Meus filhos, minhas regras mutantes!

A jornalista e mãe de 3 filhos Fernanda de Luca estreia coluna no Papo de mãe. Ela foi repórter do Papo de Mãe na TV Brasil. As regras podem mudar?

Fernanda de Luca* Publicado em 05/04/2022, às 06h00

Fernanda de Luca, os filhos Igor, Isadora e Geórgia, e o marido Grego -

É preciso se permitir aprender como mãe e recalcular a rota quando necessário, sem julgamento próprio.

Eu não sou expert, mas adquiri expertise da vida, do trabalho, dos filhos, do casamento e, claro, de mim mesma. Assim, decidi atender um carinhoso pedido da minha amiga polivalente, Mariana Kotscho: “Fê, você podia escrever algo pro Papo de Mãe, né?”. Aqui estou, sem ser uma colunista oficial, mas como mãe, mulher, profissional, observadora das ações e reações humanas.

Várias vezes conversei com outras pessoas ou analisei de forma introspectiva sobre a sensação de erros e acertos na criação dos filhos. Eu, mãe de 3, admito que fui mais dura com o meu mais velho, hoje com 21, do que com as meninas, gêmeas diferentes com 16 anos. Falo de uma dureza nos limites e conceitos, no trato mais rígido, mas não menos carinhoso. Talvez porque ele foi o primeiro e passa por mais testes maternos, ou porque tentamos preencher uma cartilha padronizada e preconcebida, por não sei quem, sobre os requisitos de ser uma boa mãe.

Fernanda de Luca já foi repórter do Papo de Mãe: assista aqui

Enfim, a verdade é que analisar o caminho depois de percorrê-lo é muito mais fácil do que enquanto o estamos desbravando, concordam? Tem gente que diz: ”Ah, eu queria ter 18 anos com a cabeça dos meus 50, iria fazer tudo diferente!”. Desculpa, na minha humilde opinião, acho que esse jovem precoce e experiente, sem o aprendizado por tentativas, erros e acertos, seria muito chato. Além de não se encaixar no grupo e ambiente coerentes com a idade cronológica, como e onde ficaria esse ser tão maduro na fase que a imaturidade tem passe livre? Cada um no seu quadrado e no seu tempo de aprendizado, melhor não inverter a ordem natural, não é mesmo?

Mas, voltando aos tais limites, explico e enumerarei. Com meu filho eu estipulava tempo no computador, celular só com quase 12 anos e o modelo mais simples pra, literalmente, receber e atender minhas ligações. Já as meninas, não me lembro dessa minha imposição no tempo de conectividade e, sinceramente, nem sei quando tiveram o primeiro celular.

Minha dúvida é se a tecnologia ficou tão acelerada com Whats App, Youtube, Instagram, Tik Tok, Reels e coisas que nem sei pronunciar, ou se a gente vai amolecendo as amarras de forma natural e inconsciente. O que me surpreende, é que eu achava o máximo manter os limites tão estreitos e restritos. Nisso também incluo o dormir na casa de amigos, apesar de ter demorado em ambos os casos, o sim veio mais precoce com as meninas, será porque são duas juntas e ao mesmo tempo? Incorporo ainda as saídas, festinhas, horários de retorno, gastos extras, seja com alguns pacotes de figurinha de futebol ou um “cropped” novo, comer mais legumes ou não comer o que tinha pra comer, e outras rotinas familiares. São apenas alguns exemplos, mas muitas de vocês vão entender e conseguirão prolongar essa lista, com certeza!

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Será isso um arrependimento? Não! A minha tal expertise me proporciona, na atualidade, fazer apenas uma constatação e, a partir daí, não me julgar tanto. Isso porque não existe medida, regra ou posição que não possa ser modificada. Mudar de opinião e atitude é permitido, que bom! Nós como mães fazemos escolhas tentando acertar e por acreditar que a opção escolhida foi a certa, no entanto, se não for, tudo bem! É como entrar numa rua e o Waze recalcular a rota e dizer pra você retornar e pegar a próxima à direita e, tudo bem!

Se estamos em constante aprendizado como pessoas, porque não aprendermos como ser mães? Tudo bem e que bom!!

Fernanda de Luca

*Fernanda de Luca tem 54 anos, é  jornalista praticante há 32 anos e contando, mãe do Igor (21), Georgia e Isadora (gêmeas diferentes, 16) e casada com o Grego. Foi repórter do Papo de Mãe na TV Brasil.

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