O medo e as histórias infantis

O tema do programa deste domingo (04/07) foi o MEDO.
No estúdio, tivemos uma conversa muito bacana com mães, filhos e especialistas.
Além da psicoterapeuta infantil Jaíde Regra, que nos deu muitas dicas sobre como lidar com o medo de nossos filhos, contamos com a presença do escritor e contador de histórias, Ilan Brenmam, que nos divertiu com algumas de suas muitas histórias, recheadas de sustos e medo…
Por falar no escritor, separamos para vocês este artigo publicado no jornal gaúcho Zero Hora em que o autor expõe sua opinião sobre a onda do “politicamente correto” das histórias infantis.
Estudo critica excesso de “politicamente correto” em histórias infantis
Escolas apresentam histórias e músicas modificadas para educar as crianças de uma forma politicamente correta
E se o Lobo Mau da Chapeuzinho Vermelho não quisesse devorar a vovozinha, e a criança não atirasse o pau no gato, esses clássicos que sempre estiveram presentes na educação infantil e nas brincadeiras continuariam os mesmos? Com a intenção de educar crianças de uma forma “politicamente correta”, escolas têm apresentado histórias modificadas para afastar os alunos de temas violentos.
“Atirei o pau no gato” virou “Não atire o pau no gato”, o Saci Pererê ficou sem o cachimbo e o Lobo Mau, em vez de ser morto pelo caçador, foge pela floresta. Mas será que essa é a melhor forma de educá-las? Depois de estudar o tema em sua pesquisa de doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), o escritor, contador de histórias e pesquisador Ilan Brenmam, assegura que não. Autor de livros infantis que buscam “tratar a vida como ela é”, como Até as Princesas Soltam Pum, Brenmam questiona a mudança nos clássicos na tentativa de reduzir a violência na vida real.
– A criança é um ser complexo e ela não é contemplada quando uma história clássica é mudada – diz, citando o filósofo Jean-Jacques Rousseau, para quem o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe.
Brenman avalia que as crianças anseiam por enredos verdadeiros e lembra que, quando são elas que escolhem as histórias, as de terror lideram.
– Será que elas são psicopatas ou querem o terror para lidar com questões subjetivas, como o terror interno?
Diante da hesitação dos adultos, as crianças acabariam desorientadas.
– Elas ficam meio perdidas. Escutam o que a mídia fala e o que a escola fala, mas não sabem ao certo o que fazer – diz Brenman, que, em suas palestras, costuma perguntar a professores se eles matavam formigas ou queimavam bichinhos na infância.
– Hoje, se uma criança mata uma formiga, vai para o psicólogo – critica o autor.
Educadores divididos
O assunto divide educadores gaúchos. Para a doutora em Educação e professora do Instituto Superior de Educação de Ivoti, Luciana Facchini, é preciso levar em consideração a faixa etária da criança. Entre os três e seis anos, a utilização de contos adaptados, com menor agressividade, é considerada benéfica, porque a criança ainda vive em um mundo protegido e inocente. Mas a partir dos seis anos, quando começam a ir para a escola e passam a ficar mais expostas à violência, o melhor seria a história original.
– As crianças estão submetidas a um mundo de violência. No cotidiano, existe um lobo a cada esquina. Temos que fazer um alerta aos perigos reais. É claro que a criança não pode viver refém do medo, mas é preciso se precaver – defende.
A doutora em Letras e professora de literatura infantil da Faculdade Porto-Alegrense (Fapa), Mara Jardim, lembra que a tendência de suavizar o desfecho não é recente, uma vez que os irmãos Grimm já haviam escrito outras versões das histórias no século 19:
– O conto de fadas deve ser mantido em sua forma original, mesmo com toda a violência. Não é a literatura que colocará o medo na criança, ela precisa aprender a lidar com isso.
Fonte: Jornal ZERO HORA
E você, o que pensa a respeito das histórias e músicas infantis? Acha que o contúdo das mesmas deveria ser modificado ou as crianças devem desde cedo aprender a lidar com o medo? Escreva seu comentário. Queremos muito saber a sua opinião!!! 


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