Telas podem desencadear miopia e outras alterações de visão

Por Dr. Rubens Belfort*, médico oftalmologista

 

Passar muito tempo na frente de tablets, smartphones e computadores pode causar alterações nos olhos e agravar miopia

 

Em um mundo cada vez mais moderno e ultraconectado, é cada vez mais difícil encontrarmos alguém que não passe bons minutos do dia grudado em alguma tela tecnológica, seja ela do tablet, do computador ou do smartphone.

 

O problema é que os médicos já perceberam que esse tipo de comportamento, quando excessivo, pode trazer danos para a saúde ocular. “Trabalhamos e estudamos diante do computador e, mesmo na hora do descanso, estamos grudados nas telas. Isso pode trazer desde cansaço e secura para os olhos, pela atividade de atenção constante nos gadgets, como também enfermidades mais sérias”, conta Dr. Rubens Belfort, médico oftalmologista da Clínica Belfort e professor afiliado de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina.

 

Embora o cansaço visual não seja uma doença grave, já que pode ser tratado com colírios lubrificantes, uma boa noite de sono ou intervalos no uso de tecnologia, o aumento de pacientes com miopia está diretamente relacionado ao uso de telas. “Por muitos anos acreditou-se que o grau dos olhos era resultante apenas da genética, mas hoje sabemos que o ambiente também pode influenciar”, diz Dr. Rubens, “a mudança de hábitos, principalmente na infância, podem estar relacionadas ao aumento da miopia na população mais jovem. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2010 27% da população mundial era míope e projeta para 2050 taxa de 52%, sendo que o grau desses míopes também está aumentando”.

 

Entre as possíveis causas para o aumento do número de pacientes com miopia estão o aumento da visão para perto, principalmente na primeira década de vida, além da diminuição da atividade ao ar livre. Desta maneira acredita-se que não seja o telefone celular ou tablet propriamente que danificam os olhos, mas o uso durante muitas horas, principalmente a uma distância muito próxima do rosto.

 

Outro ponto de atenção no uso de telas está relacionado ao sono. A luz dos equipamentos, apesar de parecer fraca, pode confundir o organismo e alterar o ciclo de sono/vigília. Com isso, a pessoa passa a ter mais dificuldade para pegar no sono e vai descansar menos, prejudicando a saúde de maneira global. “É que é durante o sono que nosso organismo se regenera e se prepara para o dia seguinte. Uma alteração significativa nas horas dormidas pode comprometer o bem-estar”, diz o médico.

 

Proibir ou evitar o uso de gadgets não faz parte da realidade, então o indicado é o bom-senso, principalmente com as crianças. Limitar o uso dos aparelhos e nunca trocar a vida real pela virtual fará um bem enorme para a saúde e para a vida pessoal.

*Sobre Dr. Rubens Belfort Neto Oftalmologista

  • Professor Afiliado da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina
  • Presidente da Sociedade Pan-Americana de Oncologia Ocular (2016-2018)
  • Doutor em Oftalmologia pela UNIFESP (PhD) – 2011
  • Médico especialista em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, com título pela Associação Médica Brasileira (AMB)
  • Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
  • Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cancerologia
  • Membro da Sociedade Internacional de Oncologia Ocular
  • Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
  • International Member – American Academy of Ophthalmology
  • Associate Secretary-Portuguese Language Region – Executive Committee – Pan-American Association of Ophthalmology (2015-2017)
  • Especialista em Mácula – UNIFESP 2015

Formação e Cargos – Oncologia e Patologia Ocular

  • Presidente da Sociedade Pan-Americana de Oncologia Ocular (2016-2018)
  • Chefe do setor de Oncologia Ocular da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP (2011 até 2016)
  • Chefe do serviço de oncologia ocular do Amazonas
  • Oftalmologista formado pela Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
  • Fellow no setor de Oncologia Ocular, Departamento de Oftalmologia, UNIFESP
  • Fellow no Departamento de Oftalmologia, McGill University, Canada: Patologia Ocular, Oncologia Ocular e Plástica Ocular
  • Fellow em Oncologia Ocular – Cole Eye Institute, Cleveland Clinic, Ohio, EUA – Setor de Oncologia Ocular
  • Fellow em Oncologia Ocular – MD Anderson Cancer Center, Texas, EUA – Departamento de Oftalmologia