Congelamento de óvulos: quando e por quê?

Por Dr. Alfonso Massaguer*, especialista em reprodução humana

Conheça as histórias de 3 mulheres que decidiram adiar a gravidez e realizaram o sonho da maternidade

A escolha de engravidar é um ato de coragem e doação. Ato a dois ou individual que culmina no nascimento de uma nova vida e de uma nova família. Muitas vezes, os caminhos parecem tortuosos e algumas mulheres encontram dificuldades ou decidem esperar para gestar seus filhos.

Depois dos 35 anos, as mulheres não têm mais os mesmos níveis hormonais e os óvulos estão mais envelhecidos tornando-as menos férteis. Nos tempos atuais, quando as mulheres valorizam suas carreiras e a ascensão profissional – ou têm contratempos e impossibilidade de engravidar -, cada vez mais procura-se alternativas para driblar o acaso e escrever o próprio destino. Atualmente, a evolução das técnicas na medicina reprodutiva têm sido cada vez mais rápida para ajudar as mulheres que querem ou precisam postergar a maternidade. 

A engenheira Charlana Rodrigues, 40 anos, é mãe da pequena Camila, de quatro meses. A história dela começou aos 37 anos quando terminou seu primeiro casamento. “Sempre fui workaholic e não pensava até então em ter filhos“, pontua. “Minha prioridade sempre foi carreira, viajei muito, para todo o Brasil e para muitos países. Não me sobrava tempo para pensar em uma vida que dependesse de mim”. 

A engenheira lembra que durante o processo de separação a ideia da maternidade vinha à cabeça e o relógio biológico começou a apitar. “Poxa, tá começando a chegar a hora. Pode demorar para eu encontrar um novo companheiro que também queira um filho “, relembra. 

Charlana procurou ajuda da Clínica Mãe, que é especializada em fertilização humana, e congelou seus óvulos como forma de preservar sua fertilidade para o momento mais adequado. Demorou pouco para a engenheira encontrar o parceiro que, de acordo com ela, também quisesse embarcar na aventura de formar uma família.  Mas, o casal teve dificuldade para engravidar de forma natural e decidiu recorrer à fertilização in vitro. O tratamento foi um sucesso, “a sensação de pegar o positivo é indescritível. Você fica um pouco tensa porque há riscos de intercorrências”, lembra eufórica. E quando a pergunta é sobre como é ter filho após os 40 anos, ela revela: “Eu acho que ter o filho mais velha, para mim, foi muito melhor. Sou muito mais experiente e estabilizada do que há dez, vinte anos. Já tenho um reconhecimento profissional e estabilidade financeira para criar minha filha – muito mais do que se fosse mais jovem”. 

Os motivos para a advogada R., de 48 anos, adiar a gravidez também envolviam sua vida profissional. Jurista competente, tinha enormes demandas profissionais, uma agenda lotada de viagens e muitas horas de estudo. “Eu priorizava a vida profissional e os estudos e fui adiando a maternidade ano após ano”, relembra. “Adiar é uma opção, mas eu quero ter filhos”, afirmava antes de tomar a decisão, aos 46 anos, de congelar os óvulos na Clínica Mãe. “Qualquer decisão seria definitiva – ter ou não ter. No momento eu não estava em nenhum relacionamento que me fizesse querer ter filho. Perguntei para a minha médica da Clínica Mãe como era o processo e decidi que já não queria mais esperar. Havia chegado minha vez”, conta R..

O tratamento de fertilização foi feito com o esperma de um doador de um banco genético e teve resultado positivo logo na primeira tentativa.  A filha tem hoje dois anos e é a grande companheira da mãe. “Foi uma decisão não ter filhos cedo, mas eu queria ter filhos”, afirma ela. “Eu tinha uma estrutura para receber e criar uma criança sozinha. Somos uma família que tem a mãe, mas não o pai. Tinha tranquilidade nesta questão: posso dar uma boa educação, estrutura, coisa que não poderia quando mais jovem. Foi uma criança muito esperada, amada e bem recebida por todos da família”, conta sorrindo ao afirmar que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito por ter tomado a decisão de fazer uma produção independente.

“O caso de R. exemplifica os dilemas enfrentados por muitas mulheres na sociedade atual”, pondera Dra. Paula Fettback, especialista em reprodução humana da Clínica Mãe. “O sonho da maternidade muitas vezes é adiado em virtude dos estudos, trabalho e dedicação à vida profissional. Esta história de demonstra de uma maneira bastante clara como a reprodução assistida pode contribuir para a realização do sonho da maternidade e para a formação de muitas famílias, livres de tabus e preconceitos”, conclui. 

Em 2015, a enfermeira e dentista Bárbara Campos recebeu o diagnóstico: estava com linfoma de Hodking um tipo raro de câncer que tem origem nos linfonodos – gânglios – do sistema linfático, um conjunto composto por órgãos e tecidos que produzem células responsáveis pela imunidade. Sua melhor chance de recuperação, de acordo com os médicos, era receber um transplante de medula óssea, procedimento que aumenta muito as chances de esterilidade. A jovem tinha 23 anos e, diante do risco de complicações durante o tratamento, temia não poder mais engravidar. “Quando eu descobri a doença e escutei a opinião de alguns médicos, pensei: não vou conseguir realizar meu sonho de ser mãe. Um sonho tão básico de uma mulher”, lamentava-se.

Bárbara também decidiu congelar seus óvulos na Clínica Mãe. Dois anos depois de ter se submetido ao tortuoso tratamento de rádio e quimioterapia contra a doença ─ e estar completamente curada ─ ela engravidou de um menino, “se eu não tivesse essa oportunidade estaria muito frustrada”, relembra. “Eu indico o congelamento de óvulos com toda a certeza, vale muito a pena, porque o amor que você sente quando está esperando um filho não dá para mensurar”.

“O congelamento é uma alternativa real para mulheres que optam por adiar a maternidade. Não raro, quando a decisão de ser mãe surge, o corpo não corresponde. Ter óvulos congelados dá uma alternativa bastante segura para seguir o caminho da maternidade”, explica Dr. Vamberto Maia, especialista em reprodução humana da Clínica Mãe.

Um mesmo sentimento uniu as histórias dessas três mulheres: o enorme desejo de serem mães. A engenheira, a advogada e a dentista driblaram as dificuldades e esperaram o momento certo de exercer o direito da mulher de escrever o seu próprio destino. Da decisão de congelar os óvulos ao primeiro choro do filho, elas nunca desistiram de sonhar. 

“O congelamento de óvulos pode ser realizado em qualquer mulher que escolha esperar para engravidar ou que tenha a qualidade de seus óvulos em risco, seja por cirurgia nos ovários ou quimioterapia. A indicação é que o congelamento de óvulos seja feito até os 35 anos porque após esta idade há uma queda na quantidade e qualidade dos óvulos. A idade da mulher influencia diretamente em sua fertilidade. Por isso, se o momento é de esperar o congelamento de óvulos e embriões podem ser boas opções”, explica Dr Alfonso Massaguer, diretor da Clínica Mãe. 

*Dr. Alfonso Araújo Massaguer – CRM 97.335 – é Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e Especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Universitário Dexeus – Barcelona. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. É membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Também é diretor técnico da Clínica Engravida e autor de vários capítulos de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana em livros de medicina. 

www.mae.med.br 

 


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