Dia Internacional de luta pela saúde da mulher 

 

 

 

 

 

Por Claudio Basbaum*, ginecologista e obstetra

 

28 de maio: Dia Internacional de luta pela saúde da mulher. Os cuidados básicos que podem ajudar a mulher a prevenir doenças  

 
A preocupação com a saúde da mulher começa com a prevenção. E alguns cuidados básicos podem ser adotados no dia a dia para prevenir doenças graves, principalmente em relação a higiene íntima. Não deixe de manter os genitais externos bem higienizados e secos corretamente. São bem-vindos lencinhos umedecidos (sem fragrância) durante o dia, principalmente após urinar e mais ainda, se a mulher estiver menstruada ou tiver mantido relações sexuais.E evite papel higiênico! “Não recomendo, seja por sua aspereza, seja pelos produtos químicos utilizados em sua fabricação ou mesmo pelos fragmentos contendo microrganismos que podem ficar grudados levando a irritações no local”, atesta o Dr. Claudio Basbaum. 

 

Mitos e verdades sobre a depilação íntima 

Depilação íntima é um assunto controverso, tanto para ginecologistas, quanto para dermatologistas. Seja ela realizada parcial ou total, utilizando cera, lâmina, creme depilatório ou laser, este tipo de procedimento teria uma finalidade meramente estética, não tendo nenhum efeito favorável sobre a higiene ou odores desagradáveis na região genital.  Na verdade, as depilações podem desequilibrar a flora local predispondo alergias e infecções. 

Veja o que o Dr. Claudio Basbaum classifica como mito e verdade sobre o tema: 

 
MITO    

  • Depilar pode causar flacidez ou varizes vulvares;  

  • É aconselhável fazer depilação íntima total por ser mais segura e higiênica para a mulher;   

  • Depilação evita mau cheiro nos genitais; 

  • Depilação íntima aumenta o prazer sexual. 

VERDADE   

  • Os pelos protegem a região íntima de algumas infecções; 

  • Depilação íntima deve seguir a sequência de fora para dentro e de cima para baixo; 

  • Apenas aparar os pelos é mais higiênico que depilar sempre utilizando sua tesoura individual e bem esterelizada; 

  • Pode ser necessário fazer intervalos de até 30 dias entre as sessões de depilação para aquelas que escolherem esse método. 

Como evitar fungos e bactérias nas calcinhas 


Quando o assunto é calcinha, os números são assustadores: uma peça não higienizada adequadamente pode conter até 10 mil fungos e bactérias perigosos, sabia? Em um estudo da Faculdade Devry Metrocamp, em Campinas, no interior de São Paulo, pesquisadores descobriram que 92% de calcinhas usadas e coletadas limpas estavam contaminadas com até 10 mil micro-organismos. Isso significa que suas donas não sabiam que usavam peças infectadas…Opa! 
 

“Calcinhas lavadas de forma inadequada, podem conter, de fato, uma flora complexa, presença de bactérias, fungos e até mesmo de parasitas que poderão causar ou agravar coceira, irritações, ardência, infecção na pele, corrimento e odor fétido no canal vaginal”, comenta o Dr. Basbaum. 

Neste exato momento, você deve estar se perguntando: “será que lavo minhas calcinhas direito?” Para que não fiquem dúvidas, preparamos um mini guia com dicas salvadoras! 

Como surgem fungos e bactérias 

Segundo Claudio Basbaum, eles podem nascer das secreções vindas da vagina; das glândulas de suor (sudoríparas) e sebáceas; pelo calor e menor ventilação local, além de resíduos de urina que podem gotejar após as micções e não serem devidamente secas, mantendo umidade no tecido. 

Além disso, os genitais femininos externos apresentam muitas pregas – grandes e pequenos lábios, clitóris com seu prepúcio – que são áreas de menor acesso a higienização. “São reentrâncias que alojam mais facilmente as secreções ‘contaminadas’ pela flora em desequilíbrio”, diz. A proximidade com a região anal também é um agravante nesta miscelânea de fatores já citados. Isso porque pode ocorrer contato com resíduos de fezes. 

Quando está na hora de lavar? 

As calcinhas devem ser trocadas, diariamente ou até mesmo mais de uma vez por dia. Principalmente em casos específicos, como após exercícios, dias muito quentes, jornada de trabalho prolongada, período menstrual e sobretudo quando sob algum tratamento de processos irritativos/ infecciosos locais. Outra dica: as calcinhas mais indicadas são de algodão, pois absorvem o suor, têm trama mais larga e ventilam melhor, além de textura mais macia para a pele sensível da região genital. 

Lavou está novo? 

Lavar no banheiro não é tão ruim, já que a roupa deve ser lavada à mão. Mas existem algumas exigências a serem cumpridas. Primeiro, o sabonete comum não tem a capacidade de detergência adequada para a limpeza de tecidos. É preferível usar sabão de coco e neutro, se possível líquido, ou detergentes líquidos destinados a este tipo de roupas. 

“O tecido fica limpo e seus componentes químicos não agridem a pele da mulher”, diz Claudio que não recomenda sabão em pó ou em barra (só se for neutro). Motivo: esses produtos são mais difíceis de enxaguar e a persistência de seus resíduos pode facilitar irritações locais. Para evitar, mergulhe a peça em uma pequena bacia com água. O amaciante é permitido, até porque o produto realinha as fibras do tecido, deixando-o mais confortável. Mas não esqueça de enxaguá-lo, ok? 

Tudo isso vale também paras roupas íntimas e maiôs novos. Ao adquiri-los faça uma boa lavagem antes de usar. “É um cuidado que pode prevenir irritações locais provenientes de agentes químicos contidos na confecção da roupa nova ou até mesmo, eventuais contaminações”. 

Onde pendurar? 

Deixa a calcinha no box? Nem pensar! Essa peça íntima exige um lugar ventilado e iluminado para secar. Por ser muito úmido, o banheiro propicia um ambiente favorável ao desenvolvimento de fungos e bactérias. E nada de estender diretamente ao sol. “Os raios solares podem afetar os tecidos, sua coloração e mesmo a maciez”. 

 

*Dr. Claudio Basbaum  é médico com especialização na Universidade de Paris-França.  Professor-Doutor em Ginecologia e Obstetrícia, pioneiro da laparoscopia no Brasil (1967), introdutor do Parto Leboyer (“Nascimento sem violência”) e da técnica “Shantala” (Massagem para bebês)  no Brasil e defensor de  técnicas menos agressivas à mulher  e ao bebê.