retraídas, envergonhadas e até deixar de acreditar nas próprias capacidades. O comprometimento emocional exerce influência sim sobre a atenção, a concentração e, consequentemente, no rendimento escolar.

09- Até qual idade devemos aguardar para saber se é necessário tratamento para enurese?

A partir dos 5 anos, se a criança ainda urina na cama, deve-se procurar tratamento especializado, pois é uma idade em que a criança começa a ficar incomodada com a enurese, podendo sofrer emocionalmente.

10- Depois dos 5 anos de idade, fazer xixi na cama é sinal de doença?

Doença não, mas desenvolvimento defasado. Consideramos que a continuidade do hábito involuntário de fazer xixi na cama após os 5 anos é decorrência de uma defasagem do desenvolvimento do cérebro na identificação da bexiga cheia, durante o sono. Além disso, nessas crianças, o hormônio vassopressina, que regula a formação da urina, é secretado em volume menor do que o ideal para o controle da enurese.

11- São necessários exames laboratoriais para o diagnóstico da enurese noturna primária?

Os exames, no caso da enurese noturna primária, são dispensáveis, pois o diagnóstico é feito pela história clínica do paciente e pelo exame clínico. Existindo suspeita de comprometimento neurológico ou urológico, recorremos aos exames laboratoriais, radiológicos, ultrassonográficos entre outros.

12- Existe um tratamento que sane a enurese noturna para sempre?

Várias terapias podem ser usadas, mas não um tratamento único, capaz de resolver todos os casos. Cada criança se adapta melhor a uma das opções disponíveis. Com orientação adequada, os resultados começam a aparecer em poucas semanas. A criança que fazia xixi na cama diariamente, passa a reduzir o número de noites molhadas progressivamente. As reavaliações periódicas são necessárias para a correção das doses dos medicamentos prescritos.

13- Quais os tratamentos utilizados?

Os mais difundidos atualmente são: mudança de hábitos: beber menos líquidos no período noturno; esvaziar a bexiga antes de se deitar; abolir o uso de faldas para desacostumar a criança ao conforto de urinar na cama; não despertar a criança durante a madrugada para urinar, a fim de que aprenda a acordar sozinha quando precisar urinar; adoção de comportamentos motivadores: comemorar cada noite sem xixi na cama. Medicamentos prescritos pelo médico aumentam a ação antidiurética da vasopressina, evitando a perda de urina durante a noite. Condicionamento por alarme: ao detectar as primeiras gotas de urina na roupa da criança, o alarme toca e ela acorda, podendo terminar sua micção no banheiro.

COMPORTAMENTO INADEQUADO DOS PAIS PODE AGRAVAR A ENURESE
A conduta inapropriada dos pais diante da enurese pode piorar a doença e ter reflexos na recuperação da criança. Segundo psicólogos, na infância os adultos são modelos de comportamento e sua influência acontece, na maioria das vezes, de forma inconsciente.

A USP (Universidade de São Paulo) alerta que quando os pais participam do processo de recuperação do enurético através do diálogo, oferecendo apoio, carinho e orientando-o a lidar com situações de stress, baixa auto-estima, infelicidade e o bullying na escola, os prejuízos à criança serão menores.

Quando a família negligencia a doença, o impacto das punições desnecessárias e das ridicularizações em casa ou em público podem afetar o processo de socialização dos pequenos, trazer danos ao relacionamento familiar e causar traumas psicológicos que podem ter reflexos por toda a vida.

As crianças que fazem xixi na cama tendem a desenvolver sentimentos de culpa, ansiedade, problema de autoconfiança, apreensão, depressão e até comportamento agressivo. Fatores que estão ligados à vergonha que a criança sente, frustração por não conseguir controlar a urina, sentimento de diminuição perante seus colegas e familiares.

Não se trata apenas de um constrangimento ou frustração para os pais, a disfunção representa uma grave humilhação para a criança. Impossibilita o doente de desenvolver tarefas comuns na infância como passar a noite fora de casa (de um amigo ou familiar, participar de acampamentos, eventos…) por que temem a reação agressiva dos pais e ficar expostos a situações em que sejam motivo de gozação entre os colegas.

Antes de consultar seu médico, observe se a criança tem urgência para urinar e se isto está virando hábito, fique de olho se as perdas involuntárias de xixi ocorrem várias vezes ao dia e se há dor. Esses são alguns dos fatores que devem ser observados para avaliar se é enurese. Quanto mais rápido for tratada, menores os prejuízos sociais e traumas psicológicos para a criança.

SUPERANDO A ENURESE SEM TRAUMAS

Logo que diagnosticada e ao longo do tratamento, a Enurese deve ser considerada em todos seus aspectos. O comportamento familiar, convívio, socialização, expressão, comunicação e todo universo que envolve a criança serão imprescindíveis para seu desenvolvimento.

Nem todas as crianças estão maduras o suficiente para entender o tratamento e comprometer-se a realizá-lo de maneira saudável, sem que este seja um passo traumatizante. Todos devem estar cientes de que a culpa pelas perdas urinárias não são de responsabilidade ou culpa da criança, pois acontecem involuntariamente, a opressão e a punição só agravam a compreensão da doença e atrapalham o progresso do paciente.

A colaboração dos pais em motivar a criança através do reconhecimento pelas noites secas e esforço em se cuidar, o diálogo e a participação ativa durante o tratamento, aceleram e colaboram para que o sucesso seja alcançado.

Criar expectativas saudáveis, incentivar atividades sociais, e principalmente observar a ingestão hídrica diurna e micções regulares, são tarefas assumidas a princípio pelos pais e cuidadores, até que se tornem hábito ou que a criança adquira o controle total da função miccional.

O comportamento em relação à Enurese influenciará a maneira que a criança percebe o mundo. Os pais devem cuidar para que essa experiência seja positiva e que a aprendizagem predomine em relação ao incômodo, ensinando conceitos como respeito, solidariedade, responsabilidade, amizade entre outros sentimentos indispensáveis para que a criança cresça em um ambiente seguro e livre.

Fontes: www.einstein.bre www.semxixinacama.com.br


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