Escolas precisam conhecer mais sobre epilepsia

Foto: Pais&Filhos

Associação Brasileira de Epilepsia (ABE)*,

O conhecimento sobre a doença e como lidar com os pacientes no ambiente escolar é imprescindível para transformar a escola num ambiente seguro e inclusivo, até mesmo porque depois da família, a escola é a instituição mais importante para a construção da identidade social de uma pessoa. No contexto da epilepsia, muitas vezes o paciente é visto com olhares preconceituosos, principalmente quando está exposto em momentos de crise, como a convulsão, impactando diretamente nas relações sociais, além da autoestima, autoconfiança e motivação. Por isso, é muito importante que diretores, coordenadores, professores e todos os funcionários que estão nesse ambiente estejam preparados, para incluí-los no ambiente social e evitar que os colegas tenham medo ou preconceito.

 

 

 

  • A epilepsia é uma doença crônica caracterizada por crises epilépticas,que ocorrem devido a uma atividade excessiva das células cerebrais, causando nos pacientes comportamentos, sintomas e sensações anormais, incluindo, algumas vezes, perda de consciência;
  • A causa mais comum de epilepsia em todas as idades é a genética,embora isto não signifique que ela é herdada. Já as causas adquiridas mais comuns variam com a idade. Na criança, a etiologia mais frequente é a falta de oxigênio no parto. Já no adulto, temos as infecções e os traumas de crânio e, nos idosos, os acidentes vasculares cerebrais.
  • De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5% da população terá ao menos uma crise epiléptica na vida. Nesse sentido, a informação e o conhecimento são fundamentais para lidar melhor com a enfermidade.
  • De acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), a epilepsia tem incidência de cerca de 50 milhões de pessoas no mundo e 3 milhões de brasileiros, e o uso regular de uma ou duas medicações, a maioria delas distribuídas gratuitamente na rede pública, é capaz de controlar adequadamente as crises epilépticas em 70% dos casos.
  • Pessoas com epilepsia, mesmo com crises não controladas, não necessariamente apresentam algum tipo de dificuldade cognitiva. Porém, podem ocorrer alguns prejuízos em funções cerebrais, como a memória, atenção e raciocínio, o que depende de diversos fatores, como o tipo e a frequência das crises e a dosagem dos medicamentos utilizados para tratamento.
  • Tratar inadequadamente um paciente enquanto está tendo uma crise pode desencadear uma disseminação de preconceitos e estigmas, maus tratos e bullying por quem está por perto, principalmente, os colegas.
  • Os profissionais de educação têm o papel de observar o grau de iniciativa, participação e de motivação das crianças com epilepsia. Diferentes estímulos à cognição e expressões de credibilidade por parte do professor são fatores que também podem beneficiar a autoconfiança e seguraça do paciente, fazendo com que seu rendimento seja cada vez melhor.

Projeto Escola

  • Recentemente, a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) iniciou um projeto de educação sobre a doença em 92 escolas da rede estadual da zona sul de São Paulo. A ideia é conscientizar e ensinar todos os membros da diretoria e coordenação, professores e funcionários das escolas sobre as características da doença e suas manifestações, como a atitude que se deve tomar durante as crises e como evitar/eliminar estigmas e preconceitos dos colegas para que a autoconfiança e autoestima do paciente não sejam impactadas negativamente.
  • O projeto da ABE é dividido em etapas, com reuniões para cada grupo de profissionais mencionados. Na fase atual do projeto, em que se reforça a importância da escola como potencial elemento na diminuição do preconceito acerca da epilepsia, há a realização de treinamentos dos profissionais da Educação para disseminação do conhecimento. Posteriormente, haverá um professor responsável em levar o material adiante, abordando o tema em sala de aula e fazendo com que a epilepsia seja percebida como uma doença que não impossibilita o indivíduo de viver normalmente. Cerca de 100 mil alunos serão impactados pela ação, o que significa um avanço em direção à desmistificação da epilepsia e inclusão dos pacientes na sociedade.

*Porta-vozes: 

– Dra. Maria Luiza Manreza –  Doutora em Neurologia pela USP

– Dra. Letícia Sampaio – Médica neurologista infantil e neurofisiologista clínica 

– Dra. Laura Guilhoto – Médica neurologista pediatra pela USP

 

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