Não existe bebê preguiçoso, existe bebê hipotônico

Enquanto algumas pessoas têm uma postura mais ereta, outras são mais flexíveis e isso se dá graças à tonicidade muscular, que varia de pessoa para pessoa. Com os bebês não é diferente.

Roberta Manreza Publicado em 05/04/2018, às 00h00 - Atualizado às 22h50

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5 de abril de 2018


Por Walkíria Brunetti, fisioterapeuta

Enquanto algumas pessoas têm uma postura mais ereta, outras são mais flexíveis e isso se dá graças à tonicidade muscular, que varia de pessoa para pessoa. Com os bebês não é diferente. Enquanto alguns apresentam uma musculatura um pouco mais rígida, outros têm um pouco mais de dificuldade de se manterem durinhos. Isso não significa, necessariamente, que a criança tem algum problema físico ou que sofreu algum trauma. Também não significa que o bebê é preguiçoso, mas sim que ele é hipotônico.

A tonicidade é o estado de repouso dos músculos e ajuda a manter a postura corporal e a guiar os movimentos. Justamente por isso, uma tonicidade mais rígida é importante para o desenvolvimento motor das crianças. Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, Mestre pela Santa Casa (SP) em Desenvolvimento Motor de Prematuros, os bebês hipotônicos precisam ser estimulados para que não tenham atrasos no desenvolvimento.

“O estímulo nessa fase é importante para que a criança consiga avançar sem problemas em todas as etapas do desenvolvimento motor. Sem uma intervenção, a criança também pode ter problemas de postura mais à frente”, observa Walkíria. A fisioterapeuta conta que, sem o acompanhamento correto, as crianças podem desenvolver lordose, problemas de postura ou de equilíbrio.

Sinais de alerta

Alguns distúrbios e síndromes causam a hipotonia, mas nessas crianças a condição é facilmente identificada, já que faz parte do quadro clínico. Entretanto, quando o bebê não tem nenhuma patologia que explique a hipotonia, pode ser mais difícil para os pais perceberem que a suposta “preguiça” está associada à hipotonia.

“A hipotonia pode ser percebida em bebês que não conseguem se manter firmes, têm dificuldade para engatinhar, ficar de pé ou caminhar. Isso se torna mais perceptível a partir do sexto mês, quando os bebês normalmente ficam mais durinhos e começam a demonstrar uma capacidade motora mais bem desenvolvida”, explica Walkiria.

Até os seis meses de idade os bebês devem ser capazes de levantar a cabeça, ficar de bruços e rolar o corpo. Aos nove meses os bebês já devem conseguir se sentar, engatinhar e se levantar. Para crianças nessa idade é possível estimular que elas se movimentem, rolem o corpo de um lado para outro ou se levantem sem auxílio. Até completar um ano, a criança já desenvolve autonomia muscular para começar a desenvolver a marcha, que em geral já está bem estabelecida por volta dos 18 meses.

Tratamento

Quando a hipotonia não está associada a outra condição de saúde, o bebê irá apresentar um desenvolvimento cognitivo normal, mas precisa do acompanhamento com um fisioterapeuta para identificar o grau de hipotonia e para realizar exercícios que possam estimular a tonicidade muscular e fortalecer os movimentos. “Com o tratamento adequado, o prognóstico é positivo. A maioria das crianças melhoram por volta dos 3 anos de idade”, finaliza Walkiria.