Seleção embrionária permite identificar e evitar doenças

Como ajudar casais que sonham ter filhos, mas podem apresentar problemas genéticos no histórico familiar?

Roberta Manreza Publicado em 30/05/2019, às 00h00 - Atualizado às 11h30

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30 de maio de 2019


Por Cláudia Navarro*, médica especialista em reprodução assistida

Diagnóstico genético de embriões é importante ferramenta para a reprodução assistida

Como ajudar casais que sonham ter filhos, mas podem apresentar problemas genéticos no histórico familiar? Essa pergunta já gerou grandes polêmicas e discussões, mas hoje a medicina reprodutiva já dispõe de alternativas para evitar que os herdeiros sofram com doenças como fibrose cística, adenoleucodistrofia, distrofia muscular de Duchenne, hemofilia e até anomalias genéticas que podem causar câncer.

Como funciona o diagnóstico de embriões? A técnica é trabalhada em reprodução assistida, por meio da fertilização in vitro. É feito um exame de células coletadas do embrião, que permite um mapeamento genético para analisar a saúde deles. “O diagnóstico do exame identifica os embriões com alterações genéticas e, assim, apenas os embriões sem essas alterações são selecionados para transferência para o  útero da mãe”, afirma a médica especialista em reprodução assistida Cláudia Navarro.

Testes Genéticos Pré-Implantacionais

Segundo Cláudia, os Testes Genéticos Pré-Implantacionais, atualmente chamados de PGT-A (Pre gestacional testing for aneuploidia) e PGT-M (Pre gestacional testing for monossomia) têm como objetivo a prevenção de doenças genéticas, abortamentos e anomalias cromossômicas.

“Além de evitar as doenças genéticas, o exame também pode ser aplicado para beneficiar mulheres que sofrem com abortos de repetição, assim como aquelas em idade acima dos 37 anos, as quais, naturalmente, têm a fertilidade reduzida”, detalha a especialista.

Os casos de perdas consecutivas de gestação, por exemplo, podem ser explicados por uma alteração cromossômica em um dos progenitores, que pode ser transmitida para o embrião. Assim, o próprio útero cuida de impedir a evolução do feto. Com o diagnóstico, os embriões que carregam as alterações podem ser identificados. A partir daí, somente aqueles livres da alteração são transferidos para o útero, aumentando a chance de que a gestação evolua normalmente.

Já para mulheres acima dos 37 anos, Cláudia explica que a técnica pode auxiliar em problemas decorrentes do envelhecimento do óvulo, como a maior incidência de anomalias cromossômicas. O estudo pré implantacional com a seleção de embriões cromossomicamente saudáveis teoricamente pode aumentar a taxa de gravidez, mas não existe uma indicação universal para a realização destes exames com este objetivo.

“Vale lembrar que ainda não existe um consenso na literatura de que a realização de PGT-A em todas as pacientes seja capaz de melhorar as taxas de crianças nascidas vivas. Cada caso deve ser avaliado individualmente para ver se há indicação para realização do procedimento”, reforça a médica.

*Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida e diretora clínica da Life Search. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.