Campanha alerta para risco de violência contra a mulher com endometriose

Por Caroline Salazar, autora do blog A Endometriose e Eu e capitã da EndoMarcha

   

 

Incompreensão dos sintomas da doença, como a dispareunia (dor durante e após as relações sexuais), pode servir como gatilho para abusos psicológicos e físicos em relacionamentos

 

25 de novembro é marcado pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher. No mês de novembro, Caroline Salazar, autora do blog A Endometriose e Eu e capitã da EndoMarcha – Time Brasil, lançará a Campanha de Conscientização Contra o Abuso Psicológico e Sexual da Endomulher. A ideia surgiu depois de receber muitos relatos de endomulheres que se viam em situações nas quais se sentiam obrigadas a manterem relações sexuais com seus parceiros. “A endomulher já sofre muito com os sintomas da doença e nem sempre quem está ao seu lado percebe que a dor pode interferir nos seus relacionamentos e na sua vida sexual”, pontua Caroline.

Ao longo do mês de novembro, o público poderá acompanhar conteúdos exclusivos produzidos pela Caroline Salazar, que é jornalista e traz um material rico composto por artigos nacionais e internacionais de renomados especialistas em endometriose e relatos de quem convive com a doença.

A endometriose atinge cerca de 200 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo. Uma em cada 10  tem a doença. Dentre os diversos sintomas que influenciam negativamente a vida das mulheres com endometriose em vários aspectos está a dor, relatada em até 80% dos casos. A dispareunia – dor durante e após as relações sexuais – é muito comum entre as mulheres com endometriose. O que poucos sabem é que estes sintomas também podem afetar o psicológico da mulher e seus relacionamentos.

“Infelizmente, o senso comum de que a mulher é o sexo frágil difundiu a ideia de que cólica menstrual é normal e se ela reclama é porque é fraca, fresca ou preguiçosa”, aponta a autora do blog A Endometriose e Eu. “Porém, o que estas pessoas não sabemé que proferir estas frases é cometer uma violência psicológica contra a endomulher”, completa.

Caroline Salazar foi a primeira pessoa no Brasil a descrever abertamente as dores da dispareunia – em seu blog, em 2010. “Além da dor na relação, o apetite sexual também é afetado e com isso, muitas delas passam a ter trauma, aversão e não tem desejo ao sexo”, afirma a ativista.

Ana Rosa Detilio, psicóloga especialista em saúde da mulher e especialista em Reprodução Assistida pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, endossa o fato de como a questão pode afetar a endomulher e seus relacionamentos. “Não poder compartilhar ou não ser compreendida pelo parceiro gera sentimentos negativos tão intensos que atuarão diretamente na baixa da autoestima dela, sensações de que não é capaz de satisfazer as necessidades do companheiro, pois é assim que muitas vezes somos ensinadas”, diz a psicóloga. Ela ressalta, ainda, que em razão disso, a mulher pode desenvolver transtornos como depressão e ansiedade.

Para a especialista em saúde da mulher, é importante que tanto a mulher com endometriose quanto o parceiro revejam os conceitos acerca da doença e da vida sexual, como um todo. “Buscar informação e suporte também é essencial para os parceiros que necessitam conhecer os sintomas da doença e lembrar que há várias formas de encontrar o prazer sexual e que o casal precisa de sintonia para construir novas e satisfatórias possibilidades”, ressalta Ana Rosa Detilio.

A campanha enfatiza a importância de conscientizar as mulheres sobre as condições em que o relacionamento passa a ser abusivo e pode evoluir para um caso de violência. “A mulher com endometriose traz a dor como algo a mais para lidar, proveniente de uma doença muitas vezes incompreendida que torna este sintomaainda mais problemático, principalmente num mundo tão sexualizado onde “parece” que todo mundo tem uma vida sexual satisfatória”, afirma Ana.

Mas também o grande objetivo desta campanha, segundo Caroline, é alertar os companheiros e mostrar que a falta de vontade e a dor durante ou após o sexo é um problema muito sério de saúde, não é frescura. “Quero informar e trazer os parceiros para próximo de sua companheira, pois o apoio é fundamental e ajudará a mulher a ir atrás do tratamento e obter a cura, assim como eu tive. É possível voltar a ter relação prazerosa”, afirma a ativista, que descobriu ter doença a partir deste sintoma.

Sobre Caroline Salazar e o blog A Endometriose e Eu

Caroline Salazar é jornalista, autora do blog A Endometriose e Eu e ativista pela conscientização da endometriose. A partir da criação do blog, em 2010, Carol se tornou referência no assunto entre pacientes, familiares de pacientes e especialistas sobre a doença em todo o mundo.

Foi pioneira no Brasil em falar abertamente sobre uma consequência pouco conhecida da endometriose: a dispareunia, dor durante a relação sexual. E seu tratamento: a fisioterapia uroginecológica. Também é a pioneira ao abordar a possibilidade de cura da endometriose, a partir de sua própria experiência e de dados do cientista americano doutor David Redwine. Caroline Salazar celebrou em 2019, sete anos de cura da doença (é possível conferir o relato do ano passado sobre o assunto aqui: http://bit.ly/2XmkOYb ).

O blog A Endometriose e Eu traz entrevistas e artigos exclusivos, com pesquisadores nacionais e internacionais sobre a doença. O blog foi o campeão da categoria Saúde do TopBlog Brasil, eleição realizada sob voto popular em 2012. Em 2013, manteve-se entre os três mais votados da categoria. Em 2014, Caroline liderou a 1a edição da EndoMarcha Brasil – a Marcha Mundial de Conscientização da Endometriose. O Brasil, desde então, lidera a marcha com o maior número de cidades participantes. Em 2018 foram 20 cidades, sob a supervisão de Caroline e coordenadores voluntários em cada cidade e, em 2020, até o momento te 23 cidades inscritas.

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