Decoração de quarto para bebê com base na Neurociência

Por Gabriela Lourençon Ioshimoto* e Claudia Feitosa-Santana**, neurocientistas
Informações científicas para decorar o quarto do bebê

Decorar o quarto faz parte da famosa checklist de preparativos para a chegada do novo integrante da família e aqui vamos dar algumas dicas baseadas na Neurociência para que esse ambiente seja o mais interativo e estimulante para o bebê.

Hoje em dia, o mercado de decoração infantil já percebeu que a nova geração de clientes quer mais do que um quarto bonito, quer um quarto funcional, que estimule a autonomia e o desenvolvimento das crianças.

Assim, para auxiliar na escolha e deixar o ambiente infantil mais rico e interessante, podemos recorrer à Neurociência para compreender como os estímulos visuais, que são uma das principais fontes de informações que chegam constantemente ao bebê, podem ajudar no processo de aprendizagem.

Primeiro, é importante lembrar que a visão vai se desenvolvendo ao longo dos anos, ela não nasce pronta. No caso das cores, o bebê não consegue ver nada em cores nas primeiras 4 semanas de vida e somente com 2 meses que começa a ser capaz de perceber diferença entre as cores. Olha que interessante: alguns testes de Neurociência que estudam preferência indicam que as cores azul, roxa e vermelha são mais atraentes para os pequenos quando comparadas com verde e amarela.

Estudos revelaram que bebês com 3 meses de idade possuem 50 vezes mais dificuldade em distinguir cores. Assim, o cachorrinho da esquerda é uma melhor opção do que o da direita, que pode passar batido pelo bebê.

Para os papais que querem dar uma acalmada no bebê, infelizmente, as cores não irão ajudá-los! A popular cromoterapia não é cientificamente comprovada.

Outra dica científica é abortar estímulos muito simples característicos das decorações minimalistas. Existe um fenômeno chamado “Efeito Cachinhos Dourados” baseado no conto da menina que invadia a casa da família de ursos e quando se deparava com 3 opções, sempre optava pela intermediária (como no caso da sopa, ela preferiu tomar a sopa morna, ao invés da quente ou da fria).

Pesquisadores descobriram que os bebês ignoram cenas e sons que são simples demais ou complexos demais. O efeito “Cachinhos Dourados” é um mecanismo que direciona a atenção dos bebês para aspectos mais importantes. Essa ferramenta filtra a quantidade de informações que chega ao bebê, otimizando o processo de aprendizagem.

Portanto, o quarto ideal é aquele com elementos que chamem a atenção e auxiliem no comportamento exploratório do bebê. A seguir, algumas dicas baseadas nas Neurociências:

  • Apresente uma variedade de padrões geométricos como: listras, xadrez, bolinhas…
  • Lembrar que diferentes cores tons pastéis podem passar desapercebidas para os bebês. Cores mais vivas como vermelha e azul estimulam muito mais!
  • Não esqueça da decoração a la “Cachinhos Dourados”, com elementos que não sejam muito exagerados ou muito simples.
  • Por fim, resista aos clássicos tons pastéis “azul bebê” e “rosa bebê” e às tendências de decoração baseadas nos tons de cinza! Pode ser lindo para o adulto, mas, a falta de contraste é sem graça para o bebê.

Duas composições: à direita, tendência nas revistas de decoração e pouco estimulante para os pequenos e à esquerda, cores que prendem a atenção dos bebês.

 

 

*Gabriela Lourençon Ioshimoto

Pós-doutoramento em psicologia experimental pela USP, doutora e mestre em neurociências e comportamento pelo NeC/USP.

Criadora do projeto “Ciências Fora da Casinha”.

**Claudia Feitosa-Santana

Pós-doutoramento em neurociências integradas pela University of Chicago, doutora em neurociências e comportamento pelo NEC/USP, mestre em psicologia experimental pelo IP/USP, especializada em gerenciamento pela POLI/USP, graduada em arquitetura e urbanismo pela FAU/USP e engenharia civil pelo Mackenzie. Fundadora da Neurociência para Desenvolvimento Humano, professora convidada da Fundação Dom Cabral e da Casa do Saber.

@claudiafeitosantana