“13 Reasons Why”: um alerta aos pais

Por Patricia Medici*, psicóloga

Há 20 anos trabalho como terapeuta e  14 com terapia familiar. Além disso, tenho um filho na adolescência e uma filha na universidade morando fora de casa e quero falar como mãe e profissional sobre uma série televisiva que está mexendo com a cabeça dos jovens e preocupando os pais.
Meus dois filhos assistiram a série e me relataram a influência na baixa do humor que sentiram. Para o meu garoto de 16 foi muito mais relevante do que para minha filha de 19. Ainda, que eles não estejam passando por um processo depressivo, a série mexeu com o estado emocional deles de uma forma preocupante. 
Penso que a série possa ser responsável pela piora do estado emocional de um adolescente que estiver passando por um processo depressivo severo e, ao assistir a série, ele possa encontrar aquilo que pensa ser uma solução para grande abismo e escuridão que está. 
O suicida não quer tirar sua vida, ele quer tirar sua dor! Na busca por encontrar a solução para seus problemas, por estar depressivo, distorce o real (o ‘’eu’’, o outro e o mundo) para o negativo e , nessa procura, não consegue ver uma saída. Se jovem estiver passando por situações como as que a série relata, sem ajuda familiar ou profissional, de fato pode encontrar no suicídio a solução.
A série tem um enfoque maior na vingança e culpa daqueles que fizeram a protagonista Hanna sofrer. O enredo não explicita que sua família possuía problemas de relacionamento, porém há uma grande desatenção a verdadeira necessidade dela.
Pais, educadores, amigos e familiares estejam atentos aos sintomas depressivos.  Eles podem ser mascarados e, às vezes, sutis. Ao sinal de desmotivação, queixa de cansaço excessivo, muito sono e irritabilidade, busque ajuda. São essas pequenas alterações, que podem nos sinalizar que algo não está certo.
Nem todo depressivo é suicida, mas todo suicida está gravemente deprimido.  Mas como saber quem é um e qual é outro ? Somente quando é indagado por seus desejosos suicidas, é possível que ele fale sobre sua desesperança e de razões que possui para não acreditar que vale a pena viver. Se a família e o profissional ajudá-lo na resolução dos seus conflitos, o jovem com intenção de tirar a vida, pode ter uma chance de enxergar razões para viver.
Nossos filhos não são “aborrescentes”, não use este neologismo para justificar um comportamento normal dessa idade totalmente influenciada pela revolução hormonal. Investigue e esteja perto dos seus filhos e amigos, contribuindo com momentos de alegria e amor.

*Patricia Medici é psicologa clínica e familiar. Especialista em terapia cognitiva.

Pós-graduada em terapia cognitiva pelo Instituto de Terapia Cognitiva ligada a Universidade da Pensilvânia e ao Beck Institute . 
Papo de Mãe recomenda: 
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