A criança só queria ir ao banheiro, mas isso foi um desafio pra mim

Por José Eduardo Marcondes*, jornalista

 

A tarefa parecia fácil. Acompanhar minha esposa e um casal de amigos até um hotel numa cidade aqui perto, porque todos iam participar de um treinamento (menos eu). A única coisa que eu precisava fazer era cuidar da filhinha do casal, que tem apenas dois anos e meio durante uma horinha. Eu não tenho experiência nenhuma com crianças, mas o que poderia dar errado? Não é mesmo? “Veja, meu amor, tem até parquinho, é só deixar a menina brincar ali”, disse a minha esposa, procurando me incentivar.

Então foram todos para o tal treinamento e eu fiquei ali, me divertindo vendo a pequena infante brincar. Até que ela veio até mim e me deixou desesperado: “tio Dudu, quero fazer cocô”. Oh, não, pensei eu! Eu tinha me esquecido que crianças fazem cocô! E nas horas mais impróprias, pelo visto. Saquei rapidamente o meu celular e busquei no Google: “Como levar uma criança pequena para fazer cocô?” – eu esperava encontrar um vídeo, um tutorial, um passo-a-passo ilustrado mas… nada, nem uma resposta. Quem disse que a internet tem resposta pra tudo?

Então eu peguei a pequena pela mão e me encaminhei para o banheiro. Diante de duas opções, a dúvida: devo entrar no banheiro feminino ou masculino? Optei pelo masculino mesmo, mas entrei com a menina no colo virada de costas, pra evitar que ela flagrasse algum homem no mictório fazendo xixi. Me enfiei rapidamente numa das cabines.

Com muita delicadeza ajudei a menina a se desvencilhar das roupas, forrei a tábua com bastante papel higiênico (igual minha mãe fazia comigo) e fui posicionar a menina no vaso, mas nessa hora me bateu um desespero – a tábua era gigante pra uma mocinha tão pequenina, então achei melhor segurá-la firme para que não caísse. “Tio, não precisa me segurar”, ela suplicou, já se apoiando na beirada.

Então ela fez as necessidades dela e eu tive que romper minha vergonha – eu tinha que limpá-la. Lembrei que vi num filme uma vez (alguém se lembra desse filme?) que era preciso limpá-la de baixo pra cima. Pelo menos disso eu sabia. E lá fui eu. Um papel. Dois papéis. O terceiro já saiu limpinho.

Vesti de novo a menina e voltamos ao parquinho, onde ela voltou feliz a brincar. Eu tinha vencido, assim, um dos maiores desafios da minha vida. Ufa, deu tudo certo. E eu saí da empreitada com uma ideia genial: alguém deveria escrever um manual sobre “Como cuidar de uma criança ‘for Dummies’”(para leigos). Quem sabe alguns dos meus amigos que têm filhos queira se habilitar.

*José Eduardo Marcondes é jornalista com pós-graduação em Marketing Digital. Não tem filhos ainda, mas pretende ter – por meio da adoção.

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https://www.youtube.com/watch?v=wl5Qu1GQASI

 

 


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