Amor, vamos ter um bebê

Por Marcella Bisetto*, mãe, advogada e escritora apaixonada

 

Ainda hoje, se fecho os olhos, consigo visualizar com nitidez a expressão de surpresa do meu marido quando, sem preâmbulos (eu havia acabado de fazer o teste de gravidez), abri a porta do banheiro e decretei: “Amor, vamos ter um bebê”.

Não, não foi uma gravidez sem planejamento, mas aos 42 anos (eu completaria 43  dali a dois meses), achávamos que as chances eram remotíssimas. Quando imaginaríamos que eu engravidaria de forma natural, sem tratamento médico, no primeiro mês de tentativa? Parecia um sonho…

Quando me casei com o Alex, que é meu primo (nossos avós eram irmãos), eu já tinha a Bárbara, então com 7 anos, fruto do meu primeiro casamento, e ele, duas filhas de relacionamentos anteriores: a Luiza, então com 11 anos, e a Isabela, de 3 anos. Já formávamos um time feminino de respeito. O quesito “filhos” (ou “filhas”)  estava preenchido com louvor…

Apesar disso, cultivávamos o desejo de ter o nosso bebê, literalmente “sangue do nosso sangue”, afinal, somos uma família em que todos são primos entre si… Sou prima das minhas enteadas, meu marido é primo da minha filha mais velha, e por aí vai… rsrsrs

Já na primeira consulta com a obstetra, tomei meu primeiro choque de realidade. A médica logo alertou que a principal preocupação em relação à minha gravidez não era o grau de parentesco com meu marido, mas efetivamente a minha idade. Uau… eu era uma grávida geriátrica, que trazia comigo uma maior probabilidade de aborto espontâneo, risco genético para o bebê (como a Síndrome de Down e outros males), diabetes gestacional, hipertensão gestacional, nascimento prematuro e outras potenciais complicações. Saí do consultório atordoada, mas prometi a mim mesma que manteria a tranquilidade.

O fato é que, durante toda a gestação, não tive enjoo uma vez sequer, e nenhum, absolutamente nenhum tipo de complicação. Giovanna nasceu linda e saudável em uma sexta-feira 13, com quase 39 semanas. Nosso milagre particular.

Mamãe confiante, quarentona de segunda viagem, experiente, eu tinha certeza que tiraria tudo de letra. Mas não foi bem assim… Aquelas primeiras madrugadas do terror, em que eu circulava por todos os cômodos da casa com minha bebê no colo me estressaram muito, tive pouco leite, me senti estranhamente solitária nas primeiras semanas pós-parto, enfim, era como se fosse mãe pela primeira vez.

Acreditava que, estando mais madura, lidaria melhor com os dilemas e desafios da maternidade. Não foi bem assim: fiquei mais sensível e medrosa. Estou sempre receosa de que algo  ruim possa acontecer à minha pequena à cada episódio de febre.

Não, definitivamente não é fácil ser mãe quando se está mais velha. Sua paciência e disposição já não são as mesmas…Por outro lado, sua gratidão por ter tido o privilégio de ser mãe ainda que em uma idade “mais avançada” por assim dizer,  é infinita, e você só sabe agradecer por ter sido presenteada com a possibilidade de viver essa magia. Porque sim, ser mãe é mágico.

Estou pensando em tudo isso, quando  percebo que o portão da Escola foi aberto. Lá vem  a Gigi, correndo em  minha direção,  gritando aquela palavrinha mágica, melodiosa, gloriosa: “Mamãeeeee”.

*Marcella Bisseto é mãe da Bárbara, de 11 anos, e da Giovanna, de 2 anos e 8 meses, advogada e escritora apaixonada

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