TDHA ou Dislexia, você sabe diferenciar?

Por Dr. Clay Brites*, pediatra e neuropediatra e Luciana Brites**, pedagoga

 

 

Você sabe como diferenciar o TDAH e a Dislexia? Se a resposta for não, você não está sozinho. Muitas pessoas confundem um e outro. Para esclarecer tudo isso, é importante saber os pontos que os diferem.

O que é TDAH?

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) atua na parte do neurodesenvolvimento do indivíduo. Ele afeta as habilidades de atenção e os demais aspectos: hiperatividade e impulsividade. No entanto, vale lembrar que o TDAH tem características próprias.

Diferentemente do que algumas pessoas pensam, o TDAH não foi descoberto recentemente. Ele é estudado há mais de cem anos. Antigamente, costumava-se falar em disfunção cerebral mínima.

O TDAH tem uma organização direcionada em fatores atencionais e executivas, ou seja, tendem a demonstrar, em maior parte, as dificuldades voltadas para as habilidades.

O que é dislexia?

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem de leitura e escrita. Segundo o DSM-V, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a dislexia é um transtorno específico de linguagem. Sendo assim, é imprescindível a avaliação de uma fonoaudióloga dentro do processo de tratamento da dislexia, além de outros especialistas que visam um trabalho que valorize o desenvolvimento de outras práticas.

Alguns pontos determinantes do TDAH e da dislexia:

TDAH

– Função executiva

– Impulsividade

– Desatenção

Dislexia

– Habilidades de consciência fonológica

– Habilidades de linguagem

– Habilidades verbais

Importante lembrar

– 70% das pessoas que são diagnosticadas com TDAH têm problemas na escola e muitos deles costumam apresentar dificuldade de leitura e escrita;

– 30% dos indivíduos com TDAH não apresentam dificuldade de aprendizagem;

– A criança com dislexia pode ter TDAH.

A importância de um diagnóstico na infância

Pode-se notar o seguinte cenário com certa frequência: como os alunos com TDAH não têm a atenção adequada para aprender, eles não conseguem memorizar de forma efetiva. Sem isso, eles não alcançam um aprendizado satisfatório.

Se o diagnóstico dessas crianças com TDAH for feito depois da alfabetização, isso pode se tornar um problema muito sério, pois essa criança pode não ter recebido os estímulos no tempo certo. Além disso, o estudante não teve o processo de atenção adequado e o resultado acaba sendo uma alfabetização prejudicada.

A qualidade na intervenção

É preciso uma equipe multidisciplinar para avaliar esses casos. Por ser algo complexo, a intervenção necessita de um acompanhamento que ofereça a qualidade necessária para o desenvolvimento do pequeno.

Como o TDAH e a dislexia podem ser percebidos?

Desde criança, a dislexia pode ser percebida por meio do atraso de linguagem; quando o pequeno atinge certa idade e continua falando errado; quando há muita dificuldade de memorizar músicas e não demonstra interesses por números e livros de historinhas, entre outros.

O TDAH, por sua vez, pode ser notado por meio de desatenção, distração ou uma forte hiperatividade, diferente da agitação normal de uma criança. Esse lado hiperativo é aquele que atrapalha a interação social do menor e do ambiente em que ele estiver.

Criança com dislexia pode aprender a ler e a escrever?

Sim. Criança com dislexia pode (e deve) ler e escrever. É importante que se faça intervenções adequadas com fonoaudiólogas, psicopedagogos e outros profissionais para que eles trabalhem as habilidades de leitura e escrita; além de estimular as funções de percepção visual e consciência fonológica.

 

*Dr. Clay Brites – CRM 16787-PR

Pediatra (RQE: 12.173) e neuropediatra (RQE: 35) formado pela Santa Casa de São Paulo, vice-presidente da Abenepi Capítulo Paraná; Pesquisador do Laboratório de Dificuldades e Distúrbios da Aprendizagem e Transtornos da Atenção, além de membro do Departamento de Neurologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

**Luciana Brites

Pedagoga especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina. Luciana Brites é especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

Instituto NeuroSaber

Tem como missão, levar conhecimento sobre Aprendizagem, Desenvolvimento e Comportamento da Infância e da Adolescência, tendo como base profunda fundamentação teórica, com uma linguagem simples e um grande diferencial: aplicabilidade prática, para pais, avós, tios, professores e profissionais liberais da área.