(Nem) tudo por um like!

Por Alessandra Borelli, advogada especializada em Direito Digital, sócia e CEO da Nethics Educação Digital*

Não dá para ouvir que crianças andam praticando desafios e simplesmente ignorar. Veja 7 dicas importantes para os pais ficarem atentos 

Fazem bonecos parecerem bebês, seus pais parecerem artistas, sua casa cidade cinematográfica, produtos de limpeza parecerem vitamina, fogo parecer não queimar e colocar a vida em risco uma grande diversão.

O “desafio da rasteira” é apenas mais um dos inúmeros “desafios” que se propagam por meio da internet com expressiva audiência, em sua maioria, protagonizados por jovens, tão imaturos quanto seu público.

A “brincadeira”, com razão, tem preocupado famílias de todo Brasil, já que representa, visivelmente, riscos à saúde e à própria vida, como já relatados alguns casos.

O fato é que, muito ou nada habilidosas com as novas tecnologias, crianças e adolescentes continuam em condição peculiar de desenvolvimento, tal como prevê o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 6º)

Não dá mais para pensarmos nos mesmos problemas com uma geração que dispõe de acessos que outras gerações não tinham. E esse alerta vai, não somente para as famílias, mas, igualmente, para as escolas. Todos somos responsáveis por impedir a violação dos direitos da criança e do adolescente (artigo 70 ECA)

Aderindo ou não as NTICs na proposta pedagógica, a responsabilidade das escolas, hoje, ultrapassam seus domínios físicos. Não dá para ouvir via “rádio corredor” que crianças andam praticando desafios e simplesmente ignorar.

É preciso estar junto, é preciso observar, é preciso dar asas, mas antes de soltar, ensinar a voar.

Dicas importantes:

⁃ atente-se para o que compartilha. Ainda que de forma bem intencionada, ao compartilhar vídeos que expõem crianças ou adolescentes a situação constrangedora ou vexatória, você pode estar violando o artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente
⁃ mantenha-se informado e fique atento para não tornar o assunto ainda mais “aterrorizante”
⁃ para crianças pequenas, opte pela utilização de plataformas fechadas, como PlayKids
⁃ levando em consideração as preferências de seus filhos, selecione previamente os conteúdos acessíveis, atualizando sempre que necessário
⁃ estabeleça uma relação de confiança e um virtuoso canal de comunicação off-line
⁃ sente-se junto com sua criança e aproveite para verificar se os vídeos que assiste são construtivos ou instigam comportamentos agressivos ou que colocam sua saúde ou vida em risco. Uma boa oportunidade para exercitar o pensamento crítico!!
⁃ jamais acredite que você (ou seus filhos) não estão sujeitos “a essas bobagens”. O excesso de confiança representa um dos maiores fatores de riscos!

Não subestime o potencial das novas gerações, sobretudo daqueles que já dispõem de acesso à internet ou que possuem seu próprio smartphone. Com jeitinho, converse sobre tudo, sobre riscos e também sobre oportunidades que as NTICs oferecem. Se você não disser, a internet dirá do jeito dela!

 

*https://www.nethicsedu.com.br