“Não serei hipócrita de dizer que amamentar são só flores, mas preciso dizer que é bom demais!”- Elly Chagas – Santo André/SP

pmadmin Publicado em 01/08/2016, às 00h00 - Atualizado às 11h33

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1 de agosto de 2016


“Caetano chegou junto com a primavera de 2007, 5h15 do dia 22 de setembro. O parto fora exaustivo e o sonho da amamentação nos primeiros momentos não se concretizou. Eu e meu gigantinho estávamos exaustos, com poucas forças e precisamos nos recompor para iniciar nossa relação de amor através do leite. Mas não tardou tanto assim. Por volta de uma hora depois nos reencontramos, Caetano, instintivamente, abocanhou meu seio e ficamos ali, maravilhados com aquele contato.

Tanto que nem notei que, em certo momento, ele largou o bico e passou a mamar na auréola esquerda. Deslizei imediatamente corrigida pelas parteiras da Casa de Parto, que acompanhavam este momento com o intuito de auxiliar e incentivar o ato de amamentar.

Durante aquele sábado, amamentar foi uma delícia. Domingo percebi que ele era mais guloso do que os outros bebês que nasciam naqueles momentos na Casa. Pedia muito o peito, tinha uma necessidade imensa de sugar e dormia muito pouco.

Por conta do peso de nascimento de Caetano, 4270k, ficamos por 3 dias na Casa de Parto, quando o normal seria 24h. E foi na última noite que passamos lá, de segunda para terça-feira, que a amamentação começou a ficar difícil.

Após o nascimento de uma menina, por volta da 1h da manhã, Caetano se agitou. Amamentava, mas não o acalmava. Uma das enfermeiras foi um pouco grossa ao entrar nervosa e dizer – mesmo depois de eu ter passado 2hs amamentando – que não ia falar mais uma vez o que eu tinha que fazer. Assustada, deitei com Caetano e amamentei em posições horríveis por 4 horas sem parar.

Ao amanhecer, percebi que um dos meus bicos, o esquerdo, estava praticamente pendurado e o direito ‘apenas’ fissurado. Amamentar perdeu um pouco o brilho e ganhou muita dor e dificuldade.

Na tarde do mesmo dia já estava em casa (ufa!) e achei melhor tentar o famoso bico de silicone. Fomos eu e minha mãe numa farmácia e compramos. Não funcionou. A dor continuava com a presença do bico e Caetano ficava muito nervoso com aquele corpo estranho entre nós. Sem contar que os restos dos ferimentos grudavam no silicone e mesmo fervendo eu encontrava vestígios de sujeira, simplesmente nojento. Tentei por 2 dias e desisti.

Na quinta-feira, decidi ordenhar e oferecer meu leite na colherinha para Caetano, que aceitou. Assim, o bico descansou e eu combinei este descanso com a aplicação da casca de banana por 15 minutos e luz direta. No domingo, o prazer da amamentação já estava conosco novamente.

Neste meio tempo o maluco do pediatra que se dizia a favor da amamentação preparou uma receita ridícula de NAN, alegando que Caetano deveria estar ganhando 30 grs por dia e que isto não estava acontecendo, pois, apesar de eu ter um boa oferta de leite, ele não conseguia ingerir o necessário. Dei um ponto final na nossa história com este médico louco, marquei com um homeopata e, no tempo em que esperava a consulta com este novo médico, contei com o apoio das meninas da Matrice e tudo correu bem. Caetano nunca conheceu o tal NAN.

O prazer em amamentar aumentava gradualmente. Lembro que no início, amamentava de frente para um relógio, contando quanto tempo durava cada mamada. Não que em determinado momento eu tirasse Caetano do peito por decidir que já estava bom, aliás nem sei dizer por que, mas achava essencial olhar o relógio enquanto amamentava.

No segundo mês tive uma mastite (a primeira). Tive tanto medo de ter que parar de amamentar. Escrevi na lista da Materna e a Flávia Gontijo disse que eu poderia ligar para ela. Era madrugada, liguei e foi fundamental. Passei o resto da noite/madrugada aliviada, oferecendo muito o peito afetado para o Caetano. Acordei bem melhor e segui as outras dicas da Flá (água quente, dança africana, ordenha) e da Analy, que também me escreveu indicando os possíveis motivos da mastite. Foi após este episódio que aposentei o relógio e comecei a olhar mais para o Caetano durante as mamadas. Tentava olhar para cada poro do meu bebê, amamentava e contemplava!

Voltei ao trabalho quando Caetano tinha praticamente 6 meses com uma hora para amamentá-lo. Detalhe: sou educadora e Caetano frequenta o berçário da Creche em que trabalho. Daí que não sofremos nenhum grande trauma neste período. Cheguei a estocar leite, mas não foi necessário, pois amamentei no meio do expediente até que ele completou nove meses e foi suficiente. Ele compensava o tempo de separação durante a noite, motivo pelo qual acabei não fazendo um desmame noturno.

Tive uma outra mastite – esta bem mais traumática – durante o mês de junho de 2008. Dor, calafrios, febre local. Não parei de amamentar ainda assim e foi amamentando que a inflamação drenou. Alívio. Mais uma vez a parceria Elly&Caetano mostrou sua força.

Comecei a introdução de alimentos sólidos aos seis meses, mas ele só se entendeu com estes alimentos aos 10 meses. Aos 2 anos, comia sozinho e bem. Dos 3 anos e meio em diante passava dias sem mamar, mas de repente, geralmente ao acordar ou no momento de dormir, pedia para mamar. Enquanto estivemos juntos, na mesma creche, mamava diariamente. 

Após 3 anos e 8 meses de amamentação, uma febre longa nos mostrou o início de novos caminhos. Uma das minhas maiores armas para manter a tranquilidade nas febres de Caetano até então era o peito, que hidratava e ajudava demais no processo. Porém, desta vez, ele não aceitou tão bem assim o leite materno.

Foi tenso acontecer bem neste momento, mas eu ainda nem sabia. No dia seguinte, após a consulta com o pediatra homeopata, Caetano declarou com todas as palavras bem ditas: “Mamãe, não mamo mais. Sou grande.”

Achei que seria mais uma vez uma declaração de momento, como já havia acontecido, porém na manhã seguinte, ele veio para a minha cama, pediu o peito, sugou por 2 segundos e disse: “Já acabou, não quero”. E, naquela noite, adormeceu no meu colo sem mamar. E na noite seguinte também.

Lindo é que a decisão vinda dele – madura até – causou certa insegurança com a qual ele está aprendendo a lidar e eu oferecendo todo o suporte possível. Parece estar se reacomodando em nossa relação. Todas as madrugadas pede para ficar na cama comigo, me solicita mais, declara amor e mais amor, está super emotivo. E os processos da maternagem sempre nos oferecendo outras histórias de amor!

Não serei hipócrita de dizer que amamentar são só flores, mas preciso dizer que é bom demais!”

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