Mãe de gêmeos: Dia de Conscientização do Autismo

Foto Adriana Margotto

Por Mariana Alckmin*, mãe dos gêmeos Gabriel e Daniel, ambos no espectro autista

O dia 2 de abril é considerado desde 2007 pela ONU o DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO, representado pela cor azul e pelo símbolo do quebra-cabeça. Estima-se mais de 2 milhões de pessoas com autismo no Brasil, 1% da população mundial.
O transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma deficiência caracterizada por déficit na comunicação, interação social e comportamento. É uma condição chamada “espectro” por apresentar diferentes níveis de comprometimento: do grau mais severo de dependência e com diversas comorbidades associadas (como deficiência intelectual, presença de episódios de convulsão e/ou comportamentos desrruptivos, como auto agressão) ao grau mais leve, com indivíduos que apresentam total autonomia, vida comum, porém podendo apresentar possíveis questões relacionais/ comportamentais muito sutis. Esses últimos são muitas vezes confundidos e rotulados como pessoas fechadas, tímidas, estranhas ou até mesmo antissociais.
O autismo foi considerado deficiência para todos os fins legais a partir de 2012, com a lei n° 12764/2012 – Berenice Piana (mãe de um autista). Por esta razão a questão da inclusão do autista na sociedade, respeitando suas particularidades, ainda é um grande desafio. Além disso, o autismo por não ser uma deficiência muitas vezes visível  ou clara gera ainda muito preconceito, bullying e desrespeito.
A causa do autismo (nome mais difundido para TEA) é multifatorial, com fatores genéticos (mais estabelecidos) e fatores ambientais (mais controversos).
O diagnóstico tem sido cada vez mais realizado de modo precoce, favorecendo o acesso antecipado da criança autista à intervenção e, consequentemente, ao desenvolvimento global mais próximo do esperado para a idade.
Alguns dos sintomas do autismo:
Déficit no contato visual;
Não responder quando chamado pelo nome;
Dificuldade e/ou ausência de imitação;
Interesse restrito por objetos não convencionais;
Presença de movimentos corporais esteriotipados e não funcionais;
Baixa tolerância a frustração;
Prender-se a rotinas;
Presença de alterações sensoriais;
Pouco interesse em outras crianças.
O tratamento para autismo é realizado por uma equipe multidisciplinar e de forma personalizada conforme as questões peculiares de cada autista.
A inclusão social (seja escolar, no clube, na roda de amigos, no supermercado, no cinema ou no ambiente familiar) da criança com TEA ainda é um grande desafio na realidade brasileira.
A multiplicação de informações é umas das melhores ferramentas para combater o preconceito e favorecer a redução de barreiras da inclusão natural e efetiva.
Por mais informação, empatia e respeito.
Autismo não tem cura, preconceito sim!
*Mariana Alckmin 
Fisioterapeuta 
Criadora do Grupo de pais TEApoio 
Mãe dos gêmeos Gabriel e Daniel, ambos no espectro autista