Zika: o que já se sabe e o que ainda falta saber sobre a doença

Roberta Manreza Publicado em 19/02/2016, às 00h00 - Atualizado às 08h49

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19 de fevereiro de 2016


Por Fernanda Duarte* – Portal EBC

A escalada do vírus Zika nos noticiários e nas agendas dos governantes reflete a preocupação com a crescente epidemia. Mais de 30 países e territórios já registram casos autóctones da doença – a maioria deles no continente americano, incluindo o Brasil, país mais atingido pelo vírus – e outros 17, como Alemanha, Espanha e Estados Unidos, notificaram casos importados.

A gravidade do surto colocou pesquisadores de todo o mundo em alerta e, embora muita coisa já tenha sido descoberta, muitos pontos sobre o Zika continuam obscuros, como a relação do vírus com os casos de microcefalia que ainda não foi comprovada.

Reunimos em um infográfico os principais tópicos sobre o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o vírus Zika. Confira abaixo.

O que já se sabe

Da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus, o vírus Zika provoca uma doença com sintomas muito semelhantes ao da dengue, febre amarela e chikungunya. De baixa letalidade, causa febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (manchas ou erupções na pele com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas.

O vírus é transmitido, na grande maioria das vezes, pela picada dos mosquitos da família Aedes (aegypti, africanus, apicoargenteus, furcifer, luteocephalus e vitattus), encontrados nas regiões tropicais da América, África, Ásia e Oceania. A partir da picada infectada, a doença tem um período de incubação de aproximadamente quatro dias até os sintomas começarem a se manifestar e os sinais e sintomas podem durar até 7 dias. Há evidências de que a doença pode ser transmitida por meio do contato com o sêmen infectado durante relações sexuais. Grávidas infectadas também podem passar o vírus para o feto durante a gestação.

Como ainda não existe vacina ou um medicamento específico contra o vírus, o tratamento feito serve apenas para aliviar os sintomas. Assim, o uso de paracetamol, sob orientação médica, é indicado nesses casos.

As medidas de prevenção e controle da doença são as mesmas já adotadas para a dengue, febre amarela e chikungunya, como eliminar os possíveis criadouros do mosquito, evitando deixar água acumulada em recipientes como pneus, garrafas, vasos de plantas, fazer uso de repelentes, entre outros.

O que ainda não se sabe

Ainda não há dados consolidados e precisos do número de casos da doença nos países que registraram a ocorrência do vírus. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, entre 3 e 4 milhões de pessoas devem contrair o zika vírus em 2016 no continente americano. 1,5 milhão destes casos deve ocorrer no Brasil. O cálculo considera o número de infectados por dengue, doença transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti, em 2015, e a falta de imunidade da população ao vírus.

Creative Commons – CC BY 3.0 – Além da dengue, febre amarela e chikungunya, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, também transmite o vírus Zika

A dificuldade na obtenção de números confiáveis de casos de infecção pelo vírus Zika se deve ao fato de o vírus ser detectável somente por alguns dias no sangue das pessoas infectadas e dos médicos, assim como os próprios exames laboratoriais, não conseguirem com facilidade os casos de zika de doenças como dengue e chikungunya, que têm sintomas muito semelhantes.

Além disso, apenas uma em cada quatro pessoas infectadas são sintomáticas, o que significa que somente uma pequena parcela de pessoas que desenvolvem os sintomas da infecção causada pelo vírus procura os serviços de saúde, prejudicando a contagem dos casos da doença.

No Brasil, as autoridades de saúde investigam a relação do vírus Zika com o aumento da ocorrência de microcefalia, uma anomalia que implica na redução da circunferência craniana do bebê ao nascer ou nos primeiros anos de vida, entre outras complicações. O Ministério da Saúde confirma 508 casos de bebês que nasceram com microcefalia por infecção congênita, que podem ter sido causadas por algum agente infeccioso, inclusive o Zika, com 49 mortes. A pasta ainda investiga outros 3.935 casos suspeitos de microcefalia no país. Outros 837 já foram descartados. A OMS quer saber por que os casos de microcefalia estão concentrados no país.

Apesar de o vírus Zika ter sido encontrado ativo na saliva e na urina, ainda não há comprovação de que o contato com esse tipo de fluidos de pessoas infectadas possam transmitir a doença. Os pesquisadores da área de saúde também não sabem dizer ainda se há um período seguro durante a gestação em que as grávidas possam viajar para áreas afetas pela epidemia ou estar em contato com pessoas infectadas sem causar complicações para o bebê. Em geral, a maior vulnerabilidade ocorre durante os quatro primeiros meses de gravidez.

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Outros dois pontos que não estão esclarecidos ainda é se, após contrair a doença, a pessoa fica imune ao Zika e se as pessoas que são infectadas, mas não apresentam sintomas, podem transmitir a doença.

Os órgãos de saúde de vários países da América do Sul e Central, incluindo o Brasil, também estudam o crescimento de casos da síndrome de Guillain-Barré (SGB) durante o surto de Zika. A doença neurológica, de origem autoimune, provoca fraqueza muscular generalizada e, em casos mais graves, pode até paralisar a musculatura respiratória, impedindo o paciente de respirar, levando-o à morte.

De acordo com a OMS, o vírus Zika pode causar outras síndromes neurológicas, como meningite, meningoencefalite e mielite. Embora na região das Américas essas síndromes não tenham sido relatadas até o momento, serviços e profissionais de saúde devem estar alertas para as possíveis ocorrências.

* Com informações do Ministério da Saúde, Centro de Controle e Prevenção de Doenças/EUA (CDC) e Organização Mundial de Saúde (OMS)




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